sábado, 23 de janeiro de 2021

Teatro
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JP e Pilar recebem circulação nacional do espetáculo ‘Solo de Marajó’

Assessoria / 08 de setembro de 2015
Foto: Divulgação
Levar o espetáculo Solo de Marajó, criado a partir da obra do escritor paraense Dalcídio Jurandir (1909-1979),aos Estados de origem de outros cinco romancistas brasileiros: essa é a ideia de Solo de Marajó nos solos de outros brasis, projeto de circulação do grupo paraense Usina, contemplado com o Prêmio Myriam Muniz 2014 da Fundação Nacional das Artes (Funarte). São sempre duas apresentações em cada capital e uma na cidade natal de cada escritor.

A terra de José Lins do Rego será o terceiro estado a receber a ação. Em solo paraibano, o espetáculo criado a partir de Marajó – segundo romance de Dalcídio –, fará mini temporada em João Pessoa nos dias 11 e 12 de setembro, às 20h, no Centro Cultural Piollin (Rua Professor Sizenando Costa, s/n). Logo em seguida, no dia 13, será a vezde Pilar, também às 20h, na Fundação Menino do Engenho, localizada em rua batizada com o nome de seu filho ilustre. Tudo com entrada gratuita.

A turnê de Solo de Marajó começouno mês passado pelas cidades baianas de Itabuna, terra natal de Jorge Amado, e Salvador; depoisseguiu para Alagoas, com apresentações em  Quebrangulo, onde nasceu Graciliano Ramos,e Maceió. Da Paraíba,o espetáculo ainda seguirá para o Ceará de Rachel de Queiroz (Fortaleza e Quixadá) e o Rio Grande do Sul de Érico Veríssimo (Porto Alegre e Cruz Alta).

Além das fronteirasdo Pará–Dalcídio Jurandir é natural de Ponta de Pedras, na Ilha de Marajó, no Pará. Embora seja praticamente desconhecido pelo grande público, é autor da saga Extremo Norte, que reúne dez romances publicados entre 1941 e 1978 (além destes escreveu Linha do Parque, de temática proletária, publicado no Rio Grande do Sul e na Rússia). Trata-se de um dos maiores testemunhos literários sobre o modo de vida do homem que habita pequenos povoados na Amazônia.

Inspirado na prosa dalcidiana, Solo de Marajó estreou em 2009. O espetáculo foi criado especialmente para celebrar o centenário de nascimento do autor, e apresentado na programação da Feira Panamazônica do Livro, realizada anualmente em Belém.

Depois de muitas temporadas em solo paraense (incluindo uma circulação por cinco municípios da Ilha de Marajó), o espetáculo do grupo Usina ultrapassou as fronteiras do Pará. Em 2010, esteve em São Paulo durante a I Mostra da Cena Paraense Contemporânea, e voltou à capital paulista no ano passado, integrando a programação da Virada Cultural.

Em fevereiro deste ano, Solo de Marajó integrou a programação do Midrash Centro Cultural, no Rio de Janeiro. A receptividade foi tão boa que resultou em outras cinco apresentações na capital fluminense e outra no município de Niterói, num período de apenas três meses.

O que parece surpreender o público em todos os solos por onde passa é a ousadia da encenação. Sozinho sobre o palco nu, o ator Claudio Barros, que em 2016 celebra 40 anos de intensa atuação na cena paraense, conta oito histórias extraídas de Marajó.

Utilizando apenas o corpo e a voz para construir imagens, a atuação estimula a imaginação do espectador, convidado-o a povoar o espaço vazio com a memória de pessoas e lugares.

Os temas das narrativas vão desde questões de cunho social, como racismo, exploração do trabalho, tráfico de crianças e prostituição, até o universo íntimo das relações amorosas, recheadas de paixão, dor, solidão, ciúme e vingança.

Esta visão multifacetada do autor levou os criadores a uma dramaturgia que não se preocupa em dar conta da fábula romanesca, mas acaba por construir um mosaico capaz de representar as relações humanas na Amazônia.

A montagem de Solo de Marajó dá continuidade à pesquisa do grupo Usina sobre o ator como narrador. As fontes para esta criação foram a observação do comportamento cotidiano dos habitantes de Ponta de Pedras, onde se passa o romance, e histórias de vida do próprio atuante.

O autor – Nascido na vila de Ponta de Pedras, na Ilha de Marajó, em 10 de janeiro de 1909, Dalcídio Jurandir Ramos Pereira foi jornalista e escritor. Passou a infância no município vizinho de Cachoeira do Arari e logo depois mudou-se para Belém. Foi para o Rio de Janeiro pela primeira vez em 1928, com apenas 19 anos. Ainda voltou ao Pará algumas vezes mas viveu no Rio até morrer, no dia 16 de junho de 1979.

Segundo o crítico Benedito Nunes, para quem a obra do escritor marajoara funda a paisagem urbana na literatura amazônica, os dez romances integram um único ciclo romanesco, quer pelos personagens e as relações que os entrelaçam, quer pela linguagem que os constitui, num percurso que vai desde Cachoeira do Arari até Belém, criando uma radiografia tanto do ambiente rural na Amazônia quanto da periferia da capital paraense no Século XX.

Apesar de frenquentemente enquadrado na segunda fase do modernismo, caracterizada pelo regionalismo e denúncia social, Dalcídio ultrapassa toda forma de enquadramento. Do ponto de vista formal e estilístico, a prosa dalcidiana explora elementos da narrativa moderna, como as quebras com a linearidade espaço-temporais, uso da técnica do fluxo de consciência para realçar a densidade psicológica dos personagens ou a projeção de sentimento na descrição da paisagem.

Ficha técnica

Atuação e figurino: CLAUDIO BARROS. Direção e iluminação: ABERTO SILVA NETO. Dramaturgia: ALBERTO SILVA NETO, CARLOS CORREIA SANTOS E CLAUDIO BARROS. Projeto gráfico: MARCELA CONDURU. Fotos: JM CONDURU. Produção: SANDRA CONDURU.

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