sábado, 16 de janeiro de 2021

Música
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Vanessa da Mata mostra versatilidade em show em João Pessoa

André Luiz Maia / 03 de novembro de 2017
Foto: Divulgação
Os artistas normalmente fazem o registro de uma turnê em DVD após um longo período de circulação, uma forma de eternizar aquele capítulo de suas trajetórias musicais. Vanessa da Mata seguia à risca essa tradição, mas com seu novo trabalho, o ao vivo Caixinha de Música, ela decidiu fazer diferente. Depois de gravar e lançar o show feito em São Paulo em maio, a cantora agora gira pelo Brasil e pelo exterior apresentando seu trabalho.

Nesta sexta-feira (3), ela chega a João Pessoa. Para quem espera os grandes sucessos da cantora, a diversão está garantida, pois o repertório conta com músicas como “Ai, Ai, Ai”, “Amado”, “Boa sorte/ Good luck”, “Não me deixe só” e “Ainda bem”. “O artista precisa ser generoso e não deixar essas músicas de fora. O público pede e precisamos cantar, sem dúvida”, pontua Vanessa da Mata, em entrevista concedida ao CORREIO. No entanto, os fãs mais ardorosos devem se deleitar com músicas inéditas e releituras das mais diversas vertentes, traduzidas para o “jeito Vanessa da Mata de ser”.

Nas plataformas digitais, Vanessa lançou recentemente um remix para sua versão de “Impossível acreditar que perdi você”, balada melancólica responsável pelo sucesso a nível nacional do cantor e compositor mineiro Márcio Greyck na década de 1970. A canção, em sua versão usual, está no repertório. A versatilidade chama a atenção. Tem até mesmo “Love will tear us apart”, do grupo inglês Joy Division, e um reggae de Bob Marley que ganhou menos versões que outros sucessos do jamaicano, “Love mystic”. “Tem de tudo mesmo, trazendo para meu universo. Tem coisas que eu ouvia enquanto adolescente, coisas que eu ouvia minha mãe ouvir. Tem 'Mágoas de caboclo', uma música que ficou conhecida pela voz de Orlando Silva”, ressalta a cantora. Há espaço até mesmo para as cantorias de viola e o sertanejo raiz, com “Vá pro inferno com seu amor”, sucesso da dupla Milionário & José Rico. Dentre as inéditas, duas músicas se destacam. A faixa que dá título ao projeto, “Caixinha de música” é dedicada à mãe da cantora. “Eu fiz essa música para ela, mas ela também se destina a todas as pessoas que desistiram de amar”, contextualiza. Outra canção, mais áspera, é “Orgulho e nada mais”. “É uma sátira que ridiculariza as pessoas que precisam destruir as outras para se sentirem melhores que as outras”, completa a cantora. Vanessa se mostra antenada ao som feito pelas bandas do cenário independente do Brasil. Prova disso é a parceria com Fernando Catatau, da Cidadão Instigado, em “Perfume barato”.

Outra banda que também caiu no radar da artista foi BaianaSystem, que colabora com a faixa “Gente feliz (Sinceridade)”. “Essa música fala sobre saber ser feliz, mas também saber a hora de se levantar, que uma ação pode mudar tudo. A gente precisa tentar”, explica. A música ganhou um clipe com sua versão de estúdio, lançada este ano. Seu disco mais recente de estúdio é Segue o Som, lançado em 2014. Perguntada sobre um novo disco, ela afirma que não está planejando nada por enquanto, mas que vem observando a dinâmica de mercado. “Não sei se lançar um disco inteiro agora seja condizente com nossa realidade atual”, afirma.

A cultura dos singles e dos EPs (discos de curta duração), populares em outros mercados musicais, se tornaram algo rotineiro há pouco tempo no Brasil, um movimento que Vanessa da Mata enxerga com interesse. Ela conta de uma conversa que teve com o produtor musical inglês Chris Blackwell, responsável por discos de Bob Marley, U2 e Grace Jones. “Isso foi há alguns anos, ele me falava que essa cultura dos singles e dos EPs deveria chegar ao Brasil também e de fato foi o que houve. É um movimento de mercado, mas eu enquanto artista também vejo com bons olhos. Tinha discos que eu chegava a compor 50 músicas para extrair doze. Acho que lançar poucas canções espaçadamente ajuda a maturá-las melhor, ao invés do processo concentrado”, justifica.

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