terça, 19 de janeiro de 2021

Cultura
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O trio paulista O Terno volta a João Pessoa para apresentar seu novo disco

André Luiz Maia / 24 de fevereiro de 2017
Foto: Divulgação
O Rec-Beat é um festival consolidado em Recife, apresentando novidades musicais e celebrando grandes nomes da música brasileira, como Jards Macalé, que encerra a programação da terça-feira do evento por lá. Aqui, pelo segundo ano seguido, João Pessoa recebe a prévia Rec-Beat Apresenta.

O evento aconteceria inicialmente no Centro Cultural Piollin, mas, devido a contratempos com a licença ambiental – o espaço fica ao lado do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, a Bica –, ele foi transferido para a área externa do Teatro Lima Penante, entre o Centro e Jaguaribe.

Seu Pereira e Coletivo 401 se apresenta tanto aqui quanto em Recife, sendo a primeira vez que o grupo participa do set list oficial do evento. A noite também conta com a dupla Àtooxxá, a banda chilena Negros de Harvar, os DJs Dolores e Sarah Blackbird e o grupo paulista O Terno, que traz pela primeira vez à Paraíba o show da turnê de seu disco mais recente, Melhor do que Parece.

O novo trabalho traz elementos já conhecidos do power trio, como a timbragem das músicas dos anos 1960 e 1970 e refrões cativantes, mas há uma certa densidade nos arranjos das novas canções que acrescentam novas texturas ao repertório. Na formação, Tim Bernardes (guitarra, vocal e piano), Guilherme D'Almeida (baixo) e Gabriel Basile (bateria).

O primeiro single, "Culpa", deixa bem claro o rock sessentista que ecoa até mesmo Erasmo Carlos e os tempos da Jovem Guarda, mas que ao longo da faixa mergulha em um ambiente mais semelhante ao universo de Os Mutantes, da mesma época. Mas o disco não se restringe ao rock propriamente dito.

“A gente se sentiu mais à vontade, pela primeira vez, de fazer músicas mais calmas, por assim dizer, mais melódicas, não tendo a obrigação de ser porrada, rock n’ roll ou qualquer coisa assim. Se uma música pedisse um arranjo gigante de cordas, sopros, a gente colocava, harpa, se fosse de ser só um rock n’ roll, também, a gente foi mais livre nesse sentido. Muitas letras tinham uma onda mais otimista, então isso se refletiu no som também”, explica o vocalista Tim Bernardes.

O exemplo já pode ser encontrado na segunda faixa do CD, "Nó", em que os protagonistas da canção são uma harpa e os arranjos de cordas bastante proeminentes, que lembram algumas chansons francesas do meio do século XX. “A gente não tinha em mente fazer um disco diferente do segundo, mas as músicas que estávamos ouvindo nos levavam a outro caminho mesmo. Elas se espelham naqueles pops orquestrais dos anos 1960", completa.

Faixas como "O orgulho e o perdão" também mostram o tom de experimentalismo do CD, já que ela conta com o uso de metais de uma forma pouco usual. Normalmente escolhidas por sua potência e som estridente, aqui o trombone é encoberto por filtros, em uma atmosfera mais etérea.

Em O Terno (2014), já havia sinais de que o grupo não queria se prender a uma estética rotulada de rock, mas Melhor do que Parece deixa isso mais evidente. “O Terno sempre teve a vontade de experimentar e de fazer as coisas do jeito que a gente queria. Se a gente gostava de fazer um disco bem rock era justamente pela transgressão, por fazer algo que fugisse do esperado, mas se fazer uma música de voz e cordas for algo mais rock n’ roll, a gente não precisa ficar preso a essa fórmula, sabe?”, argumenta o vocalista.

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