quarta, 20 de janeiro de 2021

Cultura
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PIB cultural pode servir como critério para liberação de financiamentos e patrocínios

Celina Modesto / 05 de março de 2017
Foto: FÁBIO QUEIROZ/AL-SC
A produção cultural no país em suas mais diversas manifestações e a compreensão de como se dá o impacto na dimensão econômica é o que move a elaboração do Atlas Econômico da Cultura Brasileira, cujos dois primeiros volumes deverão ser lançados em até 40 dias. A reunião de dados nacionais, regionais e estaduais para desvendar a representação da cultura nas riquezas produzidas no país - ao lado da metodologia utilizada para a coleta desses dados - transforma o documento num verdadeiro PIB da Cultura, servindo inclusive de orientação para futuros financiamentos e patrocínios privados.

O projeto é realizado numa parceria entre o Ministério da Cultura (MinC) e o Centro de Estudos Internacionais sobre Governo (Cegov) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Quatro eixos serão utilizados para avaliar diferentes aspectos da economia da cultura no Brasil: empreendimentos culturais, mercado de trabalho, políticas públicas de fomento à cultura e comércio exterior de bens e serviços da economia da cultura. Com quatro volumes, o documento será lançado eixo por eixo.

No eixo do mercado de trabalho, por exemplo, o objetivo é verificar como a análise do impacto econômico possibilita a verificação de como os setores culturais geram renda e contribuem para a formação do produto nacional. Dessa forma, os pesquisadores vão considerar o emprego gerado no mercado cultural além de variáveis como salários, total de ocupados e empregabilidade. A proposta é apresentar dados estatísticos que forneçam um quadro abrangente do mercado de trabalho cultural no Brasil.

Por sua vez, o eixo dos empreendimentos culturais entende o processo de expansão do setor cultural como acelerado e, portanto, vai investigar e apresentar dados que mostrem a produção de bens e serviços. Diante disso, podem-se ampliar as possibilidades de atuação no setor cultural e consolidar a criação de empreendimentos culturais dos mais diversos portes e características, por exemplo. Ainda, os dados vão ser direcionados de forma a se discutir o porte e escopo de atuação econômica em relação às empresas e microempreendimentos no país, assim como as características de produção e comercialização e também de investimentos realizados no setor.

“Quando se pensa no PIB como equivalência e fatores como produto, dispêndio e renda, se pensa em tudo o que foi produzido no país e o que foi comercializado fora dele, as remunerações e os gastos das famílias e do governo. Então, cada módulo encontra uma equivalência com o PIB”, explicou Geraldo Horta Alvarenga, coordenador geral de pesquisa e novos modelos do MinC.

O Atlas, dessa forma, terá influência dos modelos de Contas Satélites de Cultura da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura e do Convênio Andrés Bello no Manual Metodológico para implementação de Contas Satélites de Cultura na América Latina. Entretanto, conforme relatório de um workshop realizado no final do ano passado no MinC.

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