sexta, 15 de janeiro de 2021

Economia
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Brasileiro quer mais qualificação, mas desemprego dificulta aperfeiçoamento

Érico Fabres / 23 de abril de 2017
Foto: Divulgação
Os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, divulgados final de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram um grande desejo dos brasileiros por qualificação profissional e a valorização desse tipo de formação no país.

Porém, de acordo com Adênio Neto, coordenador do Sine-JP, a procura não é tão grande em virtude do desempregado não frequentar um curso de longa duração em função dos gastos com transporte e do empregado por achar que não necessita pelo fato de já ter um trabalho.

Na pesquisa, mais de 40,2 milhões de pessoas disseram ter interesse nesse tipo de formação e acreditam que a educação profissional é o caminho mais rápido para inserção dos jovens no mercado de trabalho.

Em 2014, apenas 2,2% das pessoas de 15 anos ou mais (3,4 milhões) estavam frequentando cursos de capacitação profissional, mais acessíveis à população, uma vez que muitos desses cursos independem de uma escolaridade prévia para sua realização.

Em 2014, dos 7,3 milhões de estudantes do ensino superior brasileiro, 477 mil (6,6%) estavam cursando a graduação tecnológica.

Inserção mais rápida no mercado. “Seguramente, a educação profissional é o caminho mais rápido para a inserção dos jovens no mercado de trabalho e para a recolocação dos trabalhadores que ficam desempregados. Os resultados da pesquisa apontam que a população brasileira tem clareza da importância desse tipo de formação e tem o desejo de se qualificar para o mercado de trabalho”, afirma o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi.

Pronatec é reforçado

Para Lucchesi, a pesquisa do IBGE reforça ainda a importância do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec), instituído em 2011, e da necessidade da maior oferta de vagas em cursos de educação profissional. “O Pronatec tem um papel decisivo na ampliação de vagas em cursos de educação profissional. Foi um programa muito bem sucedido, estabeleceu um grande contingente de pessoas interessadas na educação profissional, colocou esse tema na discussão, foi um tema tratado pela mídia e que teve um êxito muito grande”, avalia.

Fundamental. O diretor-geral do Senai defende que a continuidade do programa é uma necessidade do país. “Trata-se de um dos maiores programas de educação profissional do mundo e seguramente a maior iniciativa de um programa de educação profissional na história brasileira. O programa prossegue com alguns ajustes e mudanças no atual governo e tem um papel importante na agenda de gerar oportunidades à juventude”, afirma.

Lucchesi também explica que o Brasil precisa investir em educação profissional para corrigir distorções na matriz educacional brasileira, que possui baixo contingente de pessoas com formação técnica, ao contrário do que ocorre na maioria dos países desenvolvidos. Na Europa, em média, 50% dos estudantes fazem o ensino médio junto com educação profissional enquanto, no Brasil, são cerca de 10%.

Válvula de escape

Embora o paraibano pareça se interessar por uma qualificação, muitos preferem ter um diploma como uma válvula de escape, caso a profissão não dê certo. Para o vendedor Daguivan Oliveira Formiga, é sempre importante saber lidar melhor com o público, se qualificar em todos os sentidos, tanto que já realizou curso de vendas online, porém preferiu pagar por uma qualificação em outra área, para ter uma segunda opção, está fazendo aulas de técnico em radiologia.

Já a jovem Ingrid Freire de Alcântara, que está desempregada há cerca de seis meses, está inscrita no ensino superior em administração. Ela disse que até faria algum curso de qualificação na área que costumava atuar no mercado de trabalho, de auxiliar administrativa, porém precisa ser gratuito.

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