quinta, 25 de fevereiro de 2021

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Cantor e compositor Jairo Mozart faz dois shows em João Pessoa

Gilberto Lopes / 11 de julho de 2017
Foto: Divulgação
Na década de 1970, quando dava passos para expandir seu trabalho como músico, o paraibano Jairo Mozart ensaiava um show, no Rio, quando ouviu: “O importante é não perder o tom”. A mensagem era de Antônio Carlos Jobim, com quem voltou a se encontrar várias outras vezes e ouvir a mesma orientação. O fato marcou a carreira do paraibano, que, mais tarde, veio a compor "Tom", uma das faixas do CD Amigos... Tons e Canções.

A letra segue em tom de agradecimento a Jobim: “Foi bom tocar no Tom / Amar Leblon / e o tamborim / Também soltar o dom / Ouvindo o som / dum passarim / Sentir, seguir, voar / Viver, chorar, sorrir / E chegar a um lugar que não tem fim / Valeu, mestre Jobim / Tantas canções / Também pra mim...”. O disco de 2014 agora virou shows no Brasil.

Radicado há 28 anos em Brasília e recém-chegado de uma turnê por três meses em Portugal e Espanha, o cantor e compositor fará duas apresentações em João Pessoa, n'A Budega Arte Café, amanhã, e na Vila do Porto, sexta. No show Entre Amigos, ele faz um apanhado dos seus 46 anos de carreira, com destaque para o último CD e o primeiro vinil.

Mozart será acompanhado pelos músicos Babi Paiva (contrabaixo), Rodrigo Santana (percussão), Eudes Nazareno (flauta) e Maropo (bandolim). Participam também Dida Fialho e Chico Mino.

“No show, vou homenagear Belchior, Dominguinhos, Paulo Paiva – que tocou comigo por muitos anos – e Geraldo Azevedo, com quem tenho músicas em parceria. O resto é autoral”, revela.

Velho mundo. Ele conta que já havia tocado e cantado em Porto Rico, Cuba e Estados Unidos. Desta vez, mais tempo em Portugal. Na Espanha, fez palestra sobre cultura indígena, espiritualidade e diversidade no Igesip (Instituto Galego de Estudos Internacionais pela Paz), organização da qual é membro.

“Uma coisa que me deixou feliz foi ver a quantidade de músicos brasileiros, e principalmente da Paraíba, nesses países. Eu cheguei em Santiago de Compostela, fui visitar o Centro Histórico, e fiquei emocionado. E me disseram: 'Mozart, vá ao teatro municipal', e a primeira pessoa que encontrei foi Socorro Lira, e depois, em outras ocasiões, me deparei com Junior Natureza e a neta de Vital Farias, todos paraibanos. Vi Elza Soares cantando na rua. Djavan, Alceu”.

Jairo Mozart confessa que a turnê significou mais do que um pezinho na Europa. Pretende ir morar lá. Conta que foi impulsionado pela gravadora Gênesis e pelo apresentador Adalberto Ferrari, que mantém o programa Vanguarda (http://recordarfazbem.com). “Ele realizou o Especial Jairo Mozart, por quase duas horas de música numa quarta-feira. Fui ouvido por 64 mil pessoas. Diante da repercussão, o especial foi reprisado no sábado, alcançando 262.014 ouvintes em 114 países, sendo a maior parte do Brasil”, afirma.

O compositor disse que está trabalhando num álbum novo, em que as faixas foram compostas em cada país por onde passou nos últimos três anos. “Nos Estados Unidos, compus um blues; em Cuba, fiz som cubano; em Portugal, uma toada em cima de trabalho de um dos fundadores da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)”.

Ao falar do início da carreira, o músico recorda que no começo tudo foi muito conflitante. “Quando cursei a UFPB, no Coex, queria estudar violão, mas não havia a disciplina. Então optei por artes plásticas. Após concluir o curso, fui estudar flauta – o que hoje não tenho mais domínio. Toco um pífano presenteado por Zé do Pífano. De vez em quando, vou na praça, toco o pífano e digo: 'Hoje à noite vou fazer um show, mas vou tocar violão'”.

Foi parar no curso de música. Faltando um ano para concluir, abandonou o curso para tocar em bandas na Paraíba, e não parou mais.

Patativa do Assaré está na lista dos seus maiores incentivadores do uso do cordel na música. O artista tem músicas com parceiros como Geraldo Azevedo, Clarice Nader, Félix Contreras, Carlos Moura, Zé Renato, Oliveira de Panelas, Pedro Osmar, Nivaldo do Acordeom, Fidélia Cassandra, Dida Fialho, entre outros. Mozart conta que conseguiu salvar sua obra às pressas da produtora e gravadora de Belchior, após a morte do artista.

Raízes indígenas. Filho de índia, não aceita que seu povo seja chamado de Potiguara. “O nome real é Potin-guará (camarão + guará, o predador), comedores de camarão. Vem das minhas raízes essa relação com a natureza e os povos indígenas. Hoje conheço 266 etnias. Das seis últimas contatadas já sou amigo dos xamãs, dos caciques. Quando descobriram os povos do Raoni, eu já conhecia”.

Ele conta que David Lakota, bisneto do índio Touro Sentado, o chamou para um congresso em Porto Rico. “Transformou-me em guia espiritual dele e me colocou dentro do organismo da ONU chamado CAIC (Conselho dos Anciões Indígenas das Três Américas e Caribe)”.

Jairo Mozart

Quarta-feira, às 19h.

A Budega Arte Café (R. Américo Cantalice, 197, Bancários, João Pessoa – https://www.facebook.com/abudegacafe).

Ingressos: colaboração espontânea da plateia.

Sexta, às 17h.

Vila do Porto (Largo de São Frei Pedro Gonçalves, 8, Varadouro, João Pessoa – 3222.6900 – http://www.facebook.com/restauranteviladoporto).

Ingressos: R$ 10.

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