segunda, 11 de novembro de 2019
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O irrefreável Tom Zé hoje no Espaço Cultural

André Luiz Maia / 13 de agosto de 2016
Foto: André Conti/Divulgação
Dois nomes conhecidos por sua criatividade, apego pelo caos e pela experimentação constante. Estamos falando de Tom Zé, um dos principais nomes da Tropicália, e o grupo Jaguaribe Carne, responsável por abrir caminho para várias gerações de músicos paraibanos. O encontro dessas duas forças musicais acontece hoje em João Pessoa, promovido pela produtora Parahybólica Cultural.

O núcleo duro do Jaguaribe Carne, formado por Pedro Osmar e Paulo Ró, estava focado em trabalho de livre experimentação, reunindo talentos da música para estabelecer diálogos musicais. No entanto, para este show, eles retomam seu trabalho com a canção, cantando alguns sucessos da carreira, como "Nó cego", "Baile de máscaras", "Ferrugem popular" e "Vem no vento", algumas delas gravadas por artistas como Elba Ramalho, Lenine, Zeca Baleiro, Chico César e Elomar, dentre outros.

No palco, os irmãos são acompanhados pelos músicos Marcelo Macêdo, Uirá Garcia, Helinho Medeiros, Guegué Medeiros e Xisto Medeiros, a mesma banda que participou das gravações do disco Vem no Vento (2003).

Já Tom Zé retorna à cidade depois de cinco anos, quando se apresentou no mesmo Teatro de Arena da performance de hoje. Traz sucessos na mala mas aproveita para cantar canções do disco mais recente, Vira Lata na Via Láctea. "Terei oportunidade de mostrar canções do disco que falam de nosso momento atual, como 'Mamon' – alusiva à divindade da grana, que está no altar-mor de tanta gente hoje em dia, é uma adoração estimulada – 'Geração Y' , sobre os moços que vêm brotando do solo social agora, com vontade de ver a ética predominar na política, e 'Xique-xique', um emblema de nossa nordestinidade e que está em trilha do Grupo Corpo", comentou o artista.

A banda que o acompanha é a mesma de anos, o que cria uma cumplicidade no palco. "A banda é a alegria da minha velhice. Músicos competentes, pessoas ótimas pra conviver, dignas de respeito", declara Tom Zé. O paraibano Jarbas Mariz, que trabalha com ele há 30 anos, toca cavaquinho, percussão e violão. Cristina Carneiro cuida dos pianos e dos teclados, enquanto Daniel Maia, responsável pela produção dos dois discos anteriores de Tom Zé e do próximo que está para sair do forno, toca guitarra e dá suporte nos vocais. Completam o time o contrabaixista Felipe Alves e o baterista Rogério Bastos.

Sobre esse novo disco, nada revelado ainda, mas como pista, Tom Zé oferece o que anda lhe inspirando ou ajudando a compreender certos assuntos que andam fervilhando em sua cabeça. Atualmente, lê O Valor do Riso e Outros Ensaios, em uma edição da extinta Cosac Naify – "cujo fechamento nunca será suficientemente lamentado. Que trabalho editorial maravilhoso a Cosac fazia!" –, e Corpo e Comunicação, da teórica da semiótica e professora Maria Lúcia Santaella, professora e teórica de semiótica. "Comecei a ler ontem A Arte de Amar, de Ovídio, o livro e eu não nos largávamos. Fascinante ver como a psicologia humana, em suas leis gerais, não conseguiu se diversificar tanto, ao longo dos séculos. Somos muito parecidos, com os romanos do tempo de Ovídio", completa.

Também leu a biografia recém-publicada de D. Pedro I. "Vê-se que nossas tendências históricas não mudaram muito – eu ia dizer 'nada'. Como eu não moro em Marte, o que acontece no planeta e no país me diz respeito. Mas preciso de um zoom para que certo distanciamento me permita lhe dizer até que ponto as vicissitudes influíram no que produzi nestes dois anos", pondera.

TOM ZÉ

Hoje, às 20h. No Teatro de Arena (Espaço Cultural, R. Abdias Gomes de Almeida, 800, Tambauzinho, João Pessoa – 3211.6214).

Ingressos: R$ 60 (inteira/ 1º lote) e R$ 30 (meia/ 1º lote)

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