terça, 26 de janeiro de 2021

Economia
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Cervejeiros entrarão no Simples: Expectativa é de que 400 empresas sejam beneficiadas

Érico Fabres / 12 de fevereiro de 2017
Foto: Assessoria
São dois os principais empecilhos para que o mercado se abra para uma cerveja artesanal legitimamente paraibana: o valor dos impostos cobrados para que a comercialização das bebidas seja feita e também o valor mais alto do produto. O lema beba menos e beba melhor é ainda restrito a poucas pessoas, em especial quem faz do ato de beber não somente um prazer, mas também um estilo de vida.

São muitos aqueles que produzem a cerveja, porém nenhum cervejeiro do Estado (junto com o Maranhão, os únicos que não possuem um rótulo comercializável) possui autorização no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) para vender. O ingresso das microcervejarias no Simples pode mudar a situação, a expectativa é que pelo menos 400 novas empresas sejam beneficiadas no Brasil.

A estimativa é de que o Simples reduza cerca de 32% da carga tributária do setor de bebidas alcoólicas. O Brasil é hoje o terceiro maior mercado consumidor de cerveja do mundo, no entanto, as microcervejarias (cerca de 400 espalhadas pelo país) correspondem a apenas 0,15% do market share nacional.  A previsão é que dentro de 10 anos esse percentual suba para 2%. A falta de um rótulo comercializável legitimamente paraibano está atraindo cervejarias pernambucanas para João Pessoa e Campina Grande, principalmente.

O sucesso das cervejas artesanais microcervejarias é tanto que a poderosa Ambev, líder do segmento, agitou as rodas de conversa dos amantes de cerveja ao anunciar um acordo de produção com a Wals, microcervejaria brasileira fundada em 1999 que faturou cerca de R$ 3,16 milhões no ano de 2014, além de títulos de melhor cerveja do mundo.

Impostos encarecem

O maior desafio do segmento é o alto valor necessário para a produção. Cerca de 50% dos custos envolvidos no processo correspondem aos impostos. Além do problema em relação aos investimentos necessários, a barreira do preço enfraquece o mercado nacional por causa das artesanais importadas, que não param de chegar ao país.

Nos números recentes, de 2016, eram 5.254 produtos de cervejarias registrados no Mapa, distribuídos em cerca de 80 tipos diferentes de cerveja.

O Mapa concede o registro aos produtores, padronizadores, envasadores, importadores, exportadores e atacadistas. Além disso, o ministério é responsável pelo controle da qualidade das cervejas importadas e das produzidas em solo nacional. Segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, somente em 2014 a produção de cervejas chegou a 1,4 bilhões de litros, e o setor empregou 2,2 milhões de pessoas.

Público está cada vez mais sedento

Setor que atrai um público cada vez mais sedento por sabores diferenciados, as microcervejarias artesanais foram alvo de um estudo do Sebrae que identifica oportunidades e características desse ramo de atuação. O levantamento inclui orientações e aspectos do processo produtivo, maquinário, embalagens e exemplos de boas práticas.

A partir de 2018, essas empresas poderão ser incluídas entre as beneficiadas pelo Simples Nacional, um regime que garante tratamento tributário diferenciado para pequenos negócios.

A inclusão desse segmento no Simples foi garantida com a Lei Complementar nº 155/2016, sancionada em outubro e mais conhecida como Crescer sem Medo. “Quem se preparar para atender seu público com mais qualidade e produtos diferenciados estará preparado para crescer muito mais no mercado, aproveitando uma tendência mundial de interesse por esses produtos”, destaca o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos.

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