segunda, 10 de maio de 2021

Economia
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Condomínio está mais caro do que aluguel; inquilinos buscam preços menores

Arthur Araújo / 25 de julho de 2018
Foto: Reprodução
A crise econômica provocou uma debandada de moradores em busca de taxas de condomínio mais baratas. Com a crise econômica e mudanças na legislação que tornam mais rápida e danosa a punição de inadimplência, condôminos preferiram buscar por alternativas mais acessíveis, comprometendo menos o orçamento familiar no final do mês.

De acordo com especialistas do setor, alguns condomínios cobram taxas que superam em muito o valor do aluguel do imóvel, como um apartamento de alto padrão em Campina Grande, onde a taxa chega a R$ 2 mil, o dobro do que é pago pela locação.

A procura por imóveis mais simples é apontada como uma tendência no mercado. “Isso existe e é muito corriqueiro”, afirmou o presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais do Estado da Paraíba (Secovi-PB), Érico Feitosa.

O presidente do Secovi afirma que o sindicato não possui um levantamento de dados que mostre a dimensão dessa realidade pelo fato de isso não ser compartilhado pelas corretoras. Ele, no entanto, usa o exemplo de sua própria empresa, que registrou um pico de mudança de imóveis no auge da crise. “Temos uma média de 20% de pedidos de mudança de apartamento e isso chegou a 37% com a crise, em 2016”, revelou.

Os números impressionam, havendo imóveis em que o valor do condomínio chega ao dobro do que é cobrado de aluguel.

De acordo com Érico, um imóvel específico de alto padrão no bairro da Prata, em Campina Grande, é alugado por R$ 1000, mas o locatário terá que desembolsar mensalmente mais R$ 2.000 de condomínio. Em João Pessoa, ele trabalha com um imóvel no bairro do Bessa que pode ser alugado por R$ 800, mas com condomínio custa R$ 900.

As próprias construtoras teriam mudado os padrões da construção tendo em vista a questão do condomínio. “Antigamente os condomínios de luxo possuíam poucas unidades, eram apartamentos maiores. Hoje isso não é possível em larga escala. Mesmo condomínios de alto padrão precisam ter muitas unidades, porque assim aumenta o número de moradores para dividir os gastos do prédio e assim baratear o condomínio”, afirmou o especialista em administração de condomínios Inaldo Dantas.

Inadimplência estável

Apesar da crise, não houve um aumento considerável na taxa de inadimplência dos condomínios. Isso, segundo os especialistas, é um reflexo da Lei nº 13.105/2015, o Novo Código de Processo Civil, que traz uma resposta mais rápida da justiça para os casos de inadimplência que chegam aos tribunais. Com a Lei, os condomínios podem acionar os moradores a pagar a dívida em até três dias, sob pena de sofrer consequências que podem chegam, nos casos extremos, na penhora do imóvel.

“Existiam condomínios que viviam completamente inviabilizados por causa da inadimplência”, afirmou o presidente do Secovi-PB, Érico Feitosa. Agora a realidade mudou. “Os moradores deixam de atrasar pelo fato de saber que não haverá mais morosidade na Justiça. Pode até acontecer, mas a resolução será rápida”.

De acordo com a entidade, as taxas de atraso no pagamento hoje são medianas, dentro do esperado. “Sempre haverá inadimplência, mas hoje há uma regularização. É necessário que os administradores planejem o orçamento levando em conta os prováveis atrasos”, explicou Érico.

Funcionários têm peso maior

De acordo com especialistas, há setores que aparecem como principal ponto de gastos nos condomínios, afetando diretamente no aumento da taxa cobrada. O principal deles é o setor de pessoal. “A folha de pagamento ainda é o maior peso na administração de condomínios e é preciso estar atento a alternativas que possam barateá-la”, explicou o administrador Inaldo Dantas.

Uma opção seria a adoção de portarias virtuais, que substituem ou complementam o trabalho de porteiros e seguranças. Nesse caso, além do sistema de monitoramento por câmeras, a empresa contratada é responsável por comandos como abrir e fechar portas, ascender e apagar luzes e atender o interfone de forma remota. “Isso não fragiliza a segurança e reduz os custos, já que o único funcionário que seria realmente necessário seria o de zeladoria”, explica Inaldo. De acordo com ele, o investimento vale a pena, já que reduziria em até 70% os gastos mensais.

O consumo de água aparece como segundo maior responsável pelos altos valores. Nesse caso, a dica seria o medidor de consumo individual para cada apartamento. “Os prédios mais modernos já trazem isso e os antigos podem fazer a mudança. A cobrança individual aumenta a responsabilidade dos moradores, que passam a gastar com mais consciência”, explicou o especialista. Nesse caso, foi possível verificar redução de 30% nos gastos do condomínio.

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