quarta, 21 de agosto de 2019
Drogas
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Maconha é a droga mais apreendida na Paraíba

Ainoã Geminiano / 26 de junho de 2019
Foto: Arquivo
No Dia Internacional de Combate às Drogas, a Secretaria de Estado da Segurança da Paraíba (Seds) revela que um dos focos do planejamento da pasta é apreender entorpecentes e desbaratar grupos criminosos. De acordo com a assessoria de gestão estratégica da pasta, o combate ao tráfico também contribui com a redução de outros crimes, sendo o assassinato de pessoas e o roubo de veículos os principais deles. O dia 26 de junho, que também é conhecido como Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para chamar a atenção da população mundial e das autoridades para o combate às substâncias entorpecentes e o problema de saúde pública que se tornaram.

Os números de apreensão de drogas na Paraíba apresentam oscilações nos últimos oito anos, período em que vigora o programa governamental Paraíba Unida Pela Paz, criado com a intenção de melhorar os resultados, criando metas para as polícias. No período, o ano de 2013 registrou o recorde de apreensões, mas o número caiu nos anos seguintes. As apreensões só voltaram a crescer em 2017 e a SEDS fechou o ano passado com saldo positivo. Em todos os anos, a maconha é a droga mais apreendida no Estado, seguida de crack e cocaína. “Essa variação não é porque exista um aumento na circulação de drogas. As apreensões dependem de vários fatores, como a conclusão de investigações que muitas vezes demoram até a polícia ter informações precisas sobre a atividade do tráfico.

Também há muita variação na demanda de denúncias feitas pela população, através do disque 197. Depois da investigação, a denúncia é o principal fator que leva a polícia a fazer apreensões e prisões”, explicou a delegada Helen Ferreira, assessora de Planejamento da SEDS.

Mulheres e menores. Uma constatação feita pelos órgãos de segurança do Estado é o aumento da presença de mulheres e adolescentes no tráfico de drogas. Para a delegada Helen Ferreira, a explicação desse fenômeno está nos benefícios que a legislação prevê para esses grupos. “A audiência de custódia tem mantido a maioria das prisões de traficantes. Mas quando o acusado é uma mulher que tem filhos menores, por exemplo, a Lei manda que ela seja posta em liberdade, para não deixar as crianças desamparadas. Com isso elas voltam a agir no tráfico”, destacou.

Já no caso dos menores, a legislação diz que eles só devem ser mantidos apreendidos se o delito cometido envolver violência física, o que não é o caso do tráfico. “Com isso, as apreensões são sempre relaxadas com a entrega do menor para a família e ele fica fisicamente livre para voltar à atividade do tráfico. Está na hora de discutirmos a Lei de

Entorpecentes, porque esses benefícios estão sendo muito usados pelos traficantes, para que as pessoas que trabalham para eles escapem da prisão e a operação do tráfico não seja comprometida”, concluiu a delegada.

Dano social e profissional

O psicólogo Deusimar Guedes, ex-policial federal, presta atualmente consultoria para empresas que enfrentam problemas com funcionários envolvidos com drogas. “O álcool é o carro-chefe dos problemas entre os funcionários, como acidentes tanto no ambiente de trabalho quando no descolamento de casa para a empresa. Mas as drogas ilícitas têm crescido entre os trabalhadores, com destaque para os caminhoneiros, que têm trocado o arrebite por cocaína”, destacou. O resultado final é demissões ou aposentadorias por invalidez, após graves acidentes. Além disso, o psicólogo destacou um sintoma comum dos dependentes químicos, que se rompem com seus relacionamentos sociais e se isolam, em busca de ambientes onde possam encontrar e consumir droga.

Apreensões realizadas (Kg) na Paraíba:

De 2011 a 2019

2011 – 471,9 Kg

2012 – 687,7 Kg

2013 – 3.363,6 Kg

2014 – 2.672 Kg

2015 – 1.676,3 Kg

2016 – 1.239,8 Kg

2017 – 2.688,9 Kg

2018 – 2.703,3 Kg

2019 [*jan a mai] – 223 Kg

(Detalhamento de 2018)

maconha – 2.586 Kg

crack – 70,7 Kg

cocaína – 46,6Kg

Fonte: Seds

 

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