sexta, 27 de novembro de 2020

Economia
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Conhecendo mais quanto se gasta

Érico Fabres / 28 de agosto de 2016
Foto: Divulgação
Apenas quatro em cada 10 brasileiros com acesso ao sistema bancário têm conhecimento do quanto pagam de tarifas. Apesar do número baixo, esse é o maior percentual (40%) da série registrado na pesquisa sobre Crédito da Fecomércio RJ/Ipsos. Em relação ao ano passado, o crescimento foi de sete pontos percentuais. Atualmente, no país, 64% dos consumidores possuem conta bancária, o que equivale a 98,6 milhões de pessoas. Esse é o mesmo percentual do ano passado e segue como o maior da série histórica, iniciada em 2007. Para facilitar e ter um controle maior, muitas pessoas estão recorrendo ao pacote básico de serviços, que custa entre R$ 11 e R$ 40.

Neste ano, a parcela de brasileiros pagando algum tipo de financiamento manteve-se praticamente estável em relação a 2015, ficando em 33%%. Em relação aos critérios para a escolha da modalidade de crédito, 30% dos que pagam algum parcelamento responderam que o principal é a rapidez na aprovação. O mesmo percentual atribui a escolha ao valor das parcelas. Já 25% estão atentos ao prazo no parcelamento e 22%, à menor taxa de juros. Atualmente, 40% dos brasileiros possuem cartão de crédito e 28%, cartão de loja ou de supermercado. Este último também é o maior percentual em dez anos.

Falta de disciplina e tempo

Falta de disciplina, esquecimento e não ter tempo são as principais justificativas dos brasileiros pelo impulso por gastos. De acordo com uma pesquisa realizada em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 45,8% dos entrevistados não realizam um controle sistemático do seu orçamento, sendo que 29,3% o fazem apenas ‘de cabeça’ - ou seja, recorrem a um método pouco confiável para organizar suas finanças.

Em um ano, caiu de 61% para 41% o número de consumidores que conseguem fechar o mês com dinheiro sobrando. Muitos consumidores brasileiros não controlam o quanto gastam, não sabem quanto pagam de juros, não se planejam para imprevistos, desconhecem o valor de seus rendimentos mensais e ainda assumem ser pessoas desorganizadas financeiramente.

Uso do caderno de anotações

Entre os entrevistados ouvidos durante a pesquisa sobre Crédito da Fecomércio RJ/Ipsos, que utilizam algum método organizado para gerenciar seus recursos financeiros (53,9%), o mecanismo mais comum citado foi o caderno de anotações, mencionado por 29,8% da amostra, seguido pela planilha (21,0%) e pelos aplicativos digitais (3,1%).

Falta de organização é prejudicial

O levantamento mostra ainda que boa parte dos brasileiros reconhece a falta de organização para lidar com o próprio dinheiro, o que provocou a melhora no desempenho. Menos da metade (48,1%) dos entrevistados ouvidos consideram-se pessoas organizadas financeiramente. Considerando uma escala de um a dez, a nota média que o brasileiro atribui para o seu próprio nível de educação financeira é de apenas 6,3.

“Como a falta de conhecimento sobre as próprias finanças é um problema crônico no Brasil, é importante incluir a educação financeira como tema na formação básica dos cidadãos. Controlar gastos, fazer um planejamento antes de ir às compras e evitar consumir por impulso são algumas atitudes simples que deveriam ser assimiladas desde criança”, defende o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli.

Anota despesas. A pesquisa mostra que o controle dos gastos extras e de itens que não são considerados de primeira necessidade acaba ficando para o segundo plano em detrimento dos gastos fundamentais. Despesas com supermercado e contas de água e luz (93,5%) e também os rendimentos (90,1%) são anotados ao menos uma vez por mês pela maioria absoluta dos entrevistados. No entanto, apenas 39,5% dos consumidores anotam semanalmente os gastos com lazer, alimentação fora de casa, serviços de estética, salão de beleza, roupas, sapatos e acessórios, por exemplo. “A pesquisa comprova que muitos dos que dizem fazer um controle sistemático de seus gastos o fazem com uma frequência bastante aquém da adequada”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

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