quarta, 17 de julho de 2019
Música
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Vanessa da Mata revela segredos do 7º álbum ao CORREIO

Kubitschek Pinheiro / 16 de junho de 2019
Foto: Divulgação
O sétimo álbum de estúdio de Vanessa da Mata, Quando Deixamos Nossos Beijos na Esquina é o primeiro todo produzido todo por ela. A palavra beijo, por sinal, está em várias canções, mas não é proposital. “Para mim é muito diferente do que o ouvinte sente, mas de repente as sensações captam sob a ótica do que a pessoa está vivendo. Pode ser, mas tem muito diálogo, discurso”, diz ela em entrevista pelo telefone ao CORREIO.

As canções se comunicam. “Uma crônica, um diálogo e sensações variadas estão no disco todo, sentidas por muitas pessoas que assistem um beijo cheio de amor e essa cadência vai longe nos resultados. Não são tão óbvios”, adianta.

Para ela as canções surgem em sua mente pelos cafés do mundo, seu lugar preferido para rascunhar letras, inventar harmonias. Como sempre acontece e desta vez mais ainda, a artista caprichou nas composições longas. “Sempre fiz composições longas e sempre me disseram isso. Mas, dessa vez, voltei a fazer com todas. É o meu disco mais autoral, sem dúvida”.

Um dos destaques do novo trabalho é a participação do rapper baiano Baco Exu do Blues, parceiro e convidado no single "Tenha dó de mim". Lembra um videoclipe, uma festa cheia de gente linda e sem hora de acabar. “Baco Exu me impressionou muito, desde o início. As letras dele, a juventude, o discurso político interessante e fortalecedor, tudo. Um amigo nos apresentou e ele aceitou prontamente essa parceria. Fomos para o estúdio e saiu. Ele é como eu, fazemos músicas e letras meio freestyle. Estou muito feliz com o resultado, que bom que deu certo”, festeja.

A primeira faixa, “Só você e eu", se for por seu carinho, se for por seus beijinhos, diga ao povo que Vanessa fica, é uma referência ao Dia do Fico (quando o então príncipe regente Dom Pedro I disse que ficava no Brasil, em 9 de janeiro de 1822, quando Portugal exigia seu retorno).

“Sim, mas também uma ideia de abandonar uma vida animada de solteira (risos), para focar em uma relação. Claro que muitas outras pessoas já me falaram que a compreenderam de outra maneira, e eu também respeito”.

"Quando deixamos nossos beijos na esquina", a canção que dá nome ao disco, tem a metáfora “macumba de beijos”. Ela comenta: "A canção título do disco soa exatamente como carta de intenções. A letra fala da falta dos bons sentimentos, em um mundo doente, sem carinho, sem diálogo. Uma arrogância que nos assola. Eu adoro o verso "Foi sem querer que provocamos um bem estar. E deu contágio: escaparam beijos nos homens frios, mulheres secas".

Coisas debaixo da saia



A oitava faixa “Vá com Deus”, que fala das lamentações de pessoas que perdem amores ou amigos e não se acostumam com perdas. Por que será que as pessoas acham ruim não estar em sua boa companhia?

“Tenho visto cada vez mais loucuras e horror em estar só. Vejo poucos achando uma delícia estar só, às vezes até lhes parece vergonhoso como se ainda pairasse o tal 'ficou para titio'. Ainda acho pessoas deprimidas e fazendo chantagens emocionais, transando obrigatoriamente para segurar o companheiro ou companheira, ou mesmo até baixarias de fingir fragilidades, doenças, colocar a vida em risco, etc”, comenta.

E mais: “Pessoas que não aceitam o não de várias maneiras e tentam manipular. Muita gente obcecada e abusiva passando por cima da própria dignidade ou da autoestima se humilhando como se tivesse qualquer doença psiquiátrica séria. Tem muita gente maluca por aí...”

A sétima faixa “Debaixo da saia dela” conta a história de um menino que cresce pensando no que tem debaixo da saia da moça que passa. “Debaixo da saia dela/ Tem um pé de jacarandá/ Tem fruta do ingazeiro, menino/ Tem janela pro mundo inteiro, menino/ Debaixo da saia dela/ Tem tam tam e tamborim/ Beleza de Portinari/ Certeza de felicidade”. “Olha, eu já disse o que tinha. Cada um capta o que quiser...”, brinca.

Outra canção inquietante é “Ajoelha e reza”, mas a artista manda logo um recado. Ajoelhou, tem que rezar? “Não necessariamente... Nem ajoelhar nem rezar! Às vezes é o contrário”.

“O Mundo para Felipe”, é uma canção tocante para seu filho. “Meu fez 18 anos de idade. Na canção eu falo da maioridade dele”, fecha. Mais um ponto de um disco que reforça a assinatura autoral de Vanessa da Mata, que vinha reduzida em seus dois trabalhos anteriores.

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