segunda, 17 de junho de 2019
Cultura
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Projeto no Espaço Cultural recebe Ivanildo Vila Nova e Miro Pereira

André Luiz Maia / 02 de janeiro de 2019
Foto: Divulgação
A cantoria popular existe há mais de 200 anos e para o repentista Ivanildo Vila Nova, ela não dá sinais de cansaço. Ele é uma das atrações da primeira edição do projeto De Repente no Espaço de 2019, realizada pela Fundação Espaço Cultural (Funesc). Ele e o potiguar Miro Pereira fazem uma espécie de “duelo” de versos hoje no palco do 29º Salão de Artesanato da Paraíba.

Quem já conhece a dinâmica das apresentações do De Repente no Espaço já está familiarizado com a figura de Iponax Vila Nova, declamador oficial do evento e filho de Ivanildo. Ele introduz os convidados e pede ajuda da plateia para apresentar motes, temas e palavras, que serão incorporadas aos versos ágeis e improvisados dos repentistas.

Há quase 60 anos no ofício, Ivanildo ficou nacionalmente conhecido por conta de “Nordeste Independente”, parceria com Braulio Tavares gravada por Elba Ramalho em 1984. Censurada pela Ditadura Militar, a canção evidencia as riquezas do Nordeste em uma resposta à xenofobia que sulistas e sudestinos dirigiam aos nordestinos.

Para o repentista, exercer essa profissão exige uma série de coisas, sendo uma das principais um repertório. “Desde sempre, o cantador tinha que estar antenado e saber do que acontecia na cidade, no país, para poder pensar rapidamente e improvisar versos. Desde quando entra na profissão, ele precisa ter certo conhecimento humanístico”, afirma.

O pernambucano é conhecido por muitos como o maior cantador da atualidade, com participação em mais de 500 congressos, noitadas e torneios de cantadores. Miro também não fica atrás. Com mais de 30 anos de estrada, já participou de mais de 300 festivais, além de promover eventos de cantoria no interior do Rio Grande do Norte.

Desafios

A associação entre o repente e a cantoria de viola com a literatura de cordel é bastante comum, já que ambos compartilham entre si as bases da poesia popular nordestina. No entanto, Ivanildo salienta que não são coisas equiparáveis. “Tem cantador de viola que não conseguiria escrever um cordel nem se lhe oferecessem o prêmio da Mega-Sena da Virada, assim como tem cordelista que não saberia improvisar um verso sequer. É importante não misturar as coisas. São ambas expressões da nossa cultura popular, porém através de vias distintas”, enfatiza o repentista.

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