terça, 25 de junho de 2019
Música
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Tulipa Ruiz fala ao CORREIO sobre seu novo disco

André Luiz Maia / 16 de novembro de 2017
Foto: Divulgação
Em um mundo polifônico, confuso e contraditório, Tulipa Ruiz optou por se despir. Não literalmente, mas seu som. TU (em caixa alta mesmo), novo disco da cantora paulista, é um duplo: metade composto por canções inéditas, costuradas por releituras de outras músicas já conhecidas pelos fãs de Tulipa.

O lançamento seria exclusivamente digital, assinado pela ONErpm. Seria, pois Tulipa decidiu atender a pedidos. "Recebi muita mensagem, muita gente veio me pedir e faremos uma tiragem pequena para ser vendida nos shows, em CD e em vinil. É uma prensagem simbólica para quem ainda gosta do formato físico", conta a cantora, em entrevista ao CORREIO.

O disco foi gravado em apenas duas semanas em Nova York, com produção de Gustavo Ruiz, seu irmão e produtor de todos os discos anteriores, e do músico Stéphane San Juan. Da safra de inéditas, Tulipa decidiu jogar primeiro nas redes "Game". A leitura do nome da faixa vai do gosto do freguês: pode ser como jogo em inglês ou o imperativo da terceira pessoa do singular do verbo "gamar". Traz uma brincadeira como palavras homófonas e homógrafas típicas da língua portuguesa. Ela abre o CD de nove faixas, que inicialmente seria um álbum de releituras. Dos registros anteriores, encontramos "Pedrinho" (do primeiro álbum, Efêmera), "Desinibida" e "Dois cafés" (do segundo, Tudo Tanto) e "Algo maior" (do terceiro, Dancê). "A sensação que eu tenho é que elas ficam mais legíveis, que as pessoas prestam atenção na letra, na dicção, no sentido e na sonoridade de cada palavra. As músicas novas aconteceram justamente por isso. ‘Game’, ou game, você decide como fala, é um jogo de investigação de palavra mesmo. Tem muito de estar encantada com esse jeito de apresentar e degustar a música", explica Tulipa.

Além de "Game", também tem as novas "Tu", "Pedra", "Pólen" e "Terrorista del amor", totalmente em espanhol, no único dueto do álbum, com o músico Adan Jodorowsky. A parceria com o franco-mexicano, filho do cineasta Alejandro Jodorowsky acabou acontecendo organicamente. Ela o conheceu em suas idas ao México e o nome veio naturalmente na cabeça. "Não tinha pensado em nenhuma parceria para o disco. O convidei e ele teria apenas um dia para gravar. Mas ele disse 'vamo nessa' e rolou. Foi algo muito legal tê-lo na faixa, que compus em parceria com a Ava Rocha, o Gustavo, o Saulo Duarte e a Paola Alfamor. Acho que a música tem muito a ver com ele e as conexões também fazem sentido. A Ava é filha do Glauber (Rocha, cineasta do Cinema Novo), o Alejandro Jodorowsky, dois cineastas que se admiravam", completa. Com o mercado musical fragmentado e o formato álbum perdendo espaço, Tulipa continua apostando em obras inteiras. "Eu gosto da ideia do single, mas ainda penso muito em narrativa. Gosto de pensar em algo linear para depois poder picotar", completa. O que se nota ao terminar a audição é que o disco traz uma Tulipa Ruiz desnuda. Diferente de seus registros anteriores, ela só traz sua voz, o violão e uma percussão básica. É música para sentar e prestar atenção.

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