sexta, 19 de julho de 2019
Show
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Performance de um tímido no Teatro de Arena

André Luiz Maia / 31 de maio de 2016
Foto: Rafael Passos
Fui assistir ao show de divulgação do disco A Praia, de Cícero, que aconteceu no dia 27 de maio no Espaço Cultural, sem expectativas. Embora soubesse de sua carreira e já tivesse ouvido algumas músicas de maior repercussão pelo meu natural interesse por música, nunca me ative ao seu trabalho. Então, realmente não sabia o que encontraria naquela sexta-feira.

Logo ao chegar ao espaço, o que me chamou a atenção foi o público. Muitos rostos novos, gente com seus 18, 20, 22 anos. Sem dúvidas, uma geração mais nova que a minha, que estou às margens de completar 26. O medo de não compreender as gerações seguintes já começou a bater a porta. Mas acho que, por enquanto, isso não me amedronta.

O evento, programado para começar às 20h com a banda paraibana Vieira, só teve início por volta das 21h. Apesar da demora, o público parecia empolgado. E qual não foi a minha surpresa ao ouvir algumas pessoas ao meu redor cantarolando algumas das músicas do grupo liderado por Arthur Vieira, que lançou o EP Comercial Sul no ano passado?

Não era suficiente para formar um coro volumoso – como eu veria logo mais –, mas ainda assim impressionante. A música feita na Paraíba vive um bom momento, conquistando um público diverso através da internet. A banda, por sinal, fez bonito – incluindo, além das próprias músicas, interpretações de “Último romance”, de Los Hermanos”, e “Tudo pra ser feliz”, de Totonho, ambas recebidas calorosamente pelo público.

Depois de pouco mais de uma hora, era a vez da principal atração da noite. No entanto, a plateia só veria Cícero subir no palco, pela primeira vez em João Pessoa, às 22h30, cerca de 25 minutos de atraso. “O bobo” e “Pra animar o bar” foram as escolhidas para dar o pontapé no repertório. Com voz vacilante – rapidamente amparada pelo público, que cantava as músicas com entusiasmo –, Cícero trouxe consigo uma banda afiada, composta por Bruno Schulz (acordeon e sintetizadores), Gabriel Ventura (guitarra), Cairê Rêgo (baixo) e Uirá Bueno (bateria), em plena simbiose com o violão do vocalista.

Os arranjos ao vivo são mais intensos e puxam mais a verve rock’n’roll do repertório. Apesar da ambiência introspectiva do repertório de álbuns como Sábado (2013), o show consegue adaptá-las para o palco sem que percam força. Cícero também parece bem à vontade no palco – algo que me surpreendeu, já que sua timidez também é aparente.

Em três momentos, houve citações a músicas de outros artistas. Em “De passagem”, do disco mais recente, o compasso da canção dá margem para “Pagode russo”, de Luiz Gonzaga, prontamente entoada pela plateia. Já em “Laiá, laiá”, de Canções de Apartamento (2011), Cícero abriu com os versos de “Panis et circencis”. Por fim, em “Duas quadras”, há a inserção dos versos de “Preciso me encontrar”, clássico de Cartola.

Esses momentos funcionaram como carta de apresentação das referências absorvidas pelo cantor compisitor carioca em seu trabalho autoral. Embora seja mais um artista da composição que da performance, Cícero consegue defender seu repertório de maneira satisfatória.

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