terça, 19 de janeiro de 2021

Música
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Shows históricos de Gilberto Gil nos anos 1970 saem em CD

Kubitschek Pinheiro / 12 de dezembro de 2017
Foto: Divulgação
Um dos lançamentos mais importantes desse fim de ano é o box Gilberto Gil - Anos 70 ao Vivo, lançado pelo selo Discobertas, trabalho primoroso do produtor Marcelo Froes e do filho do artista, Ben Gil. O material reúne, em três CDs duplos, os shows Back in Bahia (gravado em março de 1972 no Rio de Janeiro), Umeboshi (em abril de 1973, também no Rio de Janeiro) e Ao Vivo na USP (gravado em maio de 1973 em São Paulo). Os registros são inéditos, nunca foram lançados em CD.

Aliás, tudo começou com uma conversa que Marcelo teve com Ben Gil, um dos pesquisadores da obra do pai, que idealizou o projeto Refavela 40 para celebrar as quatro décadas do álbum Refavela. Fróes, que há muito vem resgatando o catálogo de Gil, mostrou a Ben as gravações inéditas desses shows. A novidade trouxe à tona essas gravações que estavam na gaveta.

Froes - que tinha feito outros boxes do Gil para a Universal (1999) e Warner (2002), além de outros CDs avulsos e já havia lançado um disco de Gilberto Gil e Gal Costa de um show em Londres - conhecia todo o registro desses shows, mas não tinha planos para lançá-los este ano.

“Não muito. Embora eu já conhecesse o material há muitos anos. A ideia de fazer uma caixa surgiu após uma reunião com Ben no início de 2017”. E completa: “Faz mais de 20 anos que tenho intimidade com a obra de Gil e ideias sempre podem me ocorrer como essa agora”, revelou ao CORREIO.

Segundo Góes, Back in Bahia “é a fase bandleader, que ele desenvolveu em Londres - após suas primeiras experiências com os Mutantes e os Beat Boys, antes da prisão e do exílio”.

Esse show aconteceu primeiro em Recife, nos dias 2 e 3 de março, depois Salvador 8 e 9 do mesmo mês, até chegar ao Rio, no Teatro João Caetano, onde foi registrado nos tapes que deram origem a esses dois discos.

Nesses discos estão as canções “O sonho acabou”, “Expresso 2222” (ambas dele), “O canto da Ema” (de Alventino Cavalcante, João do Vale e Ayres Vinna), “Aquele Abraço” (dele), “Sai do sereno” (de Onildo Almeida), “O bom jogador” (dele), “Madalena (de Isidro, adaptação de Gil), “Cultura e Civilização”, “Brand New Dream” e Oriente” (dele) e fecha com “Chiclete com Banana” (de Gordurinha e Almira Castilho).

Um dos destaques das canções dessa época é a faixa “Chiclete com banana”, cantada por ele no álbum Expresso 2222 (1972) e reapareceria no encontro de Gil e o filho Ben no DVD BandaDois (2010).

Em Umeboshi estão as canções “Essa é pra tocar no rádio” (dele), “Iansã”, (dele e Caetano Veloso, também gravada por Maria Bethânia e recentemente por Alice Caymmi), “Doente, Morena” (dele e Duda Machado), “Duplo sentido”, "Cidade do Salvador” (de Gil), “Imbalança” (de Luiz Gonzaga e Zé Dantas), “Ladeira da Preguiça" (dele), “ Minha nega na janela” (de Gil e Doca), “Tradição”, “Preciso aprender a só ser”, “ Medley: Edyth Cooper e Procissão" e outras.

O terceiro disco do box é um registro histórico da música de Gil. Esse disco gravado na Universidade de São Paulo reúne 25 canções e muitas falas. De “Oriente” a “Domingo no parque” e fecha com “Cálice” (dele e Chico Buarque).

Em todos os discos encontramos um artista com muita fome de música, um artista gigante e um músico virtuoso, improvisando e recriando sobre canções já conhecidas, algumas delas ultrapassam os dez minutos.

Sim, o som de Gil chega às gerações ouvindo suas canções no Spotify. Para Froes, o artista chega para os jovens “cada vez mais um artista fascinante”.

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