sábado, 08 de maio de 2021

Economia
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Chinelos, frutas e minérios produzidos na Paraíba ganham o mundo

Arthur Araújo / 30 de setembro de 2018
Muitos produtos que fazem parte das tradições paraibanas têm ganhado o gosto do mundo e garantido emprego e renda para a população do Estado. É o caso das redes, artigos em couro e também da cachaça, além de frutas locais como o mamão, abacaxi e coco.

A Paraíba exportou, de janeiro a agosto de 2018, 92 produtos diferentes. A lista inclui desde os famosos chinelos de borracha, que movimentam sozinhos um valor de quase 28 milhões de dólares, até móveis de metal e bobinas para papel e tecidos, que ainda não chegam a trazer lucro superior a 10 dólares.

Entre os produtos paraibanos que estão chegando a outros países estão alguns tradicionais da cultura paraibana. Eles não representam um grande percentual das exportações do Estado, mas geram emprego e levam o nome da Paraíba para longe. Um desses produtos é a cachaça ou a caninha. Típico da região do brejo paraibano, a aguardente tem chegado a países como os Estados Unidos, rendendo um total de 14,5 mil dólares este ano.

Uma das empresas que exportam o produto é o Engenho São Paulo, localizado no município de Cruz do Espírito Santo. Empregando cerca de 400 pessoas desde o cultivo da cana até a produção da cachaça, a empresa começa a desbravar o mercado internacional, para onde destina hoje 1% da produção. “A exportação acontece a granel pelo fato de não termos a garrafa padrão aqui. Dessa forma, o envasamento é feito nos Estados Unidos, onde a cachaça também é vendida”, explicou o sócio-diretor do engenho Múcio Fernandes.

De acordo com Fernandes, 48 mil litros das cachaças São Paulo e Cigana serão exportados em 2018. Para o futuro. A mira é a Europa. O Engenho trabalha no desenvolvimento de uma embalagem que atenda o mercado estrangeiro e já abriu diálogos com interessados na Espanha, Portugal e França.

Os produtos artesanais em tecido ou couro também ganharam outros ares. As redes largam na frente, seja aquelas de malhas com nós ou outras confeccionadas com materiais sintéticos e artificiais. Juntas, movimentaram 22,7 mil dólares de janeiro a agosto. Cobertores e mantas de algodão aumentam esse volume, ainda que timidamente. São responsáveis por pouco mais de mil dólares. O couro também começa a despontar nesse cenário, seja natural ou reconstituído. Peças de vestuário com esse material som 618 dólares em exportação.

Agropecuária está em evidência

A agropecuária também rende produtos que saem da Paraíba para o exterior. O principal deles é o algodão, que na Paraíba também vem colorido. O Estado exporta quase 1,4 milhão de quilogramas líquidas de fios de algodão simples, de fibras penteadas, movimentando quase 4,9 milhões de dólares nos últimos oito meses.

Mamões, abacaxis e coco são outros frutos da terra que são exportados, principalmente para países da Europa. O primeiro, com produção de destaque na cidade de Mamangupe, é o quarto produto mais exportado da Paraíba, somando pouco mais de 4,4 milhões de dólares este ano. Os abacaxis, frescos, secos ou preparados e conservados, conseguiram faturar 111 mil dólares no ano, enquanto o coco apurou pouco mais de 30 mil dólares.

A empresa Doce Mel, com sede em Mamanguape, é uma das principais exportadoras de frutas do Estado. O carro chefe das vendas ao exterior é o mamão, que pode ser tanto do tipo Papaya Golden quanto do Formosa, como informou o responsável por vendas externas, Eduardo Nunes. Só em 2017, 3,6 mil toneladas de mamões paraibanos foram vendidos para Portugal, Espanha, França, Holanda, Itália, Suíça e Alemanha, o que corresponde a quase 60% da produção da empresa.

Em 2018, já foram vendidas 2,8 mil toneladas para países estrangeiros. “A expectativa é superar as vendas do ano passado”, revelou Nunes. Um incentivo para o aumento das vendas será a incorporação de mais um produto nesse catálogo: o abacaxi gold. “O produto foi muito bem recebido, então vamos nos planejar para garantir uma produção continuada”, explicou. Atualmente, a empresa emprega cerca de 500 funcionários.

Até produtos não tão comuns

Se muitos produtos que fazem parte da cultura e dos hábitos paraibanos fazem parte da lista de exportações do Estado, há outros itens que muitos paraibanos talvez nem imaginem que são produzidos no Estado. É o caso de esquis aquáticos, pedras preciosas.

O famoso ‘sargaço’, que atrapalha o banho na praiatambém tem uso comercial, saindo das areias paraibanas e ganhando países pelo mundo. O que se exporta, na verdade, é o agar-agar, produto feito a partir de algas vermelhas. Ele é exportado em pó, sendo utilizado principalmente por empresas do ramo alimentício para a fabricação de doces, geléias, pudins e embutidos. Outra forma de venda da alga é in natura.

Mineração

Pedras preciosas ou semipreciosas também estão na lista de exportações paraibanas, movimentando mais de 170 mil dólares só este ano.

A mineração paraibana ainda exporta cerca de 1,5 milhão de quilogramas liquidas de quartzo - matéria-prima utilizada na fabricação de jóias e na industrias de computadores e eletrônico, entre outras - e 94 mil de bentonita, mistura de argilas que é empregada na produção de cimento, papel e medicamentos.

Partes de aves saem para a Áfria e a Ásia

Em relação a produção granjeira,  há mercados para miudezas e partes menos nobres. É o caso dos pés de frango, do meio da asa (sem as pontas) e até das cartilagens do joelho. Uma das empresas que fornecem estes e outros cortes é a Guaraves, com sede em Guarabira. Os produtos chegam a Hong Kong, Japão, Angola, Suriname, Mianmar e Haiti.

No total, a Paraíba exporta quase 800 mil quilogramas líquidos de miudezas comestíveis de galos e galinhas, movimentando quase 750 mil dólares por ano. A Guaraves, por exemplo, exporta 150 toneladas de pedaços de frango por ano (5% de toda a sua produção).

De acordo com o supervisor comercial e de operação logística da empresa, Moisés Carvalho, em agosto, a empresa exportou mais que em todo o ano de 2017. Para 2019, a meta é dobrar as vendas internacionais, chegando a 300 toneladas vendidas.

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