terça, 11 de dezembro de 2018
Música
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‘Rainha do Pop’, Madona chega aos 60 anos ressignificando bandeiras

André Luiz Maia / 16 de agosto de 2018
Foto: Divulgação
Madonna não precisa de muita introdução. Autora de como ser um artista pop, ela chega nesta quarta-feira (15) aos 60 anos de idade como símbolo de resiliência da mulher na terceira idade em estado de pura potência.

Claro, não é a primeira que representa este papel, com menções honrosas a Cher e Tina Turner, mas o impacto cultural causado por Madonna em 36 anos de carreira a elevam a um status singular – e solitário, já que seus contemporâneos, Michael Jackson e Prince, já não estão mais entre nós.

A combinação entre sexo, religião e retaliação aos limites sociais impostos às mulheres, especialmente em discos como Like a Virgin (1984), Like a Prayer (1989) e Erotica (1992), fizeram com que seu trabalho transcendesse a música, questionando a própria moralidade da sociedade ocidental e propondo uma liberdade feminina em diversas áreas.

Ao ultrapassar a marca dos 50 anos, esses elementos permaneceram evidentes em seus discos e shows, mas ganharam uma nova camada com as críticas à sua idade. “Envelhecer é um pecado. Você será criticada, será vilipendiada e, definitivamente, não tocarão a sua música na rádio”, disse a cantora, ao receber o prêmio de Mulher do Ano pela revista Billboard, em 2016.

Sua existência e resistência como ícone cultural relevante por quase quatro décadas é uma extensão do seu discurso do início da década de 1990. Se lá ela representava a expansão das barreiras e clamava por liberdade sexual, agora, aos 60, ela toma para si o direito de ser atuante, sexy, mãe, empresária, artista dos palcos, tudo simultaneamente, sem abdicar nada.

Revolução dos costumes

Sua contribuição para a música não pode ser ignorada. Ray of Light é considerada uma Bíblia do pop, por introduzir na música radiofônica elementos eletrônicos relegado às pistas de dança nas rádios, trazendo um painel sonoro refrescante e inovador para o dito mainstream. No entanto, sua música também foi vetor para endereçar mensagens e apresentar ao mundo seus ideais.

“Express yourself” (1989) chama às mulheres com um coral feminino a falarem o que pensam, “Justify my love” (1990) causa polêmica ao trazer um clipe repleto de referências sexuais sadomasoquistas em plena MTV, sendo censurado. “Vogue”, do mesmo ano, traz a cultura LGBTI+ para os holofotes, antes mesmo dessa sigla existir. Com o hit, faz até mesmo os mais conservadores se renderem ao ritmo das pistas de dança de periferia de Nova York.

A cultura gay sempre foi abraçada e a abraçou em retribuição, especialmente por ter sido a primeira grande artista a encampar uma luta pela prevenção e combate à AIDS quando o tema ainda era arriscado ao ponto de afundar uma carreira bem-sucedida como a dela.

Nem sempre seus tiros foram certeiros, como no caso de “American life “(2003). Um dos clipes mais agressivos – e melhores –, ela evidencia os horrores da guerra contra o Iraque como fratura exposta da sociedade norte-americana. Ostracizada da indústria e banida das rádios, acaba recuando e passa por uma fase de reavaliação de posturas.

A resposta veio em 2005, com um de seus maiores hits, “Hung up”, em citação direta a “Gimme, gimme, gimme (A man after midnight)”, do ABBA. Mesmo com tropeços, é admirável o legado que Madonna permanece construindo ao longo de todos esses anos. Aos críticos, que insistem em chamá-la de velha e irrelevante, ela é categórica: “Bitch, I’m Madonna” (“vadia, eu sou Madonna”).

 

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