terça, 20 de abril de 2021

Economia
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Casais planejam festa de casamento, mas esquecem orçamento doméstico

Ellyka Gomes / 11 de novembro de 2018
Foto: Assuero Lima
Os casais planejam a festa de casamento durante meses, mas nem sempre programam com detalhes o futuro orçamento doméstico. Se para muitos jovens adultos já é um desafio manter os gastos pessoais no azul, imagina começar a administrar as contas familiares? Os especialistas ouvidos pelo jornal CORREIO ressaltaram que planejar o orçamento financeiro antes de ir morar junto é fundamental para evitar começar a nova fase com dívidas.

O contador e consultor financeiro Roberto Barbosa, especialista em finanças pessoais, explicou que o planejamento do orçamento familiar deve começar pela elaboração de um diagnóstico financeiro. “Some os salários do casal e analise o quanto as dívidas adquiridas antes do casamento, como cartão de crédito, empréstimos, financiamentos impactam nesses rendimentos”, destacou. Segundo ele, os casais costumam contabilizar as futuras despesas e esquecem que os gastos individuais contraídos já consomem uma parte dos rendimentos.

Em seguida o casal deve traçar metas e sonhos, individuais e em conjunto, antes mesmo de preparar o orçamento das despesas mensais fixas. “É um erro não incluir metas e sonhos, como viagem, troca de carro, filho... Esses objetivos devem fazer parte do orçamento familiar, para que se estabeleça um compromisso a fim de concretizá-los”, enfatizou.

Só depois o casal deve começar a preparar um orçamento para manutenção dos gastos mensais, como as contas de água, luz, internet, alimentação etc. “A organização é primordial para a economia doméstica, pois quando se sabe o quanto se ganha e o quanto se gasta, maior controle sobre a situação financeira”, comentou. Também é importante que o casal programe uma reserva financeira de emergência.

Hora de escolher onde morar

Comprar ou alugar um imóvel? Juntar dinheiro e comprar os móveis essenciais de uma só vez ou aproveitar promoções e ir estocando os produtos na casa dos pais? Essas são algumas dúvidas que permeiam as cabeças dos casais que estão planejando um casamento.

O corretor Alexei Garcia, que atua no mercado imobiliário de João Pessoa há mais de 25 anos, recomendou que, para decidir entre comprar ou alugar um imóvel, o casal deve avaliar o custo do aluguel na área em que pretende morar e simular o financiamento de uma casa ou apartamento na mesma região. “Às vezes, a diferença entre um e outro é R$ 300. Então, dependendo da localidade, vale mais a pena comprar um imóvel, porque o casal estará investindo o dinheiro em um patrimônio”, explicou.

Garcia ressaltou que a recessão econômica que afetou o Brasil em 2015 e 2016 ainda está impactando o setor imobiliário de João Pessoa, por isso os preços, tanto para locação para compra de imóveis, estão abaixo média de mercado. Os inquilinos que pagam aluguel em dia estão escassos. Por isso, o mercado tem apresentado boas ofertas para quem quer alugar. Ao mesmo tempo, as construtoras estão tentando recuperar os índices perdidos em virtude da crise e também estão oferecendo boas condições para quem quer comprar imóvel”, revelou.

A designer de interiores Wanessa Gomes e o consultor financeiro Roberto Barbosa afirmaram que o ideal é que o casal poupe dinheiro e compre os móveis essenciais quando souber onde vai morar. “Comprar móveis grandes para ambientes pequenos é um erro corriqueiro. Com a compactação dos ambientes, o mais importante é conferir medidas antes de comprar os móveis”, comentou a Wanessa Gomes. “Se o casal planejar e pesquisar preços, vai conseguir bons descontos na compra à vista”, destacou Roberto Barbosa.

A designer de interiores lembrou ainda que, guardando dinheiro para comprar os móveis todos de uma vez, o casal consegue garantir uma padronização dos ambientes.

Finanças são motivo de brigas de casais

Cinco em cada dez brasileiros afirmaram que já brigaram com a esposa ou o marido por causa de dinheiro, sendo que essa é uma atitude que acontece com frequência em 9% dos lares. O principal motivo das brigas é o fato do cônjuge gastar além das condições financeiras (46%). A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, ressaltou que o casamento é um exercício complexo e que cada casal deve encontrar o melhor arranjo para a realidade sobre os gastos pessoais e da família.

“Viver de forma saudável com outra pessoa requer compartilhar sonhos, expectativas e planos diversos, sem, necessariamente, ter de abrir mão de certo grau de individualidade”, comentou. A advogada Tainá Borges, de 27 anos, e o empresário Tiago de Almeida, de 28, estão casados há pouco mais de dois meses. Eles contaram que, assim que decidiram marcar a data do casamento, começaram a colocar na ponta do lápis os principais gastos que teriam depois de casados.

“Acredito que a maior preocupação de todo casal é com as contas fixas, como água, energia, supermercado, seguro de carro, gasolina etc. A gente procurou estabelecer uma média de valores, para avaliar se nossos rendimentos iriam cobrir essas despesas”, explicou Tainá. Eles usaram planilhas de orçamento doméstico disponíveis na internet para fazer os cálculos. “Os gastos fixos não foram problemas”, ressaltou Tiago.

“Nosso erro foi nunca considerar os gastos extras, como serviços com eletricista, encanador e até eventuais presentes de aniversário de familiares e amigos”, acrescentou. “Quando se é solteiro, você tem o seu salário para suprir suas necessidades pessoais. Mas ao casar, até a compra de uma roupa precisa ser ajustada dentro do orçamento familiar, então é algo que requer adaptação”, destacou Tainá.

Roberto Barbosa comentou que é um erro bastante comum dos casais não acrescentar no orçamento os gastos extras. Por isso, a primeira dica do especialista é: tenha uma reserva financeira adicional para o início da vida a dois. “Esse dinheiro poderá cobrir imprevistos, como eventuais reformas”, destacou. Em relação aos gastos com presentes, o consultor indicou que o casal estipule um teto para esse tipo de despesa.

 

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