sexta, 19 de abril de 2019
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Daúde e Céu homenageiam as mulheres em show no Espaço Cultural

Rammom Monte / 09 de março de 2019
Foto: Divulgação
Com sua voz doce e seu jeito dançante, a cantora Daúde traz seu mais recente show para João Pessoa hoje. A apresentação é em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Além dela, também se apresentará a cantora paulista Céu. A banda paraibana As Calungas irá abrir a noite. As apresentações acontecem a partir das 20h, no Espaço Cultural José Lins do Rego. A entrada é gratuita.

Daúde bateu um papo com a reportagem do CORREIO e falou sobre o show que preparou para hoje, a ascensão de artistas independentes e de se apresentar na mesma noite que Céu. Para a soteropolitana Daúde, seu repertório já trata da questão da mulher.

“Para este show ,eu vou levar repertório dos meus CDs. Eles já têm naturalmente esta incumbência de falar da mulher. Como uma forma de divertimento, mas também um alerta. Não é um show especifico, mas de qualquer forma é, porque naturalmente eu já tenho isto em meu trabalho”, falou.

Ela também já adiantou algumas músicas que estarão nesta noite, como Babalu, que ficou marcante na voz de Ângela Maria, Sobradinho, entre outras que estão presentes em seu mais recente disco, “Código Daúde”, o seu 5º álbum na carreira. “Mas terão músicas de outros trabalhos meus também”, revelou.

Daúde afirmou ainda que recebeu com felicidade o convite para se apresentar em João Pessoa, local onde ela não costuma cantar. Segundo ela, os artistas independentes estão tendo mais espaços atualmente, o que permite convites como este.

“(Recebeu o convite) Com muita alegria. Nunca vou a João Pessoa. Acho que estamos vivendo um momento da música em que os artistas independentes têm mais liberdade. As redes sociais colaboram muito para que os contratantes fiquem ligados”, disse.

Além de Daúde, outra cantora que subirá ao palco será Céu. Para a baiana, é uma oportunidade de tocarem juntas em uma mesma noite. “Eu acho muito legal. A gente nunca fez nada no mesmo palco. Ela já fez coisas em lugares que eu já fiz. Estes são os encontros de pessoas que você nunca tem a possibilidade de estar junto. E isto sempre fortalece, porque vê que as pessoas estão pensando a mesma coisa, mesma energia, mesma vibe”, finalizou.

Em seu trabalho mais recente, a artista se auto define como enigmática. São 12 canções em que a cantora esbanja ritmo, conhecimento de causa e inventividade, sempre filtrados pela sua forma única de cantar. De acordo com a apresentação do álbum, assinada por Tony Bellotto, “existe um doce enigma no canto de Daúde, que só o seu próprio código pode decifrar”.

Daúde sereia africana, que canta as versões dançantes dos clássicos “Que Bandeira”, de Marcos Valle, e “Babalú” (imortalizada pela sereia mor Angela Maria). As surpresas se sucedem, “O Vento”, de Rodrigo Amarante, “Como Dois Animais”, num dueto antológico com Alceu Valença, “Barco Negro”, um fado que faz pensar numa black Amália Rodrigues, e “Cala A Boca, Menino”, de Dorival Caymmi, em que Daúde inunda os ouvidos de ginga e sensualidade.



“Há artistas que têm num sei quantos milhões de likes e são valorizados, não é meu caso. A gente tem que ser valorizado pelo que a gente faz. Até acho importante, mas os likes não podem ser uma premissa para ser convidado para um show”, Daúde





Ao mesmo tempo, o canto de Daúde vai para muito longe também, sugerindo um Brasil futurista. Seu repertório traz “Sobradinho”, de Sá e Guarabyra, numa releitura cheia de ritmo e sons de um sertão pós-apocalíptico, e “Segura Esse Samba” e “Falso Amor Sincero” – com a presença mística de Nelson Sargento, o sambista Jedi – numa mistura de ritmos que acaba por transformá-los num novo ritmo.

As revelações continuam com “Minhas Razões”, de Antônio Carlos e Jocafi, “Eu Não Vou Mais”, de Orlandivo e Durval Ferreira, até o grand finale com sabor de cabaret europeu, “J’ai Deux Amours”.

Céu traz nova turnê para João Pessoa

Céu chega à capital paraibana com o álbum “Tropix” (o 5º da carreira). A turnê, que teve início em 2016, já passou pela Europa, Estados Unidos e diversas cidades brasileiras. Entre os destaques desse mais recente trabalho estão canções como “Perfume do Invisível”. “Tropix” é um álbum sintético, noturno, reluzente e conta com a produção musical de Pupillo (Nação Zumbi) e Hervé Salters (vocalista, produtor musical e fundador da banda General Elektriks).

Além de Tropix, a cantora e compositora Céu deve resgatar sucessos de álbuns anteriores, como o primeiro disco, lançado em 2005 sob influência do samba de raiz e música urbana, que lhe rendeu três indicações ao Grammy e vendeu mais de 200 mil cópias só nos Estados Unidos - a mais alta posição no Top 200 da Billboard alcançada por um artista brasileiro desde Astrud Gilberto com “Girl from Ipanema” - e mais de 400 mil cópias pelo mundo.

Seu segundo disco, “Vagarosa” (2009) foi novamente aclamado pela crítica e emplacou o segundo lugar na parada de World Music da Billboard. No mesmo ano foi considerada pela revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes de 2009. Em 2010, gravou uma versão de “Tempo de Amar” (Baden Powell) no disco do lendário músico americano Herbie Hancock, “The Imagine Project”. Em 2011, fez sua versão de “It´s a Long Way” (CaetanoVeloso) para o álbum“Red Hot + Rio 2”, projeto beneficente para a pesquisa da cura da Aids.

As Calungas abrem a noite

A abertura da noite ficará por conta das paraibanas da banda ‘As Calungas’. O grupo criado em 2012, é formado por mulheres percussionistas profissionais que se identificavam com o universo da cultura e da música popular e decidiram se juntar .

O grupo já animou diversos blocos em cidades da Paraíba como o Bloco do Caju, Bloco das Anjinhas, Bloco Bicho de Pé, em Cabedelo,o Bloco Pega na Biluca, na cidade do Conde e o Vai Tomar no Centro. E em 2015, criou seu próprio bloco, com saída no beco da cachaçaria Philipeia no Centro Histórico de João Pessoa.

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