terça, 19 de janeiro de 2021

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Odair José se apresenta em João Pessoa, apostando no formato rock

André Luiz Maia / 22 de abril de 2017
Foto: Divulgação
Odair José continua em seu processo de renovação musical. A partir de 2015, com o lançamento de Dia 16, ele mostra sua verve roqueira em estúdio, algo que se reflete em seu novo lançamento, Cães e Gatos. Hoje, ele se apresenta na Vila do Porto, em João Pessoa, cantando e tocando músicas do trabalho mais recente, mas sem esquecer dos grandes clássicos que o consagraram na música popular brasileira.

As 10 faixas do novo CD ampliam o leque inicialmente aberto em Dia 16, trazendo músicas de caráter contestador em uma sonoridade mais caseira. "Eu sempre fiz shows, desde o início, com um trio, um formato de banda de garagem. A diferença é que agora eu estou levando isso para o estúdio", explica o cantor e compositor. Odair divide as guitarras com Junior Freitas, que gravou também baixo, teclado e piano. Bateria e percussão ficaram a cargo de Caio Mancini. A gravação e mixagem foram feitas por Conrado Rüther no Estúdio Bunker em São Paulo, e a masterização por Billy Stull, do Masterpiece Mastering no Texas, Estados Unidos.

Para quem está acostumado com os grandes hits de sua carreira, como "Eu vou tirar você desse lugar" e "Pare de tomar a pílula", pode se espantar com o show de hoje. "Alguns falam que estou traindo o público da 'pílula', mas não vejo assim. É bom fazer coisas novas, se arriscar. Sempre gostei de guitarras, mas no passado o formato das gravadoras não me permitia muito isso e às vezes a gente termina engajado naquilo e não arrisca muito, mas é preciso arriscar. Repetir fórmulas não é fazer arte, é fazer negócio”, enfatiza.

O lançamento de Dia 16 e algumas declarações de Odair deixaram algumas pessoas confusas sobre sua carreira pregressa. "Olha, não vou dizer que eu gosto de tudo o que fiz, tem um período que eu não gosto, que eu fiquei muito em cima do muro e não fiz um trabalho relevante. Eu gosto do Odair José do início dos anos 1970 até 1978. Depois, fiz algumas coisas pontuais, que fez sucesso, tocou em novela, mas que não foi relevante", explica.

As temáticas das músicas de Odair José, especialmente na década de 1970, já lidavam com assuntos espinhosos, como a descriminalização da maconha e a prostituição. "Eu sou um cronista, escrevo sobre aquilo que vejo, sobre o que me incomoda, sobre a hipocrisia", explica.

O LP O Filho de José e Maria, de 1977, é um exemplo disso. Ele pega o mito bíblico de Jesus e o transporta para a contemporaneidade, em uma ópera rock controversa que envolve drogas e sexualidade. "Na época, as pessoas falaram a mesma coisa, que eu estava me traindo, criando polêmica, mas pelo contrário, eu estava sendo sincero comigo mesmo, pois se eu ficar repetindo, fazendo a mesma coisa, aí sim eu estaria mentindo, usando o público apenas para vender", salienta.

Em Cães e Gatos, ele continua botando dedos na ferida. "A analogia que faço no título do disco se refere ao maniqueísmo da nossa sociedade. A gente tem a ideia de que são duas figuras antagônicas, mas na verdade eles têm mais semelhanças que diferenças. Tem quem julgue os outros, mas faz pior", dispara o músico, que se diz também revoltado com os últimos acontecimentos da política. "Eu vejo um presente trazendo o futuro para o passado. É um retrocesso puro", completa Odair.

Odair José

Hoje, às 22h.

Vila do Porto (Largo de São Frei Pedro Gonçalves, 8, Varadouro, João Pessoa – 3222.6900 – http://www.facebook.com/restauranteviladoporto).

Ingressos: R$ 60 (1º lote/ inteira), R$ 40 (1º lote/ social), R$ 30 (1º lote/ meia), R$ 70 (2º lote/ inteira), R$ 45 (2º lote/ social), R$ 35 (2º lote/ meia), à venda nas lojas Furta Cor (shoppings MAG e Sul) e pela internet (https://www.sympla.com.br)

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