sábado, 21 de julho de 2018
Música
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Recital em Campina Grande celebra obra de Edino Krieger

André Luiz Maia / 11 de abril de 2018
Foto: Divulgação
Edino Krieger é um nome importante ao se falar de música clássica com DNA inquestionavelmente brasileiro. Com 90 anos recém-completados, o músico está recebendo uma série de homenagens pelo país, especialmente concertos com repertório inteiramente dedicado a ele. O projeto Sesc Partituras fará exatamente isso amanhã em Campina Grande.

Sob o comando de Jorge Ribbas, um time de músicos formado por Arthur Marques, Pedro Costa, Felipe Vilarim, Michel Rangel, Felippi Ariel, Everaldo Amorim, Eloi de Lima, Felipe Oliveira, Wladenor Fonseca e Jaqueline Rodrigues Lira interpretam obras de Edino Krieger em performance no Cine-teatro do Sesc, no bairro de Santo Antônio.

Nascido em Brusque (SC), o músico e compositor não trouxe uma contribuição extensa em números – são cerca de 150 obras –, mas a qualidade do material que apresentou o colocou como um dos mais importantes compositores do século XX. “Ele consegue lidar com as diferentes linguagens musicais como poucos”, afirmou o respeitado maestro Isaac Karabtchevsky, em entrevista ao jornal O Globo.

Fora do campo da composição, Edino também deixou um trabalho importante enquanto crítico musical, em períódicos como a Tribuna da Imprensa e do Jornal do Brasil, e também liderou instituições fundamentais para o desenvolvimento da cultura do país, como a Fundação de Teatros do Rio de Janeiro (Funterj) e a Fundação Nacional de Arte (Funarte).

Em entrevista ao Correio, o maestro relembra seus primeiros passos e também porque expandiu sua atuação para além do campo da música. “Na verdade, tudo começou por uma questão de sobrevivência. Só existiam duas possibilidades para mim no Brasil naquela época: ser professor ou regente. Não era possível me manter apenas com meu trabalho de compositor. Aí surgiu minha primeira oportunidade de trabalho, na Rádio MEC, seguido de convites para escrever críticas musicais e ocupar cargos em instituições culturais”, explica Edino Krieger.

Alguns dos locais nos quais atuou como diretor foram o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS), a Sala Cecília Meireles e a Academia Brasileira de Música, ambas também no Rio. “Ao passar por esses locais, sempre tive a preocupação de criar um ambiente propício para a criação da música e da composição”, salienta o artista.

Enquanto se dividia em múltiplos para atender às funções, ainda sobrava tempo para compor. Sem se ater a escolas ou estilos musicais muito delimitados, suas obras inicialmente transitavam pelo barroco e neoclássico, mas logo isso fluiu para uma música com elementos regionalistas.

O movimento nacionalista não era uma novidade. No fim do século XVIII e durante o século XIX, surgiram várias escolas nacionais para afirmar uma independência cultural no campo da música clássica e aqui no Brasil não foi diferente. Alberto Nepomuceno e César Guerra-Peixe foram alguns dos nomes que levantaram a bandeira da identidade brasileira dentro do contexto sinfônico.

Krieger assume as influências que tem desses compositores, mas afirma que a presença da brasilidade em suas composições não era algo proposital. “Não é produto de uma posição estética premeditada, não é uma obrigação. Eu uso os elementos da música popular e folclórica brasileira porque as considero muito ricas e ainda pouco exploradas, especialmente a música nordestina. O xote e o baião são ritmos que eu gosto muito de usar na minha música”, salienta o músico.

A história de Edino Krieger pode ser lida com riqueza de detalhes por conta de outra iniciativa do Sesc, a biografia Edino Krieger - Crítico, Produtor Musical e Compositor, disponível gratuitamente pela internet para download.

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