sábado, 26 de maio de 2018
Cultura
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Otto lança novo disco de inéditas, após cinco anos de hiato: ‘Nunca tive um gênero’

André Luiz Maia / 06 de agosto de 2017
Foto: Divulgação
Diante de tempos sombrios, uma dose de observação é necessária. Cinco anos separam os discos The Moon 1111 e Ottomatopeia, o penúltimo e o mais recente do cantor e compositor pernambucano Otto. Desse período, o país mudou bastante e essas transformações em ritmo frenético fizeram com que o artista fosse um pouco mais prudente e olhasse com calma seu novo disco que, inevitavelmente, seria afetado por todos esses acontecimentos.

Por onze faixas, Otto toma como ponto de partida em quase todas elas o amor, mas, ao invés de se restringir a debulhar a paixão, ele utiliza isso para fazer comentários sociais, falar sobre apatia, medo e tempos sociais difíceis. O primeiro single do novo trabalho, “Bala”, foi divulgada há pouco tempo atrás e, por trás de sua sonoridade tropical e envolvente, traz uma melancolia que está impregnada na forma como Otto enxerga o mundo atualmente. Aliado a isso, o trabalho do fotógrafo japonês Araki Nobuyoshi permeia o encarte do disco, com imagens de tortura.

“O ensaio traz essas cenas porque, de certa forma, é o que estamos vendo no Brasil. Ele estava vivendo um momento pra cima, feliz e de repente cai em um ambiente duro, fascista, torturante. Acho que talvez essa seja a mensagem. Vivíamos tempos bacanas, aí por causa do mercado, dos jogos políticos, vimos uma presidente democrática ser derrubada. A gente está vivendo essa tortura até hoje. Tomara que voltemos a poder eleger um presidente, pois a ilegitimidade é terrível. A gente tem que lutar com música, com arte, mas isso é a esquerda e a gente nunca deixou de fazer isso”, comenta Otto.

Produzido por Pupillo (Nação Zumbi), Ottomatopeia impressiona pelas participações especiais diversas, contando com nomes como Manoel Cordeiro, Felipe Cordeiro, Andreas Kisser e Zé Renato.

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