domingo, 09 de maio de 2021

Economia
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Casas sustentadas por aposentados aumentam 12% em todo o Brasil

Redação / 07 de agosto de 2018
Foto: Reprodução
Os lares brasileiros que dependem do dinheiro dos aposentados estão em ascensão. Em um ano, a parcela de casas em que mais de 75% do ganho mensal vem de idosos subiu 12%, de 5,1 milhões para 5,7 milhões. Os dados foram elaborados pela LCA Consultores, com base na Pnad Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o instituto, desde 2016 há uma forte tendência de crescimento dos domicílios cuja principal fonte de renda são aposentadorias e pensões.

Aos 72 anos, o aposentado José da Cruz Pereira é responsável por pagar todas as contas de sua casa. Apesar de morar com uma filha de 37 anos, e três netos, de 11, 18 e 19 anos, ele é o único que possui renda fixa.

Para arcar com as despesas, além do salário mínimo que recebe do INSS, o aposentado se mantém no mercado de trabalho. Ele complementa a renda com a venda de álbuns de formatura. “Eu gosto de trabalhar, por enquanto não penso em parar.”

O engenheiro Eloi Gallego, de 71 anos, se preparou por quatro décadas para a aposentadoria. Seu objetivo era aproveitar o tempo livre para fazer viagens com a esposa. Porém, quando sua filha e seu genro ficaram desempregados, Gallego assumiu todas as despesas familiares. “Como eu decidi não deixá-los perder a qualidade de vida que tinham, as contas aumentaram. Agora é necessário fazer economias na rotina”, diz o aposentado.

Desvalorização do dinheiro

Para Thiago Luchin, advogado especialista em direito previdenciário, o principal risco das famílias contarem apenas com a aposentadoria é a desvalorização do dinheiro. “Com o tempo, o poder aquisitivo diminui. Como o reajuste é baixo, a cada mês o dinheiro vale menos”.

Os reflexos da crise econômica e a alta taxa de desemprego são aspectos que explicam o aumento da dependência da aposentadoria nas famílias.

Rogério Nagamine, especialista em gestão pública e governamental do Ipea (instituto de pesquisa econômica), diz que mudanças estruturais da sociedade também impactam. “O aumento da participação de idosos, aposentados e pensionistas na população está crescendo e isso interfere totalmente na economia.”

Ele alerta para os riscos econômicos. “No Brasil, a população ativa é quem financia a aposentadoria. Sem essas pessoas no mercado de trabalho, os problemas da Previdência vão perder ainda mais o controle.”

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