quarta, 14 de novembro de 2018
Teatro
Compartilhar:

Companhia Argonautas apresenta peça ‘Tennessee Me’ em JP

André Luiz Maia / 09 de novembro de 2018
Foto: Divulgação
Três histórias curtas, entrelaçadas pela escrita paradoxalmente poética e cruel de Tennessee Williams. Tennessee Me é uma declaração de amor do diretor Tony Silva ao dramaturgo norte-americano, apresentada nesta sexta-feira (9) pela Cia. de Teatro Argonautas.

Williams ficou conhecido mundialmente por obras como Gata em Teto de Zinco Quente e Um Bonde Chamado Desejo, mas ele também escreveu uma série de pequenas peças, que posteriormente foram publicadas em livros.

Tony Silva sempre foi um apaixonado pelo teatro e, depois de se aprofundar em suas referências nacionais, decidiu olhar com mais atenção para outros autores. “Quando eu vi o trabalho de Tennessee com atenção, percebi essas semelhanças com trabalhos de autores brasileiros. Ele faz comentários sociais, fala de crueldade, de opressão, de coisas muito tristes, mas ao mesmo tempo nos apresenta peças encantadoras”, comenta o dramaturgo.

Para isso, acabou optando por escolher três histórias escritas por Williams: Fala Comigo Doce como A Chuva, Essa Propriedade Está Condenada e E Contar Tristes Histórias das Mortes das Bonecas. Em comum, personagens com complexidade psicológica e deslocados socialmente, com suas neuras, angústias e desespero.

Na primeira história, acompanhamos um jovem casal que vê o casamento ruir ao longo dos anos. Embora estejam juntos, eles não se conectam de maneira alguma. A solidão, o passado e o incerto futuro norteiam e desnorteiam as mentes dos dois personagens. “Tem uma cena muito bela neste texto, quando a moça não consegue pedir exatamente a separação, mas começa a descrever sobre o que ela esperaria de um casamento antes de vivê-lo de fato, para, no fim, afirmar que ela estaria sempre à espera de alguém que nunca viria de fato a chegar e estar junto com ela”, relata Tony.

Na segunda história, uma menina de 13 anos herda como sina o destino da mãe, enquanto revive as memórias de sua irmã morta ao encontrar-se com um rapaz mais velho. O terceiro ato é a montagem da peça E Contar Tristes Histórias das Mortes das Bonecas, um drama que conta a história de uma travesti e seu relacionamento conflituoso com um marinheiro. “Ela é rica, pois herdou uma fortuna do falecido marido, o que chama a atenção do marinheiro. Tanto esse quanto os outros textos abordam situações que vivemos hoje em dia. Muita gente reprimida, não conseguindo viver livremente da forma como gostaria", completa Tony.

O trabalho conta tanto com atores com alguma experiência em cena quanto iniciantes, em um processo de construção coletiva. “Toda vez que a gente apresenta esse espetáculo, descobrimos algo completamente novo. Está sendo muito gratificante para todos nós”, conclui o diretor.

Relacionadas