domingo, 09 de maio de 2021

Teatro
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Preços de pautas em teatros de JP chegam a R$ 11 mil

André Luiz Maia / 26 de maio de 2018
Quanto custa uma pauta em um teatro de João Pessoa? Para responder a essa questão, o Correio conversou com os gestores e com produtores locais atrás de respostas. Os valores podem variar de R$ 200 a R$ 11 mil. O Teatro Pedra do Reino, localizado no Centro de Convenções de João Pessoa, ostenta o maior valor dentre as pautas. O gestor do espaço, Ferdinando Lucena, justifica a cobrança do valor. "É bom que se frise: é o maior teatro do Brasil, não tem como comparar aos outros teatros, são bem menores. Por isso o valor da pauta aqui é bem mais caro, o custo da energia e manutenção são muito maiores, por exemplo". O teatro possui 2931 cadeiras.

Além de shows e espetáculos teatrais, o espaço também abre as portas para eventos institucionais, cerimônias acadêmicas e congressos. De segunda à quarta-feira, o valor é de R$ 9 mil, enquanto de quinta a domingo ele sobe para R$ 11 mil. O dinheiro é utilizado, de acordo com Ferdinando, para a própria gestão e manutenção do teatro, vinculado à secretaria estadual de  Turismo e Desenvolvimento  Econômico (Setde).

Os outros teatros estaduais, no caso, o Santa Roza (no Centro, com 432 lugares) e o Paulo Pontes (no Espaço Cultural, com 660 assentos), apresentam diferenças de valores dependendo das circunstâncias. Espetáculos locais pagam menos: R$ 358,80 (Santa Roza) e R$ 568,10 (Paulo Pontes), caso cobrem ingressos. No caso de eventos nacionais, o preço sobre significativamente: R$ 1.016,60 (nos dois teatros).

O Ednaldo do Egypto, teatro com capacidade de 170 lugares localizado em Manaíra, também adora o mesmo expediente, mas os valores são por turno: R$ 200 para espetáculos locais e R$ 250 para atrações nacionais.

O Teatro Armando Monteiro Neto, também conhecido como Teatro do Sesi, fica na sede da Fiep, no Centro da cidade, e possui 288 lugares. Para fazer um espetáculo por lá, a produção precisa desembolsar R$ 600, mas a assessoria da Fiep, que administra o espaço, informa que este valor está aberto a negociações. Também no Centro, o Teatro Lima Penante tem capacidade para 100 pessoas e pauta única de R$ 150.

Esses são apenas valores-base, já que, no caso dos espetáculos com bilheteria, há mais uma condição. Caso 10% do faturamento total da bilheteria seja superior aos valores estabelecidos pela pauta, prevalece o maior. "Eu acredito que deveria prevalecer o valor fixo nestes casos", opina o produtor Valério Lima. Ele lembra que, além do valor da pauta, os produtores precisam pagar 5% do valor total à prefeitura em forma de Imposto Sobre Serviço (ISS). "Ainda temos que ofertar 5% da capacidade de teatros como o Pedra do Reino e Paulo Pontes para a organização do teatro, o que diminui ainda mais a margem de rendimentos", completa.

Um produtor local que preferiu não se identificar questiona a ausência de bilheteiros e equipe de suporte em alguns dos teatros citados. Valério Lima concorda com esta queixa. "Isso deveria estar incluído no valor que pagamos", completa. O produtor também afirma que há a prática de oferecer equipes contratadas por fora para executar essas funções, o que faz com que os próprios produtores optem por executar essas funções.

Outro produtor, que também preferiu não revelar a identidade por temer retaliação, aponta problemas nos teatros. "Eu pago com tranquilidade uma pauta para o Paulo Pontes ou o Santa Roza, porque eles dão bastante assistência, mas lá não têm acessibilidade necessária para que um artista com deficiência se apresente", pontua.

O único teatro totalmente acessível, de acordo com a fonte anônima, é o Pedra do Reino. No entanto, existem outros problemas por lá. "Todos os camarins tem algum defeito, tubulação entupida. Não tem mobiliário, uma geladeira, uma cadeira. Você precisa providenciar tudo pagando R$ 11 mil de pauta", reclama.

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