sábado, 17 de agosto de 2019
Teatro
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Palco giratório chega a campina grande com espetáculo ‘Meu Seridó’

Rammom Monte / 05 de abril de 2019
Foto: Divulgação
A história do Brasil recontada pelos esquecidos e renegados. Com uma visão feminina. É o que pretende mostrar o espetáculo Meu Seridó, da Cia. Casa de Zoé (RN), que se apresenta amanhã no Teatro do Sesc, em Campina Grande, pelo Palco Giratório. O espetáculo abriu o projeto em João Pessoa, domingo passado.

Com fortes questões norteadoras, o espetáculo traz a condição da mulher no sertão, a extinção do indígena em detrimento do boi e a desertificação, na luta diária pela sobrevivência como força bruta do ser.

Sonho da atriz Titina Medeiros, a peça tem direção de César Ferrario e texto de Filipe Miguez (autor da novela Cheias de Charme).

Como o próprio autor escreveu: “A nossa história acontece em algum lugar entre a realidade, o delírio e a nostalgia”.

“O Palco Giratório tem uma importância gigante para a gente em vários aspectos. Tem a questão da obra em si, de poder falar de um recorte da história singular de um lugar, que é o Seridó no Rio Grande do Norte, mas descobrir, nesta história, a história universal da exploração do homem sobre a terra, sobre o outro, sobre o desejo de conquista”, disse a atriz Titina Medeiros.

Segundo o produtor do espetáculo Arlindo Bezerra, foi realizada uma pesquisa in loco no Seridó potiguar, mais precisamente na cidade de Acari, terra natal de Titina Medeiros.

“Foram feitas pesquisas in loco. Por todo mundo: diretor, dramaturgo, elenco, direção. A gente vivenciou a pesquisa etnográfica. E a partir das histórias e vivências se criou a dramaturgia do espetáculo. É a fala de um lugar, mas que ao falar do lugar, fala com o mundo”, resumiu.

Arlindo até lembrou uma frase do dramaturgo Filipe Miguez. "Filipe costuma dizer a seguinte frase: eu fui no Seridó em busca de encontrar o Brasil profundo e me deparei com o mundo”, disse.

Já para o ator e diretor musical Caio Padilha, começar a circulação do espetáculo pela Paraíba é simbólico.

“É uma satisfação começar na Paraíba esta circulação. O Seridó pertenceu a Paraíba, então é uma área do interior do Brasil profundo, que une os dois estados. E para gente começar aqui é simbólico pelo processo de criação do espetáculo”, disse.

Além do espetáculo,nesta sexta (5) acontece, das 17h às 21h, também no Sesc Centro, a oficina Quem Conta um Ponto Ponteia um Canto”, ministrada por Caio Padilha e Igor Fortunato. As inscrições podem ser feitas através da internet, e estão abertas até o preenchimento de 25 vagas.

“As oficinas são fundamentais para a formação e continuidade da arte. É um espaço de troca de nossas experiências e uma maneira de dividir nossa trajetória e receber novas trajetórias em nossas memórias”, contou Titina.

O espetáculo percorrerá 46 cidades do Brasil através do projeto Palco Giratório com 55 apresentações e oficinas ministradas pelos integrantes do grupo.

O projeto tem como proposta o intercâmbio de espetáculos voltados para as artes cênicas do país inteiro e está em sua 22ª edição. O Meu Seridó terá como trajeto, 55 apresentações em 46 cidades. Além do espetáculo acontecerão bate-papos, pensamentos giratórios, oficinas e encontros com grupos de teatro e artistas das cidades.

Na visão do Coordenador de Cultura do Sesc RN, Daniel Rezende, que indicou o Meu Seridó para a curadoria, o texto é essencial para a compreensão de nossa formação enquanto povo brasileiro. “Quando assisti a Meu Seridó, o meu olhar, a percepção, os afetos, tudo o que passei a enxergar ali, foi imediato levar para a discussão da curadoria do Sesc. O espetáculo traz fatores e contextos impressionantes inerentes à dramaturgia, mas ao universalismo que precisa ser dito", finalizou.

 

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