quinta, 27 de junho de 2019
Teatro
Compartilhar:

Lucinha Lins fala ao correio sobre o espetáculo ‘Palavra de mulher’

Renato Félix / 26 de outubro de 2018
Foto: Reprodução
Que Chico Buarque é um prodígio ao evocar a voz feminina em suas canções, todo mundo sabe. Lucinha Lins, Tânia Alves e Virgínia Rosa também sabem: elas se uniram no espetáculo Palavra de Mulher, que apresentaram pela primeira vez há 10 anos e que pela primeira vez chega a João Pessoa. A apresentação é no Teatro Santa Roza, no Centro, nesta sexta (26) e sábado (27), às 20 horas.

O espetáculo surgiu de um show de Virgínia Rosa. "Na época dos 60 anos do Chico, aconteceram muitas homenagens. E a Virgínia Rosa foi convocada para fazer um pocket show com músicas do Chico", conta Lucinha, por telefone, ao CORREIO. "E logo depois desse momento dela, teve a inauguração do Teatro Cleyde Yáconis, em São Paulo. Nosso empresário é o mesmo, o Fernando Cardoso. Ele teve uma ideia: convidar a mim para fase rum dia como convidada, no outro a Tânia, e no último dia fizemos as três. E foi um arraso".

O empresário viu algo especial naquela combinação. "Somos diferentes fisicamente, a voz de cada uma não tem nada a ver com a outra, o jeito de cada uma não tem nada a ver com a outra (risos). Mas quando nos apresentamos juntas, a harmonia é rara", diz. "A gente costuma dizer que se meteu no espetáculo da Virginia (risos). E olha só o que a gente fez!".

Além das canções, há alguns momentos de texto, personagens, interações com a plateia e momentos solo de cada uma. "É um show teatralizado", define Lucinha. O repertório mudou pouco em dez anos. Para ela, a música de Chico é atemporal. "Acho que sentimentos dificilmente mudam. Os sentimentos são únicos, especiais, são experiências. E a música do Chico é eterna. Mesmo que todos nós tenhamos mudado, progredido, esses sentimentos, essa dor de cotovelo, esse amor, a falta do outro, a tristeza a solidão, isso não muda".

Cada uma escolheu em boa parte as canções que interpreta. Lucinha já possuía uma experiência na obra de Chico: já fez Ópera do Malandro no teatro, em 2008, e, claro, Os Saltimbancos Trapalhões, no cinema, em 1981. "Eu canto 'História de uma gata' e é emocionante todas as vezes. A plateia vira criança e até hoje me faz chorar". Ela também canta "Viver de amor", "Olhos nos olhos", "Tatuagem" (em dueto com Tânia Alves, e "Atrás da porta", entre outras.

Vaias e sucesso

Lucinha Lins esperava seguir carreira principalmente como cantora. Ela lançou seu primeiro disco, um compacto simples, em 1974, produzido por Sérgio Cabral. "Eu achei que ia ser cantora, mas o mercado fonográfico é muito complicado. Nunca me atraiu tanto assim", explica. "E depois o meu lado atriz foi falando mais alto".

Em 1981 esses dois lados apareceram com destaque. Como cantora, Lucinha foi a intérprete da canção vencedora do festival MPB-Shell: "Purpurina". Foi uma vitória inesquecível: a plateia preferia "Planeta Água", de Guilherme Arantes, e recebeu a vitoriosa com uma sonora vaia.

"Eu não tinha naquele momento consciência real do que estava acontecendo. Eu tinha um mecanismo na minha cabeça que tinha que cantar pra sair do palco. Diz que foi a maior vaia dos festivais – tem uma concorrências aí, gente que diz 'a minha vaia foi maior que a sua'". Lucinha conta que teve até que sair escoltada pela polícia. "Fiquei dois ou três dias sem dormir direito".

Mas a repercussão ajudou a divulgar o espetáculo que ela vinha preparando e estreou dois meses depois: o Sempre, Sempre Mais, que acabou sendo um sucesso.

No mesmo ano, ela foi a mocinha de Os Saltimbancos Trapalhões, o melhor filme do quarteto Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. "Muito bonitinho. Nunca esqueci todos os sorrisos, todos os medos. Eu não sabia nem andar. Meu Deus, como eu era fraca. Era só bonitinha (risos)".

Lucinha estreou aí como atriz e, em seguida, fez peças e programa infantil, e, a partir da minissérie Rabo de Saia (1984), que reorientou sua carreira definitivamente.

Relacionadas