terça, 13 de novembro de 2018
Música
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Sertanejo Sérgio Reis está festejando 60 anos de carreira

Kubitschek Pinheiro / 13 de outubro de 2018
Foto: Divulgação
O sertanejo Sérgio Reis está festejando 60 anos de carreira, mas foi exatamente nos anos 1970 que o então cantor da Jovem Guarda Sérgio Reis ao apresentar num baile de debutantes em Tupiciguara, no Triângulo Mineiro, que ele entendeu que sua praia era outra. À época, fazia muito sucesso com Coração de Papel, baladinha com backing vocal e letra melosa e romântica sobre sofrimento de amor.

Depois de se apresentar, enquanto estava no camarim, ouviu outra banda tocar Menino da Porteira, de Teddy Vieira e Luís Raimundo. Ao final, o público fez tanto barulho que Reis se impressionou com a empolgação. Voltou para o hotel e, tarde da noite, ligou para o produtor Tony Campello para avisar que queria gravar a música. Campello se assustou com um “Jovem Guarda” querendo cantar sertanejo. E deu certo.

“Sérgio Reis: Uma vida, um talento”, de autoria do jornalista Murilo de Carvalho, Tinta Negra Editora com 256 páginas, traz também a fase de ator e político, cenas surpreendentes de uma vida repleta de aventuras, conquistas e descobertas. Desde o inicio, com seus avós paternos, que migraram da vila italiana onde viveu o autor do clássico infantil Pinóquio. É muito chão.

A sacada de escrever a biografia do cantor sertanejo veio do laço que une o personagem e o autor. “Somos amigos há mais de 20 anos e ao longo desse tempo temos feito muitos programas de TV e de rádio juntos. Especialmente o programa Siga Bem Caminhoneiro, que agora se chama Brasil Caminhoneiro. Além disso, tenho viajado com ele pelo Brasil, gravando alguns dos seus shows para o programa de TV. Acompanhando seu dia a dia, sua gentileza, sua bela história, resolvi escrever um pouco sobre a vida desse grande brasileiro”, justifica.

Voltando no tempo, vamos conhecer a fase Johnny Johnson, época em que Sérgio Reis cantava o cancioneiro americano. Segundo o autor, uma fase curta mas proveitosa. “Com esse nome ele começou a cantar músicas do Roy Orbison e muitas baladas americanas. Participava com um grupo de amigos, especialmente com Marcio e Ronaldo Antonucci, que formaram o conjunto “Os Vips”, de shows em São Paulo. Foi uma fase curta, mas importante para que ele se integrasse ao movimento musical daqueles anos”.

Ou seja, de cara, Sérgio Reis já foi quase tudo, dono de fazenda, trabalhou numa companhia de seguros e até estrela de cinema. Claro, como quase todo mundo, teve que trabalhar no início de sua carreira, antes do sucesso, para garantir o pão. “Foi estoquista numa mercearia e ajudante na fábrica de cartuchos do avô e mais tarde num escritório da Seguradora Home Insurance. A compra da fazenda foi bem mais tarde, quando já tinha feito sucesso com músicas sertanejas. Aliás, apesar de adorar o campo, o interior do Brasil o Sérgio teve que vender a fazenda no Mato Grosso do Sul por absoluta falta de tempo para tocá-la”, pontua

Nada mais oportuno nesse momento político que passa o país, trazer à tona o Sérgio Reis deputado federal. O autor explica: “Pois é, em 2014 resolveu candidatar-se a deputado federal e ganhou. E desde o começo sua intenção era utilizar não apenas seu salário, mas todas as verbas que os deputados têm direito para apoiar projetos ligados à saúde. Foi um dos importantes apoiadores do Hospital do Câncer de Barretos, no interior de São Paulo, que é referência no atendimento a pacientes, especialmente crianças com câncer. E é gratuito”

Como o rei Roberto ele tinha uma lambreta - ou vespa no tempo da Jovem Guarda e era o galã que deixava as garotas enlouquecidas com o barulho da sua maquina quente. Isso foi nos anos 60 quando a lambreta era quase um símbolo da juventude. “especialmente nas grandes cidades, como São Paulo. Moda que veio do cinema, especialmente com o filme Candelabro Italiano, com Troy Donahue e Suzanne Pleshette, que encantaram a garotada com cenas incríveis da Itália”, registra o autor.

Religioso Sérgio Réis é devoto de São Judas Tadeu  de quem Sérgio a São Judas alcançou um milagre, quer dizer, vários. “O primeiro foi quando decidiu comprar sua primeira casa, tinha pouco dinheiro e estava difícil encontrar uma que coubesse no seu bolso. Sua mãe, Clara Reis fez uma promessa a São Judas Tadeu e ele acabou achando a casa no bairro que queria, na zona norte de São Paulo. E para surpresa dele, havia uma pintura de São Judas na garagem. Outra foi quando comprou a primeira fazenda no Mato Grosso do Sul. Na hora da escritura perguntaram que nome gostaria de dar à nova fazenda. Ele então disse: vamos trocar para Fazenda São Judas Tadeu. E o rapaz do cartório disse: Bom, então não é preciso traçar, ela já se chama São Judas Tadeu”, conta o autor em sua biografia.

Claro que a figura do artista é muito ligada ao estilo caipira, apesar dos registros já bem anteriores para o gênero. “Ele é mais do que um caipira. Na verdade é um cantor do Brasil profundo, um cantor que buscou nas raízes caipiras, sertanejas, sua inspiração. Mas, como diz o Renato Teixeira, seu parceiro inseparável, o Sérgio é um grande cantor dos sertões do Brasil. Todos os sertões, do Sul, do Norte, do Nordeste.”

É difícil dizer, mas com o sobrenome italiano Bavini o Sergio Reis certamente não teria emplacado “Mas se a gente olhar aquela época, havia uma tendência a buscar nomes mais brasileiros para cantores sertanejos: Tonico e Tinoco, Oswaldir e Magrão, Liu e Léo, Pena Branca e Xavantinho etc. Em todo caso acho que ele emplacaria com quanlquer nome, mesmo o italiano Bavini”.

O livro é recheado de imagens, que o autor foi encontrando revirando baús, que ele Reis guarda sem nenhuma organização. “Deu muito trabalho, mas tive o apoio de uma grande amiga, a Keniara Carvalho”.

A biografia de Reis traz à  tona Orlando Silva, os cinemas paulistas como Marabá, Ipiranga e Marrocos, as figuras de Teddy Vieira, João Pacifico, Francisco Alves, Roberto Carlos, Renato Teixeira etc. “Bem tudo isso fez parte daquele universo que formou o cantor Sérgio Reis. Sua adolescência em São Paulo, seus amigos, seus ídolos na música”. O que Sérgio disse quando viu o livro pronto?  “Ele não tinha lido nada ainda. Por isso quando viu o livro pronto disse: Que beleza, Murilão. E me deu um abraço”, fechou.

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