sábado, 19 de setembro de 2020

Teatro
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‘Sobrevivência dos Vagalumes’ abre Circuito Cardume, no Espaço Cultural

André Luiz Maia / 04 de janeiro de 2017
Foto: Rafael Passos
Quando as luzes se apagam e as formas, cores e feições desaparecem, o que sobra? Ou melhor, o que nós descobrimos? Com base na leitura de um livro de um filósofo, a angústia se transformou em arte, dando origem a Sobrevivência dos Vaga-Lumes, experimento cênico de Joyce Barbosa e Erik Breno.

A performance abre nesta quinta-feira (05) o Circuito Cardume, projeto desenvolvido pela Funesc com o objetivo de apresentar espetáculos de dança, circo e teatro da cena paraibana. Ao longo do mês, haverá apresentações nos teatros Paulo Pontes, Santa Roza e durante o 25º Salão de Artesanato da Paraíba.

Joyce desenvolveu o espetáculo com base na leitura do livro homônimo, do filósofo francês Georges Didi-Huberman. "Apesar de ser um livro de filosofia, ele é muito poético e nos transporta para vários ambientes, além de suscitar diversas questões", explica a bailarina, que integra a Paralelo Cia. de Dança.

Ao fazer esse jogo de luz e sombras em cena, ela acabou pensando, com o auxílio dramatúrgico da professora Candice Didonet, nos conceitos de "embalar" e "fagulhar", termos que ajudam a expressar o movimento dos corpos nessa configuração proposta pela encenação.

No processo de concepção de Sobrevivência dos Vaga-Lumes, Joyce tinha apenas uma convicção: não queria ensaiar no mesmo espaço. A ideia era perceber o que cada espaço e contexto tinha a oferecer para o desenvolvimento do conceito. A aposta se provou acertada. "Um dos lugares que eu escolhi para ensaiar foi a Praça do Povo, do Espaço Cultural, no fim da tarde, bem naquele momento de transição entre a luz natural do Sol, que vai se pondo, e as luzes artificiais, que se acendem para iluminar o espaço que começa a escurecer. Essa mudança de iluminação fazia com que eu repensasse todos os meus momentos", relata a bailarina.

Inicialmente, o espetáculo contaria com a presença de outra bailarina e de um músico, mas os contratempos fizeram com que Erik fosse uma escolha natural. "Eu já havia trabalhado outras vezes com ele e imaginei que a dinâmica de trabalho aqui seria interessante", argumenta Joyce Barbosa. Os dois fazem movimentos improvisados, mas, para chegar ao resultado final, foi necessário um número de ensaios considerável para que o entrosamento necessário em cena fosse estabelecido.

Embora tenha sido pensado em detalhes, a performance não tem um storytelling definido. "A narrativa é aberta. Algumas pessoas já chegaram até mim e interpretaram a interação entre Erik e eu como a história de um casal que enfrenta problemas no relacionamento, mas não tem nada muito definido. A dança é um meio e o espectador que preencherá a narrativa com suas próprias experiências e sensações", justifica Joyce.

A seleção do projeto para o Circuito Cardume, na visão da bailarina, veio em boa hora e, de maneira geral, trata-se de uma boa oportunidade para a circulação de espetáculos paraibanos, embora ainda faça algumas ressalvas. "É positivo ver a Funesc se mover, mesmo com todas as dificuldades. O que eu acho complicado é ter um edital de ocupação que não disponibilize pelo menos uma verba mínima para a produção. A gente acaba tendo que pagar para fazer o espetáculo acontecer. Mas percebemos que há diálogo entre os artistas e a instituição, o que é primordial", completa.

 

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