sábado, 16 de janeiro de 2021

Cultura
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‘Violetas’ está em cartaz hoje e amanhã no IV Festival de Teatro Piollin

André Luiz Maia / 27 de janeiro de 2017
Quantos sonhos você teve que renunciar por ser mulher? Qual seria sua vida se pudesse atender apenas aos próprios desejos e vontades, não apenas às conveniências e convenções? Violetas, trabalho da atriz Mayra Montenegro na Cia. Violetas de Teatro que está em cartaz hoje e amanhã no IV Festival de Teatro Piollin, caminha por essas e outras questões referentes às limitações impostas às mulheres dentro de uma sociedade machista.

Embora não afirme que se trata de um espetáculo panfletário, Mayra entende que falar sobre essas temáticas ajudam a pô-las na mesa. "No fim das contas, ele busca esse diálogo com o público, fazendo com que as mulheres pensem sobre suas próprias questões e os homens, que podem se perguntar se não estão endossando esse tipo de comportamento", explica a atriz.

A peça é fruto da pesquisa Memória da Voz, realizada pela atriz Mayra Montenegro. Teve como ponto de partida a história de sua avó, Wilma. "Ela faleceu na década de 1990, aos 75 anos. Desde pequena ouvia suas histórias, seus sonhos de ser uma atriz e cantora, além de fazer faculdade de Medicina, mas nada disso ela pôde concretizar", explica. Ao invés disso, se formou na chamada Escola Doméstica, um lugar que ensinada às mulheres jovens os dotes necessários para se tornarem uma dona de casa exemplar.

Quanto mais lia sobre isso, mais percebia que a história não se tratava apenas de sua avó, mas das limitações que as mulheres sofriam e sofrem até hoje. Para auxiliá-la, convidou Raquel Scotti Hirson, do Lume Teatro, e a própria mãe, Eleonora Montenegro, para as funções de direção e assistência de direção, respectivamente. "Trabalhar junto com minha mãe nesse espetáculo, que toma como base a história da minha avó, a mãe dela, é algo que me traz muita alegria", comenta.

A cenografia é simples, sem muitos segredos. Uma cadeira, uma mesa e outros elementos que remetem ao ambiente doméstico ajudam a ambientar a história, que é conduzida pelo domínio cênico de Mayra.

Além do espetáculo, Mayra também ministrou a oficina "Voz e Presença Cênica" durante a semana, na Tamarindeira Processos Culturais, com o objetivo de mostrar aos profissionais das artes cênicas a dimensão da física da voz, da voz enquanto corpo. Em exercícios, demonstra a tivação da musculatura e dos impulsos corporais, com o objetivo de potencializar o domínio da voz.

Mayra, além de atriz, é cantora, preparadora vocal e professora da graduação em Teatro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ministra as disciplinas de Expressão Vocal, Canto para o Ator e Música na Cena. Aqui na Paraíba, se formou em Educação Artística, com habilitação em Música, pela UFPB, em 2008.

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