quarta, 03 de março de 2021

Economia
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Aumento de combustíveis causa efeitos negativos não só para quem tem carro

Érico Fabres / 22 de julho de 2017
Foto: Divulgação
O aumento no preço dos combustíveis não irá causar efeitos negativos apenas para quem tem carro. Toda a cadeia produtiva depende de transporte. Seja o trabalhador que precisa pegar um ônibus ou um motorista que realiza o frete de alimentos ou produtos. Por muito tempo, o empresariado até segurou um pouco o reajuste de valores no preço final ao consumidor, porém com a queda da inflação, a tendência é que o povo ‘pague a conta’.

Para Paulo Amaral, presidente da Associação Brasileira de Bares Restaurantes e Similares (Abrasel-PB), o preço dos combustíveis está diretamente ligado ao custo dos fretes e, consequentemente, ao preço dos produtos que são transportados, isso vale para todas as mercadorias. “Todos os produtos e demais componentes do setor de alimentação, tais como: embalagens, produtos de limpeza, descartáveis e insumos, que incidem na cadeia produtiva da alimentação fora do lar deverá sofrer pressão nos preços, para cima, por conta do aumento no preço dos fretes desses produtos. Teremos que aguardar para vermos o tamanho desse aumento, em consequência do aumento dos impostos que incidem nos combustíveis”, diz.

Para José Willame de Araújo, presidente da Associação Paraibana de Supermercados (ASPB), como a logística nacional é praticamente toda rodoviária, é natural que os custos sejam repassados, porém pode demorar um pouco para isso acontecer porque até mesmo os postos estão receosos em repassar os custos.

De acordo com o economista Celso Pinto Mangueira, como os custos dos combustíveis estavam apresentando uma constante queda, a arrecadação de impostos também diminuía, por isso a escolha do PIS/Cofins para aumentar os tributos. Para ele, o mercado pode absorver esse reajuste que terá consequências iniciais no empresário, que não deve incorporar todo o aumento para não perder consumo e, consequentemente, ter também que cortar gastos, que causaria o desemprego, no que ele considera um ciclo vicioso que estava começando a se tornar virtuoso.

Para Mangueira, a melhora da economia deve estagnar por um tempo com a elevação dos tributos, mas não que vá afetar tanto a inflação, já que não é interessante para ninguém. “Tudo vai depender da planilha de custos das empresas, safra no caso da alimentação, e também de negociação dos municípios no caso de reajuste dos ônibus, o que é o que mais sofreria o impacto em virtude da grande utilização de combustível, que é a maior parte dos custos das empresas. Toda elevação impacta e faz retroagir, não estamos tão bem, mas melhor que antes”, diz.

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