quinta, 15 de abril de 2021

Cultura
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Primeiros discos de Cátia de França são relançados e chegam às plataformas digitais

André Luiz Maia / 06 de março de 2019
Um desejo antigo dos fãs de Cátia de França se torna realidade. Os discos 20 Palavras ao Redor do Sol e Estilhaços, lançados há 40 e 39 anos, respectivamente, ganharam nova edição, chegando até mesmo aos serviços digitais de streaming, tornando trabalhos clássicos da paraibana acessíveis a milhões de pessoas.

O relançamento, através da Sony Music, conta com a remasterização dos trabalhos, assinada por Luigi Hoffer e Carlos Savalla, e também contará com uma série de ações para celebrar os 40 anos de 20 Palavras ao Redor do Sol, lançado em 1979. Cátia rodará por todo o Brasil com uma turnê que reproduzirá na íntegra o repertório do álbum, além de disponibilizar uma nova versão do vinil para venda.

A reação a essas iniciativas está sendo, de acordo com Cátia de França, a melhor possível, tanto da crítica especializada quanto dos fãs. "Eu vejo adolescentes e jovens que chegam até mim nos shows falando que conheceram meu trabalho por conta do avô, que tinha músicas como 'Ensacado' gravadas em uma fita cassete. Ouço isso constantemente", comenta a cantora, em entrevista ao CORREIO.

Tem até DJ turco usando suas músicas em formato remix. "Ele fez uma nova leitura da música 'Sustenta a pisada', que já está na internet. O despertar do interesse pela minha música vem dos lugares e camadas mais inesperados", completa a cantora.

Nascida em João Pessoa, Cátia de França tem seis discos de estúdio e se tornou uma lenda viva da música regional brasileira. Suas canções já foram gravadas por grandes nomes da MPB, como Elba Ramalho, Amelinha e Xangai, além de ter participado de festivais de música popular na década de 1960, época em que viajou à Europa com um grupo folclórico.

Em 20 Palavras ao Redor do Sol está sua canção mais celebrada, "Kukukaya (Jogo da asa da bruxa)", lançada posteriormente por Elba Ramalho. A gravação do disco, por sinal, contou com a presença de Elba e de seu irmão, Zé Ramalho, padrinho musical de Cátia. "Naquela época, Zé estava estouradaço. Ele tinha muito prestígio e, por conta disso, abriu portas para que apostassem no meu trabalho. Zé não teve o egoísmo e a soberba que alguns artistas que ganham fama tem, ele foi bastante generoso e me deu muita força", recorda.

Tanto nesse trabalho quanto em Estilhaços, Cátia mergulha na poesia de grandes escritores para realizar suas canções, sendo o de maior destaque o pernambucano João Cabral de Melo Neto, alguém que ela chegou a conhecer e ganhar sua "bênção" pessoalmente. "Trabalhava para sua filha, Inês Cabral, e cheguei a fazer músicas para alguns de seus filmes. Ela me levou até João Cabral, que soube da minha vontade de musicar poemas dele, e ele aprovou", relembra.

No entanto, se engana quem acha que Cátia está envolvida apenas com a dita "alta cultura". Morando na região rural do interior do Rio de Janeiro, ela ao mesmo tempo se isola para reconectar-se com a natureza e utiliza a internet para conectar-se com o mundo inteiro.

Durante mais de meia hora de conversa, ela citou frases ditas por artistas vencedoras do Oscar deste ano ("Muito importante a Regina King, uma atriz negra, ganhando um prêmio como aquele") e citou um livro "inusitado". "Ah, um dos livros que tô lendo agora é A Dança dos Dragões, daquela série lá dos tronos", afirma, se referindo à Crônicas de Gelo e Fogo, série de livros que inspirou a série Game of Thrones.

Dentre a agenda que incluem essas leituras, turnê nacional com o disco relançado e também em um projeto com as cantoras Ceumar e Déa Trancoso, ela também está se articulando para gravar um DVD, a convite da Prefeitura de Niterói e já seleciona repertório para um novo disco de inéditas. "Regina Limeira está morando aqui perto e estamos fazendo algumas coisas juntas. Musicamos uma letra de Khrystal, aquela cantora potiguar que está no musical de Elza. Aos poucos, tô montando tudo", revela.

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