sexta, 18 de setembro de 2020

Economia
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Alta do dólar afeta vida do cidadão e deixa paraibano mais pobre e sem poder de compra

Luana Barros / 23 de setembro de 2015
Foto: Luana Barros
A comerciante Patrícia Freire nunca viu uma nota de um dólar, nem sequer sabe quanto está custando a moeda americana no Brasil, mas ela também vai pagar a conta sobre o aumento registrado nos últimos dias. Nesta quarta-feira (22) o dólar chegou a R$ 4,14, a maior alta desde a criação do plano real, e isso será sentido por todos os paraibanos. Isso porque, assim como está ocorrendo com Patrícia que viu a elevação refletir na sua mesa e na sua venda, todos sentirão os respingos dessa valorização da moeda, que atingirão desde o pãozinho até os temperos vendidos pela comerciante.

"Nunca vi uma nota de dólar mas já sinto o peso na hora de comprar meus produtos para revender. O alho, o boldo, o cravo e a pimenta são os que mais subiram de preço, porque eles são produtos importados. E na hora de revender os clientes, na maioria das vezes, não compram, falando que está muito alto o preço’’, conta.

Patrícia revelou que há dois meses comprava uma caixa de alho ao preço de R$ 85 e agora o valor subiu para R$ 135. O cravo, comprado da Argentina, que antes custava R$ 22, agora está por R$ 45. Já o alho branco - importado da China - passou de R$ 85 para R$ 140.

A economista Zélia Almeida explicou que os sintomas da desvalorização do real com relação ao dólar vai afetar a todos os cidadãos, mesmo aqueles que moram nos recantos mais distantes do Estado: "Afeta o Brasil por inteiro. O real em relação ao dólar, encontra-se muito desvalorizado, porque muitas matérias primas são importadas como: produtos alimentícios, artefatos e tecnológicos. Então prejudica aquele cidadão que compra para consumo e ao que compra para revender", disse.

Zélia acrescentou que o fato do dólar está subindo acaba afetando, também, os produtos nacionais. "Os produtos importados aumentam e os nacionais também seguem o mesmo ritmo, porque alguns fabricantes 'pegam carona' no momento e acabam subindo os valores daquilo que nem tem a ver com o dólar", finalizou.

E na zona rural...

Nem mesmo quem mora em lugares longes como a zona rural dos municípios do interior irão escapar do problema, segundo o economista Martinho Campos. "Quem mora na zona rural, ou seja, aquele produtor rural que depende de fertilizantes importados e outros insumos também a ser adquiridos no mercado externo terá um aumento de custo razoável em termos de sua produção agrícola ou pecuária, o que poderá acarretar queda nas vendas e, consequentemente no seu lucro, levando-o a ter que haver-se com os bancos que lhe emprestaram dinheiro para o seu investimento rural", explicou.

Martinho Campos aponta os locais mais problemáticos. "Os investimentos em equipamentos, máquinas etc que têm de ser importados, por não haver similares nacionais, evidentemente tornam-se mais caros e poderão ter seus projetos adiados ou reformulados para conformar-se à nova realidade do câmbio. Quem tem dívidas em dólar, por sua vez, terá que correr para saldá-las rapidamente, até com a venda de algum patrimônio, para evitar que ela cresça de modo intolerável. Enfim, toda a dinâmica econômica do país será afetada fortemente", falou.

 

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