quinta, 14 de novembro de 2019
Música
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Processo para reconhecer forró como patrimônio imaterial avança

André Luiz Maia / 24 de abril de 2019
Foto: Divulgação
A cruzada em prol do forró tradicional continua. O processo de Registro das Matrizes do Forró como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil avança mais um pouco com a realização do Seminário Forró e Patrimônio Cultural entre os dias 8 e 10 de maio, em Recife.

Essa movimentação começou em 2011 e tem como principais agentes músicos produtores e entusiastas paraibanos do forró, mais especificamente a Associação Cultural Balaio Nordeste (ACBN), que entregou naquele ano o pedido formal de registro para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Ao longo de todos esses anos, uma série de etapas, discussões públicas e reunião de documentações estão sendo feitas para a efetivação do registro. "Estamos lutando para conquistar este título, que faz uma diferença. É um registro de um bem comum à cultura de todo o Brasil, mas principalmente do Nordeste. Está sendo uma batalha muito árdua, já que o país inteiro está vivendo uma mudança social muito grande", pontua Joana Alves, presidente da ACBN.

O seminário em Recife marca o início das atividades da Associação Respeita Januário, em parceria com o Iphan, no processo de pesquisa, fundamentada na solicitação da Balaio Nordeste e nas discussões dos fóruns e seminários realizados anteriormente, para a obtenção dos recursos necessários para a instituição do forró como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

O processo é demorado, mas o diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Hermano Queiroz, justifica esse tempo. "Poderíamos simplesmente recorrer aos estudos acadêmicos já realizados a respeito do forró, mas, para podermos abarcar a complexidade dessa manifestação cultural que já existe há séculos em nossa sociedade, é preciso de mais", comenta.

Através de seminários, encontros e visitas a comunidades, a ideia é conseguir coletar o máximo de informações a respeito dessa tradição. "É preciso resgatar práticas e rituais daquele universo, entender a extensão do forró e suas ramificações na cultura brasileira", completa Hermano.

A instituição do registro de Patrimônio Cultural Imaterial foi realizada no ano de 2000, sendo posta efetivamente em prática alguns anos depois. "Já passamos por esse processo com o samba carioca, com o samba de roda do Recôncavo Baiano, o maracatu e o caboclinho e, mais recentemente, o frevo. Para todos esses processos, a mobilização popular é importante. O forró tem avançado justamente por conta das organizações e dos artistas, que estão engajados", completa o gestor.

Aqui em João Pessoa, a Associação Cultural Balaio Nordeste continua suas atividades em defesa do forró. A próxima acontece amanhã, às 10h30, na Funjope, para discutir sobre a programação junina da cidade.

"No momento, não temos facilidade de diálogo com o meio econômico. Precisamos convencer essas pessoas da importância da matriz do forró e das nossas tradições para o país", da presidente da Associação Cultural Balaio Nordeste, Joana Alves.

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