domingo, 09 de dezembro de 2018
Cultura
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Novo trabalho da banda Vieira traz músicas gravadas em São Paulo

André Luiz Maia / 17 de fevereiro de 2018
Foto: Divulgação
Há três anos, um trio de jovens lançava seu primeiro trabalho em estúdio. Comercial Sul foi a estreia da banda Vieira, mostrando um repertório musical promissor. Em 2018, vem a continuação dessa jornada. Parahyba Vive chega como um compacto de cinco faixas que está sendo lançado com a pompa de álbum. O público poderá ouvi-lo nas plataformas digitais na próxima terça.

O registro é fruto de um concurso promovido em 2017 pelo Red Bull Studios, de São Paulo, o Break Time Sessions. Ao todo, foi uma peneira pela qual passou 100 bandas de todas as partes do país. O grupo paraibano formado por Arthur Vieira (voz e guitarra), Pedro Chico (guitarra e voz) e Marcus Menezes (bateria) se sagrou campeão.

"A gente estava para gravar o segundo disco, naquele dilema típico de todo artista na hora de dar sequência ao trabalho. Aí surgiu o Break Time Sessions. A gente nunca tinha participado de nenhum concurso. Rolou uma mobilização que nunca existiu antes na banda, de pedir voto, uma interação social na internet de forma bem assídua", relembra Arthur Vieira, líder do grupo.

Depois de fazer um show na UFPB e passar por uma curadoria interna do concurso, entraram na lista de finalistas. Após conquistarem o primeiro lugar, com mais de 4 mil votos, foram até São Paulo para gravar, mais precisamente em agosto. "Tivemos apenas uma semana de estúdio para gravar, todo dia, das 11h até às 20h", pontua Vieira. A equipe de gravação contou com Alejandra Luciani e Rodrigo Funai Costa - ele também fez a mixagem -, enquanto a masterizado ficou nas mãos de Maurício Gargel.

A arte do disco e da nova identidade visual da banda nas redes sociais são de Daniel Vincent, que vem se destacando na área, especialmente na criação de conceitos visuais para discos e bandas. É dele a capa de Estado de Poesia, álbum mais recente de outro paraibano, Chico César. A produção executiva de Parahyba Vive fica por conta da Toroh Música&Cultura.

Repertório

Antes mesmo de pensar em participar do Break Time Sessions, o grupo já tinha algumas composições e aguardavam a oportunidade certa para registrá-las em estúdio. Uma delas, "Morinho", já pode ser ouvida nas redes sociais, lançada como primeiro single.

Além disso, o público poderá ouvir mais quatro na terça-feira: "O Sol e o cachecol", "Supewlad", "Capim" e "Português ambíguo". Esta última conta com participação de Totonho, resultado de um encontro inesperado.

"A gente viu Totonho no metrô em um dos dias de gravação lá em São Paulo na volta para casa onde estávamos hospedados. Acabou que chamamos ele para gravar uma das faixas com a gente", relata o vocalista. A música fala sobre a subjetividade do jeito de falar tipicamente brasileiro. "É sobre essa coisa de 'dar uma de doido', como a gente fala aqui na Paraíba", completa.

Os títulos das músicas trazem algumas brincadeiras ou, como Arthur gosta de chamar, "easter eggs" (termo usado na cultura pop para definir pistas e elementos escondidos que fazem referência a alguma situação específica). "'O Sol e o cachecol' é essa coisa de nós, bichos da praia, indo para São Paulo, muito frio, gravar o disco, mas também faz referência a um cachecol que eu perdi durante a gravação e que gerou uma confusão. 'Capim' é sobre o Porto do Capim e o Estúdio Capim Santo, que a gente tinha lá no Centro Histórico", conta Vieira.

Em Parahyba Vive, experiências pessoais e temáticas existênciais aparecem de forma sutil. "Sofri um acidente, quase morri, a galera viajou, teve relacionamentos, falamos sobre vida, morte. Tudo isso está impresso nesse novo disco, é um retrato desse intervalo", completa o músico. O grupo já tem data para apresentar esse repertório completo em palco: 9 de março, na Vila do Porto, em João Pessoa.

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