quinta, 25 de fevereiro de 2021

Música
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Regina Limeira faz show solo hoje na Sala José Siqueira

André Luiz Maia / 17 de junho de 2017
Foto: Divulgação
Desconectados do mundo natural, esquecemos das lições que o silêncio da natureza podem nos trazer. A cantora e compositora Regina Limeira decidiu partir em busca dessa reconexão com sua própria essência e isso acabou desaguando em um caudaloso repertório de canções, que ela apresenta hoje à noite no show No Ventre da Mata, no projeto Cambada.

Antes de qualquer coisa, Regina pede para que se esclareça: ainda não é o lançamento do disco homônimo, o primeiro da carreira solo. A artista ficou conhecida na cena local principalmente por seu trabalho n'A Troça Harmônica e, da mesma maneira do projeto ao lado de Lucas Dourado, Guga Limeira e Chico Limeira, levará as canções para teste antes para o ao vivo.

"São 21 canções de minha autoria e uma em parceria com Nina Ferreira (da banda Evoé!). Quando eu fizer o disco, selecionarei dez canções e espero contar com a receptividade do público para decidir quais delas irão para o corte final", antecipa.

Há algum tempo, Regina participa de uma comunidade dentro de uma área preservada da Mata Atlântica, localizada no município de Alhandra, Litoral Sul paraibano. "Vivencio esse lugar independente do meu trabalho com a música, mas evidentemente essa experiência despertou em mim o desejo de fazer canções inspiradas por esse ambiente", pontua a cantora.

A partir daí, ela começou a mergulhar dentro de si e, como a própria descreve, fez o parto das músicas. "O nome No Ventre da Mata vem por eu ter, literalmente, feito o repertório dentro da mata", complementa Regina Limeira.

Uma das canções do repertório já é conhecida pelo público, "Maria vem", apresentada pela primeira vez n'A Troça Harmônica e já conta com interpretações de artistas como Gláucia Lima, Sandra Belê, Manu Lima e Maria Alice. "Além dela, tem várias outras louvações à figura de Maria, em diversas manifestações", aponta.

A sonoridade das canções traz elementos já existentes em trabalhos anteriores da artista, como o samba com influências afro, o ijexá e o afoxé. A novidade fica por conta da presença de canções com um caráter meditativo, evocando mantras tibetanos.

"Apesar disso, é um som bem brasileiro, dentro da diversidade que eu entendo a música brasileira", afirma Regina. Também há espaço para canções de amor, toadas e cantigas.

Embora tenha 26 anos, seu envolvimento com música vem de longa data. A primeira delas veio quando ela tinha apenas 12 anos, em uma atividade escolar. Regina e mais quatro amigas montaram o grupo Dona Moça, influenciadas pelo movimento manguebeat.

"No Dona Moça foi quando eu me reconheci enquanto artista. Eu ainda era criança, mas era a entusiasta do grupo, cantava, tocava guitarra e animava as meninas. Tinha esse ímpeto de liderar o grupo", relembra.

Com esse grupo, participou de alguns festivais de música realizados na cidade de João Pessoa, como o Festival do Sesc, no qual foram premiadas na categoria artista-revelação, e se apresentou em diversos espaços da cena independente.

A partir daí outros trabalhos foram surgindo. Fez parte do grupo As Bastianas, como violonista, e também do grupo Naldinho Braga e o Carro de Lata, como intérprete. Aos 17 anos fundou, junto com seus dois irmãos, Chico e Tibério Limeira e mais alguns amigos, o grupo de samba Trem das Onze, do qual fez parte durante nove anos.

"Foi uma grande escola para mim, pois foi onde aprendi demais sobre música com meu irmão, Chico, e também ganhei experiência nos palcos", conta. Em 2013, com A Troça Harmônica, começou a apresentar publicamente suas composições. "Eu passei a confiar mais nelas, a querer dizer o que eu queria através delas. Tudo isso desemboca nesse momento do novo show".

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