sábado, 23 de novembro de 2019
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Geraldo Azevedo vai desnudar suas canções em João Pessoa neste sábado

André Luiz Maia / 27 de abril de 2019
Foto: Divulgação
Geraldo Azevedo integra o seleto grupo de artistas com décadas de atuação que permanecem mobilizando multidões em torno de seu trabalho. O pernambucano estoura nacionalmente na década de 1970 ao lado de seu conterrâneo Alceu Valença e dos paraibanos Elba e Zé Ramalho. Desde então, não parou mais.

Em seu retorno a João Pessoa, o cantor e compositor nos brinda com seu novo projeto de regravações, o disco Solo Contigo, que também foi lançado em DVD. Na capital paraibana, em uma performance no Teatro Pedra do Reino, ele deve reproduzir o repertório visto no registro audiovisual, além de outras canções que não puderam ser incluídas na gravação.

O repertório faz um apanhado desses mais 50 anos de atuação na música brasileira, dando ênfase às colaborações de colegas músicos. Obviamente, fazer essa curadoria de si próprio é sempre um desafio, ainda mais quando se é detentor de canções icônicas.

“O mais difícil foi fazer o repertório mesmo”, confessa Geraldo Azevedo, em uma conversa por telefone com o CORREIO. “Eu tenho muitas canções marcantes na minha história, que marcou a vida de muita gente. Cada show que eu faço eu noto essa integração das músicas com o público. Tem canção que não dá para tirar, de jeito nenhum. ‘Dia Branco’, ‘Caravana’, ‘Dona da minha cabeça’, o povo as pede sempre”, explica.

A ideia do DVD surge há alguns anos, com o show Ao Vivo Comigo, em que o artista interpretava suas canções em um formato acústico, apenas sua voz e o violão.

“Tinha vontade de registrar aquilo em vídeo, mas não dava pra simplesmente repetir o show, merecia uma atualização. Foi aí que veio esse repertório de agora", conta.

Obviamente, Solo Contigo não é apenas um "greatest hits", já que o artista também se esforça para entregar material que vá além do usual. “Tive a ousadia de fazer algumas coisas novas, como uma música com Mário Lago, gravei uma de Luiz Melodia, gravei Chico César, Vital Farias...”, lista. A do saudoso ator e compositor Mário Lago é "O amor antigramático", musicada com base na poesia homônima. Já a homenagem ao também saudoso Luiz Melodia é “Estácio, eu e você”. Outras canções que aparecem no repertório são “Príncipe brilhante”, “Canta coração”, “Moça bonita”, “O princípio do prazer”, “Letras negras” e “Táxi lunar”.

Algumas de suas principais parcerias se deram com artistas paraibanos e ele faz questão de enfatizar isso. “Em um show na Paraíba, é imprescindível ter no repertório minhas parcerias com autores paraibanos, como Geraldo Vandré, Chico César, Vital Farias, Zé Ramalho, todos são pessoas muito importantes na minha vida", ressalta Geraldo.

Hoje em dia, sua proximidade com Chico César é tanta que talvez resulte em uma colaboração maior. “A gente sonha em fazer um trabalho todo juntos. Sou fã dele demais, escuto os discos, desde o primeiro”, comenta, empolgado. No repertório do show de hoje, está incluída “Pensar em você”, escolha que rendeu uma história divertida.

“Eu aprendi a música de ouvido, então inventei uma harmonia do meu jeito. Já pedi desculpas a ele e disse que um dia eu aprendo ela do jeito que ele havia pensado e a gente grava juntos. É uma música linda, que tem muito a ver com minha ‘Dia branco’ e o jeito de escrever da minha poesia”, salienta.

Outro parceiro musical paraibano do pernambucano é seu xará, Geraldo Vandré. A única canção feita a quatro mãos por eles, “Canção da despedida”, foi composta na época da ditadura militar, que censurou a canção, por considerá-la “subversiva”. Na época, a ideia era lançá-la juntos, mas, devido a todo o panorama político, a primeira gravação da canção acontece em 1985, no LP A Luz do Solo, da discografia de Geraldo Azevedo.

Ela não está incluída nem no DVD, nem no CD, mas estará no show de hoje no Pedra do Reino, assim como esteve em outras paradas do show pelo país. Geraldo explica a razão. “Não consegui encontrá-lo a tempo para pegar autorização e incluí-la na gravação do DVD. Já é a segunda vez que eu tento registrá-la em vídeo e não consigo. Aliás, essa é uma canção cheia de carma, pois passou a ditadura inteira censurada. É uma dificuldade grande, até hoje (risos)”, comenta Geraldo, com leveza.

'Há demanda para a canção'



Cinco décadas de dedicação à música. Trabalhar por todo esse tempo com canção é um privilégio, mas também um desafio. Como se oxigenar e se manter instigado a desenvolver um trabalho artístico?

No caso de Geraldo Azevedo, que além de cantor e compositor também é músico, abraçar as múltiplas possibilidades que a música proporciona é a chave. “Eu gosto de tocar muito e, pra não tocar igual, vou mudando algumas músicas ao longo do tempo, seja no jeito de tocar, seja no arranjo mesmo”, ressalta.

No caso de Solo Contigo, a opção foi por despir as canções, ao ponto de remeter à forma pela qual ela veio ao mundo, apenas com a voz e o violão. Mas Geraldo Azevedo é múltiplo. No início do ano, ele lançou um EP (disco curto, com menos faixas que um álbum usual) intitulado É o Frevo, É Brasil. “Esse tipo de projeto me dá a sensação de que estou sempre começando de novo. Queria fazer um disco completo, mas não deu tempo. Acho que é preciso enfatizar e valorizar essa cultura que a gente tem”, explica.

O EP, assim como esse trabalho apresentado hoje em João Pessoa, é um lembrete, uma reverência às tradições musicais brasileiras que estão impregnadas na sua forma de fazer música. O artista acredita que há demanda para a canção, para esse jeito de fazer música que ficou marcada na cultura brasileira, especialmente no século XX.

“A mídia às vezes dá muita ênfase a música sem consistência. Existe uma necessidade pela arte e pela poesia que traduz o sentimento do povo brasileiro de uma maneira mais profunda”, filosofa. A quem procura esse tipo de música, Geraldo Azevedo se dispõe a pegar pela mão e conduzir a uma viagem pela canção.

Geraldo Azevedo



Hoje, às 21h

Teatro Pedra do Reino (Centro de Convenções, PB-008, km 5, João Pessoa – 9.9142.5892 – http://www.cecon.pb.gov.br – https://www.facebook.com/Teatro-Pedra-do-Reino-1879904645369244).

Ingressos: R$ 160 (plateia/ inteira), R$ 80 (plateia/meia), R$ 120 (balcão/ inteira) e R$ 60 (balcão/ meia), vendas antecipadas na loja Ecológica (Manaíra Shopping) ou pela internet (Eventim).

Veja locais de venda na versão impressa do Jornal CORREIO

 

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