sábado, 16 de janeiro de 2021

Show
Compartilhar:

O Grande Encontro celebra parceria em mais uma apresentação

André Luiz Maia / 09 de março de 2018
Foto: DIVULGAÇÃO
Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença continuam colhendo os frutos de sua nova reunião em O Grande Encontro: o grande sucesso tem levado o trio de volta a cidades por onde o show já passou. Isso inclui João Pessoa: o show acontece no Teatro Pedra do Reino, hoje, às 21h.

“Eu fico impressionada como a gente faz sucesso com esse show”, disse Elba Ramalho ao Correio, dias antes do show que abriu o Folia de Rua na cidade, mês passado. “Foram 60 shows em 2016, 2017. Só São Paulo a gente está indo pela sétima vez, no Rio já fomos cinco vezes... E tudo em casas enormes”.

No ano passado, o trio se apresentou na Domus Hall. O show é o mesmo, criado em 2016 para celebrar os 20 anos do show original – registro memorável que bateu mais de 1 milhão de cópias vendidas em CD e contava ainda com Zé Ramalho no time.

A ausência do paraibano, por sinal, foi sentida neste show desde que foi anunciado. “Zé infelizmente não pôde estar conosco. Por conta do aniversário de 40 anos de carreira, ele já estava com muitos projetos engatilhados, sendo complicado conciliar as agendas”, justifica Alceu Valença.

Por falar em Alceu, sua presença é algo importante de se destacar. O Grande Encontro teve mais dois volumes nos anos seguintes – com Zé Ramalho, mas sem Alceu. “Pois é, só agora eu tive a chance de fazer esse encontro mais uma vez com Geraldinho e Elba ao mesmo tempo. As agendas encaixaram e foi só alegria mesmo”, declarou Alceu.

O repertório do show de hoje à noite não deixa nada a dever aos entusiastas do projeto original, que ficou marcado na memória de uma geração inteira de brasileiros. Não poderão faltar, entre momentos solo, em duplas ou em trio, “Anunciação”, “Banho de cheiro”, “Dia branco”, “Tropicana”, “Moça bonita”, “Caravana”, “Belle de jour”, “Canção da despedida”, “Coração bobo”, “Táxi lunar” e “Bicho de sete cabeças”.

O novo show, no entanto, abre espaço para relembrar outros pontos de cruzamento da carreira dos três, já que essas conexões antecedem 1996. Apesar de Geraldo Azevedo e Alceu Valença serem pernambucanos, os dois foram se conhecer depois de saíram de seu estado de origem.

“Eu e Geraldinho nos conhecemos ainda na década de 1960, pouco tempo depois de eu chegar ao Rio de Janeiro. Lembro que convivíamos com a cena artística da época, nos mesmos círculos, e acabamos desenvolvendo uma afinidade musical”, pontua Alceu.

Afinidade esta que resultou, em 1972, em um disco, Alceu Valença & Geraldo Azevedo. Com arranjos inovadores para a época, produzido pelo já respeitado músico Rogério Duprat, o registro se destacou por ser gravado com uma nova técnica, o quadrafônico, que causou uma pequena confusão entre o público.

“Era uma técnica que deu origem ao que hoje a gente chama de surround. O som era gravado em quatro canais. Foi uma ideia do produtor do álbum, Cesare Bienvenuti. A gente gravou o LP durante as madrugadas, quando o estúdio estava desocupado”, relembra.

Deste momento seminal da parceria entre os músicos, o repertório de O Grande Encontro absorve “Me dá um beijo”, contanto aqui com a luxuosa adição dos vocais de Elba Ramalho. Na mesma linha, está “Papagaio do futuro”, canção originalmente apresentada por Alceu, Geraldo e o paraibano Jackson do Pandeiro no Festival Internacional da Canção de 1972.

Ao recapitular esta trajetória e as parcerias com Elba e Alceu, Geraldo Azevedo faz um balanço geral desta passagem de tempo de duas décadas entre o primeiro e o atual show, incluindo aquilo que não mudou em momento algum. “Creio que nos tornamos artistas mais maduros e conscientes, uma evolução normal de qualquer profissional. O que me parece imutável é o amor que empenhamos na realização do nosso trabalho”, comenta o músico.

No ano passado, o trio passou pela experiência de levar esse show para o palco do Rock in Rio, algo que para Geraldo Azevedo teve um gostinho especial: era sua estreia no festival. Como terá sido essa experiência?

“Foi maravilhosa. Estar em um festival da magnitude e importância como o Rock in Rio é um privilégio e uma honra. E mais ainda ter a resposta do público como tivemos. Foi muito lindo e rico”, completa.

Relacionadas