terça, 25 de junho de 2019
Música
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Pedro Osmar lança seu primeiro disco de estúdio no Santa Roza

André Luiz Maia / 21 de julho de 2017
Foto: Divulgação
É impossível falar de Pedro Osmar sem destacar o quão atípica é sua trajetória musical. Mestre da improvisação, o músico conhecido por seu trabalho seminal com o grupo Jaguaribe Carne passou mais de uma década fugindo das canções. Coube ao baterista e produtor musical Guegué Medeiros domar a fera, colocá-lo em estúdio e propor uma revisão de suas canções em formato de disco. ‘Nasce assim Quem Vem Lá?’, primeiro álbum de estúdio do compositor em 14 anos, lançado nesta sexta-feira (21) em show no Teatro Santa Roza.

O público que for nesta sexta-feira (21) ao show poderá conferir interpretações para canções antigas e outras inéditas, como “Vem no vento”, “Eu canto música de amor”, “Fala Jaguaribe”, “Mote do navio” e a própria que nomeia o álbum. A produção, feita na ponte aérea João Pessoa-São Paulo, é de Guegué Medeiros e de Marcos Alma. O último registro de Pedro em estúdio é Vem no Vento, lançado em 2003. Lá, ao lado do irmão Paulo Ró, eles dividiam as canções com um elenco robusto, de Elba Ramalho e Vital Farias, passando por Lenine, Zeca Baleiro, Elomar e Xangai. Aqui, ele está só na tarefa de interpretar suas crias, algo inédito na carreira. Pedro é franco, categórico. “Eu não sou cantor. Tecnicamente eu sou zero à esquerda. Se você for no show, vai ver que eu realmente não sou um cantor, é algo esculhambado. Mas eu aceitei o desafio”, pontua.

Tamanha franqueza não é surpresa para quem o viu no documentário Pedro Osmar — Prá Liberdade que Se Conquista. Além de relembrar a trajetória do artista, contando com material de acervo do Nudoc da UFPB, o documentário também acompanha os bastidores da elaboração desse novo trabalho.

Músicos jovens

Pedro é um espírito livre por natureza, portanto, apenas uma figura externa poderia convencê-lo de participar de um processo tão, digamos, convencional quanto gravar um disco de estúdio. Nesse disco, ele afirma que o produtor Guegué Medeiros impôs uma proibição: improvisar. “Eu entendi que ele fez a coisa certa, mas eu fiquei um pouco chocado. Falta de costume. Era gravar as músicas como elas foram compostas e pronto. E aí saiu o disco. É difícil cantar, não é um negócio simples, ainda mais cantar algo original, da gente. Você tem que estar munido de alguma força interior para realizar a tarefa. Mas enfim, está aí o resultado”, comenta.  O disco tem 32 canções, distribuídas em dois CDs. Pedro afi rma que, apesar disso, fi - cou um pouco frustrado. “Percebi que não devo ter composto 50 músicas na minha vida inteira. Eu sou muito decepcionante. Achei que tinha feito mais de mil músicas. Que nada! Mas meu forte é a improvisação mesmo, é o que eu curto. Aí eu junto com gente gosta de improvisar e aí não dá outra”, confessa.

No show, ele realmente terá a missão de apenas cantar, já que um time talentoso de músicos jovens estará na sua banda-base: Uirá Garcia e Marcelo Macedo (guitarra), Uaná Barreto (teclado), Guegué Medeiros (bateria) e Michel Charles (contrabaixo). “Gente da mais alta capacidade, uma nova geração de músicos que aprecia o trabalho dos dinossauros”, brinca o músico. Além disso, há a presença da família. O irmão Paulo Ró faz a percussão e ajuda Pedro a cantar algumas das canções, além da participação de seu filho, Pedro Indio Negro, da banda Flor de Pedra, que canta uma das músicas ao lado do pai.

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