sexta, 18 de setembro de 2020

Cultura
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O FMC recebe inscrições, mas a expectativa é de poucos editais: o rumo dos agentes culturais é alternativo

André Luiz Maia / 01 de janeiro de 2017
Foto: Divulgação
As dificuldades gerais da economia em 2015 ganharam contornos mais dramáticos em 2016, fazendo com que vários estados entrassem em uma situação financeira delicada. O resultado disso é o impacto direto em setores como a cultura. Em um panorama de poucos recursos, editais e fundos de incentivo, 2016 não foi um ano fácil para a produção artística. No entanto, o que se pode esperar de 2017?

Empresas públicas ou de economia mista, como Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil reduziram ou até mesmo cessaram seus editais de incentivo na área para o próximo ano. “Acredito que ano que vem será ainda mais duro para a cultura em termos políticos. Penso que os editais de dança, circo e teatro da Fundação Nacional de Artes (Funarte), por exemplo, não acontecerão e que os festivais, mostras, encontros em dança que já existem só se darão em versões reduzidas e locais”, analisa a bailarina Joyce Barbosa, diretora artística da Paralelo Cia. de Dança.

No ano passado, o grupo teve um projeto selecionado, desta vez em um edital de uma instituição privada, o Itaú Cultural. Apesar desse benefício, Joyce acredita que a melhor estratégia é a união dos trabalhadores e agentes culturais. “O que nos salvará em 2017: a rede construída, fruto de muito trabalho e vontade de continuar com as pesquisas. O artista que se isolar cometerá um grande equívoco num momento tão delicado do nosso país”, avalia.

Com uma visão mais cética, o produtor cultural Rayan Lins acredita que o cenário do ano passado, de aperto, não traz perspectiva de melhora a curto prazo. “O que enxergo que houve foi uma profissionalização e qualificação maior daqueles que já vinham produzindo cultura na cidade e isso é positivo e foi necessário para que muita gente permanecesse na área, enquanto outros migraram para trabalhar em outros segmentos. Mas foi um ano ruim para o movimento cultural, de pouca movimentação, pouca articulação, conselhos de cultura do estado e do município sem alcançar nenhum avanço, sem fundos de cultura, sem os principais festivais do estado”, pondera.

Editais. O último edital Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), do governo estadual, teve seu resultado divulgado em 2015. Até agora, boa parte dos projetos selecionados não tiveram seu orçamento quitado. Em nota, a Secult informou que a contrapartida referente ao governo estadual foi paga aos projetos que fizeram a prestação de contas de maneira adequada, restando o repasse da segunda parcela do Governo Federal, por meio de uma parceria com a Funarte, no total de R$ 1,2 milhão e não há perspectiva de um novo edital até o pagamento do valor restante. A Prefeitura de João Pessoa, que não lançava uma edição do Fundo Municipal de Cultura desde 2014, anunciou novo edital este ano, mas o prazo foi prorrogado para janeiro de 2017. Será oferecido o total de R$ 1,5 milhão, mesmo valor do edital de 2013/2014.

Também foi anunciado o Prêmio Walfredo Rodriguez 2016/2017, dedicado ao audiovisual, em uma parceria com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), do Governo Federal. O edital prevê uma verba de R$ 3,6 milhões para a realização de 14 produções na área de cinema e vídeo. Desse total, R$ 2,4 milhões saem da Ancine e R$ 1,2 milhão da PMJP.

Independentes. Alguns nomes na cena independente da cidade conseguiram se destacar este ano. Um deles é Felipe Matheus Lima, produtor responsável por festivais como o No Ar Indie Sessions e o Hacienda. Durante o ano, ele conseguiu trazer para a cidade diversos nomes da música alternativa nacional e até mesmo internacional, como a banda francesa Moodoïd.

“Acredito que tivemos uma baixa de lançamentos de álbuns muito grande neste ano, devido a essa falta de suporte público para os artistas locais. Mas, quanto a shows, ganhamos bastante espaço na cidade, que resultou em uma articulação ótima entre os artistas. Há mais possibilidades de casas de shows, há muito mais espaço para novos grupos e produtores”, analisa. Em 2017, ele pretende lançar o Trópico, de distribuição de música e gerenciamento de carreiras.

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