domingo, 16 de maio de 2021

Economia
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Carro fica sem financiamento e revendedoras têm prejuízo de R$ 2,1 milhões

Fábio Cardoso / 11 de novembro de 2016
Foto: Divulgação
O comércio de revendas de carros novos e usados está parado na Paraíba. O consumidor que quiser comprar um carro desde segunda-feira só leva o produto se pagar à vista, pois todo o setor de financiamento está apenas segurando a documentação mas não conclui  a venda. O prejuízo diário, segundo o Sindicato do Comércio de Veículos Seminovos (Sinvep) de João Pessoa, é superior a R$ 200 mil, já que desde segunda-feira nenhum contrato de venda de veículos foi fechado, apenas agendado. Na semana, esse prejuízo pode chegar a R$ 1 milhão.

A paralisação na venda de veículos começou, segundo o setor, após a troca da empresa que libera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), necessário para ser utilizado como garantia quando o automóvel não foi todo quitado. Por determinação do Detran da Paraíba, a Cetip, empresa que prestava o serviço, foi substituída pela Sicredi, mudança que, segundo o Sinvep não foi aceita pela diretoria da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos).

Com a recusa da troca, segundo os revendedores de carros, o documento do gravame deixou de ser liberado, o que impede a conclusão da compra por meio de financiamento, assim como o próprio emplacamento de veículo. Há um temor que, por recém ter sido constituída, a nova empresa não dê conta da demanda e prejudique revendedoras e consumidores.

Enilson Sales, conselheiro da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), disse que o setor já começa a ser prejudicado, pois isso irá dificultar a venda de veículos.

A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) foi notificada pelo Detran-PB da substituição da Cetip por uma cooperação técnica com o Instituto Brasil Cidade/Bunkerteck, afirmando que não haverá perda para os clientes paraibanos que precisarem comprar um carro financiado, apesar da alegação feita que as instituições financeiras poderão negar o serviço.

Sem comunicação

A Cetip, através de sua assessoria, afirmou que não foi consultada pelo Detran-PB para a mudança e que teme que a medida adotada pelo órgão seja prejudicial ao próprio Governo do Estado, já que com os financiamentos parados, não há arrecadação de ICMS sobre os veículos parcelados, justamente em um período quando se espera uma retomada do crescimento nas vendas em virtude do final do ano e 13º salário, já que é algo corriqueiro.

De acordo com a assessoria, são cerca de 300 veículos leves negociados por semana, em um valor mínimo de R$ 40 mil, com 18% destinados ao pagamento de ICMS (R$ 7,2 mil), o que totalizaria um valor de R$ 2,1 milhões por semana.

A empresa se defende das acusações de monopólio, afirmando que foi criada há 30 anos por necessidade do Governo Federal e instituições financeiras justamente para ter uma base de dados integrada nacionalmente, evitando assim fraudes, o que era comum antes do sistema de gravames.

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