domingo, 17 de janeiro de 2021

Drogas
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Grande JP está dividida entre traficantes que matam e outros que só lucram

Ainoã Geminiano / 21 de janeiro de 2018
Foto: Arte/ Correio da Paraíba
Existe atividade do tráfico de drogas em todos os bairros da Grande João Pessoa, mas alguns concentram maior número traficantes e consequentes ações policiais.

As investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) também revelam que as áreas da Capital apresentam dois tipos de tráfico. Um deles é apenas venda da droga. Já o outro, provoca em sua volta muita violência, tiroteios e assassinatos, que atinge inclusive pessoas que nada tem a ver com o crime. A venda de droga também já oficializou a ação do chamado 'crime organizado' em João Pessoa, que já tem engrenagem e faturamento de dar inveja a muitas empresas de grande porte.

Os levantamentos feitos pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes já identificaram traficantes que, sozinhos, colocam uma tonelada de droga por semana dentro de João Pessoa. Por aqui, existem bandidos que atuam como 'empresários do tráfico', que chegam a faturar mais de R$ 1 milhão por semana.

Segundo a polícia, embora ainda existam guerras localizadas por áreas mais rentáveis, os chefes do trafico de João Pessoa estão adquirindo a mentalidade de gestão organizada do crime buscando pacificação com rivais e até parcerias, em nome da lucratividade.

Foco em nove bairros

Em 2017, mais de uma centena e meia de pessoas foram presas por tráfico, resultado das investigações feitas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O ano foi dividido em duas fases, sendo o primeiro semestre dedicado à continuidade das investigações sobre venda de drogas e o segundo, com foco na prisão de traficantes que matam e ordenam assassinatos na Capital, além de apreensão de drogas. No segundo semestre houve a explosão de drogas sintéticas.

Oito bairros ou comunidades de João Pessoa e um de Bayeux, na Região Metropolitana, se destacaram pela quantidade de ações da DRE. Três dessas comunidades foram muito visitadas pela polícia ao longo de todo o ano, por conta de uma guerra de gangues, que provocou um banho de sangue na zona Oeste da cidade.

Tudo começou quando bandidos da comunidade do Taipa, no Costa e Silva, tomou o território da comunidade dos Sem Terra, no mesmo bairro, que era ocupada por traficantes da comunidade Maria de Nazaré, no Grotão. A ação teve reviravolta e a gangue do Grotão retomou a Sem Terra, tudo isso em meio a vários assassinatos e pessoas feridas a bala.

“Toda essa guerra tem como pano de fundo a posse de uma área que se tornou bastante rentável para os traficantes. O interesse financeiro dos chefes se soma à rivalidade de seus liderados, por conta de divergências entre facções criminosas. Na investigação chegamos a três homens que representam o braço bélico desse grupo que comanda o tráfico na Maria de Nazaré e Sem Terra. Na operação conseguimos prendê-los em flagrante por porte ilegal de armas”, disse o delegado Braz Morrone, da DRE.

Do flagrante feito pela DRE, por porte ilegal de armas, os três acusados conseguiram liberdade na audiência de custódia, após pagamento de fiança.

“Um mês depois eles tiveram que comparecer na audiência de instrução do processo e, ao final da sessão, nossa equipe estava no lado de fora da sala e recebeu de outra Vara um mandado de prisão contra os três, pelos assassinatos que cometeram. Quando iam saindo da audiência demos voz de prisão e os levamos para o presídio”, contou o delegado.

Altiplano e Bessa: droga classe A

Sem guerras de gangues e sem assassinatos, dois bairros nobres de João Pessoa também estiveram na mira da DRE, estes pelo aquecimento do comércio de drogas sintéticas, puxado pelas festas do segundo semestres de 2017. No Altiplano e no Bessa, a Delegacia apreendeu quase 4 mil unidades, entre comprimidos, cartelas e outros modelos de preparação das drogas.

Zonas de comércio. Não existe uma ou outra característica que favoreça ou atrapalhe a venda de drogas em regiões da Capital. De acordo com as investigações da DRE, o tráfico se instala em qualquer ponto da cidade, graças as estratégias de camuflagem das bocas de fumo, que já não seguem aqueles padrões antigos de serem lugares sombrios, ermos. A venda de drogas acontece em qualquer esquina. Por conta disso, todos os bairros de João Pessoa têm registros da atividade.

“Em muitas regiões da cidade onde aconteciam muitos conflitos, isso já não existe, porque muitos chefes de tráfico estão mudando a forma de pensar e entendendo que vale mais manter a área pacificada e vender mais”, explicou um dos investigadores da DRE.

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