terça, 19 de janeiro de 2021

Música
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Seu Pereira e Coletivo 401 e Chico Limeira fazem shows nesta sexta-feira

André Luiz Maia / 17 de novembro de 2017
Foto: Divulgação
Dose dupla de novidades em João Pessoa hoje à noite. Artistas da cidade apresentam oficialmente o repertório de seus novos discos em apresentações ao vivo. Seu Pereira e Coletivo 401 faz show com as músicas de Eu Não Sou Boa Influência pra Você hoje na Vila do Porto, na segunda edição do Baile de Máscaras Gotham City Love.

A sexta também foi o dia escolhido por Chico Limeira para apresentar as canções do disco homônimo, seu trabalho solo de estreia em estúdio, lançado em julho. Será no projeto Cambada, do Espaço Cultural. Quando se fala de música paraibana recente, é difícil fugir do nome de Seu Pereira e Coletivo 401. O grupo ultrapassou as fronteiras da "música tocada no Centro Histórico" e vem permeando outros nichos e públicos.

O primeiro disco do grupo veio em 2013, seguido por um EP, com pegada mais tropical, lançado dois anos depois. O segundo álbum veio ao mundo fruto de um financiamento coletivo pela plataforma Catarse e agora, no fi m de 2017, também caiu nas plataformas digitais. Os números impressionam. Com pouco menos de 20 dias, o álbum completo já alcançou 40 mil visualizações no YouTube. O clipe para a faixa-título, lançado no início de novembro, já ultrapassou o número de 20 mil. "A gente tem a consciência de que há um retorno positivo do público e é ele que nos levanta. Não temos uma figura do produtor musical, um trabalho forte de divulgação. Temos que investir no público e no contato com ele", analisa Jonathas Falcão, vocalista da banda. Parte das músicas do disco é conhecida do público, dos shows regulares da banda. "Tem músicas como 'Bicho solto' e 'Otário' que são bem antigas, com mais de dez anos de composição, mas que só entraram em um disco agora. Fui juntando essas com outras novas que vieram surgindo", completa. Uma da leva mais recente é "Geladeira azul", que tem relação com outro novo lançamento.

A letra foi criada por Falcão para a melodia de Trilha Sonora, lançada pela Banda-fôrra no mês passado. "Gustavo [Limeira, vocalista da Banda-fôrra] apareceu lá em casa querendo uma letra para essa música, mas ela acabou não sendo usada. Decidi aproveitar e fazer outra melodia e aí surge 'Geladeira azul'. São músicas primas, brinca.

Samba cinzento

Conhecido por seus trabalhos no Sonora Sambagroove, Trem das Onze e em A Troça Harmônica, demorou até que pudéssemos ouvir um trabalho em que Chico Limeira fosse o carro-chefe do projeto. "Eu sempre gostei muito mais da música de grupo. Dividir as responsabilidades com cabeças-universos diferentes pra gerar um produto diferente, não antes imaginado", afirma o artista. As gravações de Chico Limeira começaram em 2012, mas as primeiras composições ouvidas no CD datam de 2006. Ao mesmo tempo em que lapidava suas canções, participava ativamente na formação da identidade dos outros grupos musicais ao qual fazia parte. Dar um passo adiante lhe deixava bastante apreensivo. "É diferente tomar a frente, não acho uma situação confortável democraticamente. Aí fui digerindo nesse tempo-relógio-Parahyba o que estava por vir, finalizando entre uma coisa e outra. Aprendi a gostar dele e hoje me orgulho demais do resultado", comenta Chico, a respeito do álbum de nove faixas publicado no YouTube.

Ao longo dos quase 30 minutos de duração do disco sucinto, a gente consegue ouvir um samba com elementos de rock, que fogem um pouco da estrutura clássica do samba mais tradicional, como a curta "Boy", que abre o disco. "Venho buscando fazer um samba com esses olhos de quem vê daqui, do 'Terceiro Mundo do Terceiro Mundo', 'Nordeste do Nordeste do Brasil'. Acho que essa sonoridade fosca, com cara de rock, samba duro meio desorganizado, aliada ao sotaque e ambiência pra onde leva o disco, ajudam a trazer o som pra cá e ao mesmo tempo dá pra conversar com o mundo, com a música, samba ou não", explica o artista.

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