terça, 11 de dezembro de 2018
Cultura
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Paraíba emplaca três projetos na 18ª edição do Itaú Cultural

André Luiz Maia / 29 de maio de 2018
Foto: OPHELIA/ Divulgação
Três projetos inscritos por artistas e grupos paraibanos foram selecionados na 18ª edição do Rumos Itaú Cultural. O Coletivo de Teatro Alfenim, o músico FurmigaDub e a produtora audiovisual Pigmento Cinematográfico foram alguns dos 109 contemplados em um edital que contou com mais de 12 mil inscrições. O anúncio aconteceu durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã de ontem na sede do Itaú Cultural, em São Paulo.

Desertores, do Alfenim, é um projeto de estudo sobre Complexo Fatzer, conjunto de fragmentos escritos pelo dramaturgo Bertolt Brecht. A ideia é que esse processo tenha como desdobramento a criação de uma montagem que trace um paralelo entre esses escritos e a realidade contemporânea brasileira. “É um desafio. Brecht escreveu esses textos ali no começo da década de 1930, com o nazismo se mostrando e Stalin tomando medidas extremas na Rússia. Era o desencanto com a revolução. Acho que isso funcionará como um bom paralelo com os dias de hoje”, explica o diretor do coletivo, Márcio Marciano.

FurmigaDub e Seu Bando é o projeto que pretende documentar e registrar o trabalho de pesquisa musical de Fabiano Formiga em um disco, quatro mini-documentários, um site e uma performance de lançamento do projeto em João Pessoa.

Na área do cinema, a Pigmento Cinematográfico foi escolhida por Semente Cinematográfica – Cartografia de Imagens: Filme-carta, Formação e Experimentação. Trata-se da implementação de quatro Escolas Experimentais de Cinema (EEC) em instituições de ensino de cidades paraibanas, oferecendo kits de produção audiovisual, consultoria técnica, cursos de capacitação para professores, dentre outras atividades que estimulem o interesse das crianças na área.

Pluralidade.

O Rumos, cujo aporte total este ano foi de R$ 15.555, conquistou uma marca inédita no processo 2017-2018: todos os estados brasileiros foram contemplados. “É algo a ser celebrado. Ainda estamos distantes de oferecer uma situação ideal de equanimidade, mas estamos buscando refinar a seleção. Não houve nenhum processo de cotas, buscamos oferecer momentos de escuta mais depurados”, ressalta o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron.

Além das pautas que abordam questões raciais e indígenas, a seleção também se destacou por seu recorte de gênero, já que 51% das proponentes foram mulheres. Outro número a de destacar diz respeito à acessibilidade. Dentre o universo de 86 inscrições, cinco projetos selecionados foram propostos por pessoas com alguma deficiência ou selecionados por abordarem a temática.

“Foi um privilégio poder ver o que pensam os agentes da cultura diante de tantos retrocessos na área e de maneira geral no país. Muitos trouxeram em seus projetos respostas contundentes e questionamentos”, pontua a cineasta Paula Gomes, integrante da comissão de seleção. Dentre os 65 nomes, estão dois paraibanos: o músico Esmeraldo Marques (Chico Correa) e a atual gestora do Teatro Santa Roza, Adriana Pio.

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