quinta, 06 de maio de 2021

Economia
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Brasileiro desperdiça R$ 2,3 bilhões com alimentos jogados no lixo

Ellyka Gomes / 23 de setembro de 2018
Foto: Assuero Lima
Mercadorias danificadas por clientes e funcionários, produtos vencidos e armazenamento inadequado de alimentos geraram um prejuízo de R$ 2,3 bilhões para o varejo supermercadista em 2017. Essas são as principais causa de quebra operacional, que foi responsável pela maior parte (36%) das perdas do setor no ano passado. As informações fazem parte da 18ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro de Supermercados.

Frutas, legumes e verduras foram os produtos desperdiçados que mais impactaram sob o faturamento bruto do setor. Essas mercadorias, juntas, causaram um estrago de R$ 382 milhões. Depois os itens com os maiores índices de perdas são: as comidas prontas, que representaram um impacto de 5,49% ou R$ 351 milhões sob o faturamento bruto supermercadista; e peixaria, com 5,39% ou R$ 344 milhões.

A 18ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro de Supermercados foi produzida pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA/Provar). O objetivo da pesquisa é apresentar a situação anual do setor em relação às perdas; compartilhar os processos de combate e prevenção utilizados pelas empresas e conscientizar os empresários sobre a importância do investimento em programas e técnicas que diminuam o impacto das perdas no varejo supermercadista brasileiro.

A circulação das informações tem ajudado o setor a reduzir o índice de perdas sobre o faturamento bruto. Em 2017, o indicador ficou em 1,82%, o menor dos últimos cinco anos. Em contrapartida, o percentual de empresas que adotaram área de Prevenção de Perdas (PP) aumentou 11,48% no mesmo período. Em 2017, 32% dos empresários disseram que ainda não instalaram a divisão de PP em seu estabelecimento, porque não têm recursos financeiros suficientes para o investimento.

Ações para evitar perdas



O superintendente e coordenador do Programa de Rastreabilidade e Monitoramento de Alimentos da Abras, Márcio Milan, explicou que as frutas, legumes e verduras lideram as perdas e desperdícios do setor porque exigem maiores esforços para comercialização, como manuseio mínimo, embalagens adequadas ao consumo, transporte e maior controle na validade. “A Abras tem o Comitê de Prevenção de Perdas e Desperdício de Alimentos, que realiza reuniões bimestrais com o intuito de trocar informações e buscar novas soluções para a área”, revelou Milan.

Segundo ele, para lidar com este desafio, as estratégias adotadas para prevenir as perdas no setor se concentram, principalmente, nos treinamentos de colaboradores; nos processos mais cuidadosos na seleção dos funcionários; na definição de metas com controles de planos de ações; e na comunicação constante sobre os resultados e recursos tecnológicos (alarmes de acesso, coletor de dados para realização de inventário, solução de monitoramento de frente de caixa).

Como exemplo de ações pontuais adotadas pelas empresas no combate e prevenção das perdas, Milan citou que há supermercados que adotaram a campanha de venda dos “produtos únicos” - que apresentam algum tipo de deformação em sua estrutura. “Esses produtos têm formato exclusivo e 100% de qualidade. São únicos na natureza. Temos exemplos de empresas que estão ofertando essas mercadorias com criatividade e preço atrativo ao consumidor”, comentou.

Já os alimentos que não são bonitos comercialmente, mas que guardam nutrientes em sua composição, são transformados em salada de frutas, reaproveitados nos refeitórios das próprias empresas ou doados para ONGs e instituições como o Serviço Social do Comércio (Sesc), que conta com o Programa da Mesa Brasil (rede nacional de banco de alimentos contra a fome e o desperdício).

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