quarta, 19 de dezembro de 2018
Teatro
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Em cartaz no Paulo Pontes, ‘O Último Édipo’ se baseia em texto de W.J. Solha

André Luiz Maia / 09 de setembro de 2016
Foto: Bruno Vinelli/divulgação
A tragédia grega, recontada inúmeras vezes, ganhou mais uma leitura, desta vez através do Grupo de Teatro Lavoura. Depois da estreia no fim do mês passado, O Último Édipo é apresentado até este domingo, em curta temporada no Teatro Paulo Pontes. A história de amor proibido entre Édipo e Jocasta ganha verniz moderno em dramaturgia adaptada por Sandra Luna com base no texto Édipo no Terceiro Milênio, de W. J. Solha.

A peça nada mais é que um diálogo entre a obra original de Sófocles e a releitura crítica de Solha, trabalhando com a atemporalidade contida no texto clássico da tragédia grega. A direção é de Jorge Bweres, que põe em cena os atores André Morais (Édipo), Ingrid Trigueiro (Jocasta), Herlon Rocha (Creonte) e Joevan Oliveira (Tirésias). Como artifício para enriquecer a encenação, Bweres optou por utilizar projeções com direção de fotografia assinada por João Carlos Beltrão.

Uma marca do Grupo Lavoura é o de fazer adaptações intimistas, evitando a plateia usual. O Último Édipo não seria diferente. O público subirá ao palco assistirá a peça em cadeiras distribuídas pelo palco.

Nas primeiras apresentações, apesar da proximidade, o formato da peça ainda respeitava os moldes do palco italiano, já que quase toda a ação se desenrola em um espaço cênico diante do palco. No entanto, a ideia é que isso vá mudando ao longo do tempo. "A ideia é fazer com que o espaço de ação cênica se descentralize, para que a plateia esteja mais integrada ainda ao espetáculo", explica o diretor.

Em se tratando de enredo, a história já nos transporta para o momento em que Édipo, já rei de Tebas, se questiona a respeito da morte do antigo rei, Laio: ele acredita que Laio fora assassinado e seu medo é ter o mesmo destino.

A trama vai nos apresentando aos poucos as revelações de quem já conhece a trama clássica – como a origem de Édipo, que fora abandonado à própria sorte por conta de uma profecia do oráculo de Delfos – e continua ambientado no reino de Tebas, mas também se permite contemporizar as situações através das atitudes de alguns personagens.

"Quis tornar a figura de Jocasta mais ativa na trama, um entendimento que eu tive enquanto desenvolvia a dramaturgia com Sandra Luna", argumenta Bweres. "A original parecia um enfeite. Aqui, trazemos uma mulher contemporânea, empoderada, que questiona e chega a colocar o rei contra a parede. Tem um momento em que ela chega a falar com o povo de Tebas sobre a corrupção dos poderes. A história continua a mesma, mas nos permitimos trazer outras possibilidades para dentro do texto".

Outro ponto que também explicita essa contemporaneidade é o figurino dúbio, pois emula vestes da Grécia Antiga com estilo atual, e o contraste entre a figura de Tirésias, que vislumbra o futuro e profetiza através de métodos divinatórios, e a visão racionalista de Jocasta e Édipo.

O texto traz uma carga política grande. "Foi tudo pensado, minuciosamente. A ideia, ao mostrar Édipo discursando para o povo de Tebas, é mostrar que há semelhanças entre o agora e o contexto de há mais de 2,5 mil anos. Há também um descompasso, pois atualmente nós realmente não sabemos o que , de fato, uma democracia", comenta o diretor.

‘O último Édipo’

Do Grupo de Teatro Lavoura

Texto: Sandra Luna. Direção: Jorge Bweres. Elenco: André Morais, Herlon Rocha, Ingrid Trigueiro e Joevan Oliveira

Hoje a domingo, às 20h. No Teatro Paulo Pontes (Espaço Cultural, R. Abdias Gomes de Almeida, 800, Tambauzinho, João Pessoa – 3211.6214 – https://www.facebook.com/funescgovpb).

R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

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