sábado, 19 de setembro de 2020

Economia
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Com aeroportos menos movimentados, Nordeste tem mais vantagens para uso de milhas

Érico Fabres / 11 de outubro de 2016
Foto: Arquivo/Infográfico José Flávio
O site de viagens Melhores Destinos realizou mais uma edição de sua pesquisa exclusiva sobre a emissão de passagens com milhas nos quatro grandes programas de fidelidade das companhias aéreas brasileiras. As regras dos programas estão mais complexas e a variação no preço das passagens em pontos ou milhas está cada dia maior, podendo chegar a 600% num mesmo trecho e data. A ida e volta ao Japão, praticamente uma volta ao mundo, custa até 260 mil milhas. Um trecho para voar dentro do Brasil pode custar entre 4 mil e mais de 50 mil pontos ou milhas. Partindo de João Pessoa, uma viagem pode custar entre 4 mil e 18 mil milhas, dependendo o lugar de destino do Brasil, segundo a Max Milhas. A diferença maior se dá em virtude de o Nordeste ser considerado ponto de destino e não tanto de partidas.

A variação ocorre, por um lado, porque não existe mais um valor fixo para o resgate de uma passagem nacional, como acontecia alguns anos atrás. Por outro, há uma concorrência crescente entre os programas de fidelidade, que estão se tornando empresas independentes das companhias aéreas (como já ocorreu com a Multiplus e o Smiles, as duas maiores do mercado. O TudoAzul, que deve seguir o mesmo caminho, foi considerado pela Melhores Destinos, o programa que necessita uma quantidade menor de milhas para viajar.

Para o consumidor, essas mudanças de mercado podem trazer surpresas desagradáveis na hora de usar os pontos. “Com este novo cenário, os bilhetes com pontos estão variando com a mesma velocidade que o preço das passagens aéreas tradicionais, pagas em dinheiro, o que não ocorria dois anos atrás”, observa o economista Leonardo Cassol, especialista em milhas do Melhores Destinos e responsável pelo levantamento.

Menos voos, mais milhas

Em relação ao ano de 2015, o custo médio das passagens em milhas aéreas sofreu pouca alteração nas principais cidades da Região Sul e do Sudeste. Já os passageiros que desejam viajar de ou para as principais capitais do Norte e Nordeste viram os preços das passagens em milhas aumentarem significativamente, cerca de 30% em relação ao ano passado. A principal causa é a redução da quantidade de voos para essas regiões, que diminui a quantidade de assentos disponíveis e a concorrência em algumas rotas. Além disso, a política comercial dos programas de fidelidade tenta coibir o comércio paralelo de milhas aéreas, muito comum nessas cidades, sobretaxando as passagens nas rotas de maior incidência de troca.

“Ainda assim, ter milhas pode resultar numa grande economia de dinheiro com passagens aéreas, já que as companhias aéreas costumam privilegiar os passageiros que possuem pontos nos programas de fidelidade, oferecendo opções diferenciadas de resgate, como passagens que podem ser pagas parte em pontos e parte em reais. O segredo é pesquisar e comparar as opções disponíveis!”, explica Cassol.

Bilhões de milhas desperdiçadas

O último relatório divulgado pelo Banco Central mostra que, somente em 2014, os brasileiros deixaram de resgatar 53,4 bilhões dos pontos gerados nos programas de relacionamento dos cartões de crédito, o equivalente a 24% da pontuação obtida nesse mesmo ano, que corresponde ao dobro do percentual apurado em 2010 pela mesma instituição.

Dos 992 bilhões de milhas adquiridos com cartões de crédito entre 2010 e 2014, dois terços foram destinados a passagens aéreas e bens de consumo, enquanto uma média de 17% expirou frente ao prazo de validade ou ao cancelamento do próprio cartão. Segundo os dados da Smiles a porcentagem de milhas expiradas no primeiro semestre de 2016, o percentual foi de, aproximadamente, 15,8%, em relação ao último semestre de 2015, que a porcentagem de milhas expiradas foi de 16,2% conseguimos ver uma pequena redução. Já na Multiplus, a porcentagem foi de 18% no primeiro semestre e não teve variação em relação ao último semestre de 2015.

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Um mercado próprio foi criado

Foi com o intuito de conectar os donos de milhas aéreas aqueles que desejam adquirir passagens a preços mais acessíveis que nasceu a MaxMilhas (www.maxmilhas.com.br). Em apenas três anos de operação, se tornou o maior player do segmento no Brasil e, atualmente, intermedia a compra de mais de 25 mil passagens aéreas por mês, com descontos que podem chegar até 80%. Em fevereiro, a empresa comemorou a marca de 1 bilhão de milhas aéreas negociadas em seu site. “Crescemos a cada dia e isso é fruto de um mercado em franca ascensão. Para tanto, investimos, constantemente, no aprimoramento tecnológico de nossa plataforma, assim como na capacitação profissional de toda a equipe. Hoje, somos mais de 40 no time e, até o fim do ano, devemos chegar a 60. Além disso, contamos com um portfólio robusto de destinos nacionais e internacionais, pois queremos nos tornar o principal parceiro de quem viaja e de quem tem milhas para comercializar e fazer uma renda extra”, explica o sócio-fundador, Max Oliveira.

A comercialização de milhas ocorre de forma bem simples. O usuário de todos os programas nacionais e também dos internacionais acessa o site e cadastra a oferta de milhas para venda, escolhendo o valor que desejar. Quando outra pessoa selecionar o que é oferecido, o ofertante recebe os dados para emissão da passagem. “Trata-se, portanto, de uma proposta inovadora, que ajuda a evitar o desperdício dos pontos acumulados nos programas de relacionamento dos cartões de crédito, visto que esses pontos são transformados em milhas e então monetizados por intermédio da MaxMilhas”, diz. Em três anos de operação, a empresa promoveu, aos usuários compradores, uma economia superior a R$ 60 milhões e, aos usuários vendedores, gerou uma receita equivalente a R$ 40 milhões. Para este ano, a empresa prevê comercializar, em sua plataforma, R$ 100 milhões em vendas de passagens. “Afinal, nosso sonho grande consiste em fazer com que as pessoas realizem o sonho de viajar de avião a preços mais acessíveis”, finaliza Oliveira.

O mercado de passagens aéreas cresce a cada ano no Brasil, já que, todos os dias, são emitidos em torno de 300 mil bilhetes.  No entanto, segundo relatório divulgado pelo Banco Central, em 2014 os brasileiros deixaram de resgatar 53,4 bilhões dos pontos gerados nos programas de relacionamento dos cartões de crédito, o equivalente a 24% da pontuação obtida nesse mesmo ano.

Ida e volta com 8 mil pontos

De acordo com a Max Milhas, a Avianca geralmente possui trechos a 4 mil milhas de São Paulo a Brasília, ou seja, consegue viajar ida e volta com 8 mil milhas, a Azul costuma ter voos de 5 mil milhas para vários trechos nacionais. Ou seja, ida e volta para alguns trechos podem chegar a 10 mil milhas. Já os nacionais mais caros, são do norte ao sul. Por exemplo: uma passagem de Boa Vista a Florianópolis chega a 40 mil milhas, passagem de ida, e 40 mil milhas, passagem de volta, ou seja, 80 mil milhas ida e volta.

Nos trechos internacionais, por exemplo, se a pessoa quiser passar o réveillon em Dubai, seriam necessárias 180 mil milhas para ir e voltar de São Paulo. Em alguns casos específicos, é possível encontrar voos internacionais na Etihad a 300 mil milhas somente Ida em voos de Primeira Classe.

A volta ao mundo em 260 mil milhas

Para dar uma volta ao mundo, uma viagem de São Paulo a Tóquio, em dezembro deste ano, necessitaria de 50 mil milhas para ida e 50 mil milhas para a volta, ou seja, para ir e voltar a Tóquio seriam 100.000 milhas. Esse voo na MaxMilhas sairia a R$ 3.360, aproximadamente.

No entanto, esse valor pode chegar até a 130 mil milhas. Por exemplo, uma viagem para o Japão de Belo Horizonte em novembro está custando 130 mil milhas o trecho, ou seja, um total de 260 mil milhas para dar a volta ao mundo.

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“O Brasil é muito grande, por isso as passagens que utilizam mais milhas são as que tem como destino o Nordeste e o Norte, que também possuem poucos voos. Já o mesmo não ocorre ao contrário, para o Sudeste, se utilizam menos pontos. A grande dica, na verdade, é comprar com antecedência e pesquisar promoções nos finais de semana”. Max Oliveira, diretor da Max Milhas.

Dicas dos especialistas na hora de usar pontos ou milhas aéreas

1. Fique atento a validade das milhas ou pontos. Geralmente vencem em dois anos, mesmo os que estão no cartão de crédito. Alguns programas permitem recuperar milhas vencidas, mas isso custa caro.

2. Se for transferir pontos do cartão de crédito, aguarde promoções que oferecem bônus. É possível dobrar a quantidade de milhas no momento da transferência.

3. Pesquise sempre as opções de resgate disponíveis nos principais programas, conforme a cidade de embarque, data e destino de preferência. Os preços são muito dinâmicos e variam de acordo com esses critérios, bem como de acordo com lotação do voo, antecedência de compra e concorrência na rota.

4. Procure emitir o bilhete com pontos ou milhas entre 90 e 45 dias antes da data da viagem para voos nacionais ou entre 90 e 120 dias para voos internacionais ou voos nacionais em dezembro, janeiro, julho, feriados ou datas festivas.

5. Períodos de alta temporada podem exigir 2 a 10 vezes mais pontos do que nos demais períodos. Considere comprar passagem tradicional em reais para voar nessas datas e guardar os pontos para outro momento.

6. Fins de semana se mostraram o melhor período para emitir passagens resgatadas com milhas ou pontos. Mas fique sempre atento às promoções de resgate de passagens com pontos!

7. Economize muitas milhas flexibilizando as datas e horários da viagem (embarcando numa terça ou quarta, ao invés de numa sexta, ou voando a tarde ou invés de um voo no início da manhã ou da noite), bem como pegando voos com conexão ao invés de voos diretos!

8. Passagens nacionais com pontos + dinheiro podem ser uma quando não se tem os pontos suficientes. Mas considere sempre a opção de guardar os pontos e aproveitar alguma promoção com tarifa em reais.

9. Tenha em mente que quantidade de pontos ou milhas necessários para uma passagem pode variar a qualquer momento, da mesma maneira que o bilhete tradicional.

10. Acompanhe as promoções de milhas, transferências de pontos e de passagens aéreas que podem gerar economias de até 80%.

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Compras e vendas de milhas



  • Para trocar uma passagem, em 2015, cada mil milhas equivaliam a um ‘bônus’ de R$ 50 na Gol; R$ 60 na Azul; R$ 90 na Tam (agora Latam); e R$ 100 na Avianca.


  • Já para venda entre usuários da Max Milhas as mesmas mil milhas custam R$ 21 a 22 da Azul; R$ 24 a R$ 25 da Gol; R$ 27 a R$ 28 da Latam; R$ 35 a 40 da Avianca.


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