segunda, 24 de junho de 2019
Música
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Pedro luís lança disco homenagem ‘Vale quanto pesa – Pérolas de Luiz Melodia’

Kubitschek Pinheiro / 08 de maio de 2019
Foto: Nana Moraes/Divulgação
O cantor Luiz Melodia, morto em agosto de 2017 está na voz do artista carioca Pedro Luís, que acaba de lançar o disco Vale Quanto Pesa - Pérolas de Luiz Melodia revisitando a obra do artista, uma homenagem a altura, que só Pedro Luís conseguiria ao esticar a voz de Melodia. Disponível em todas as plataformas, com selo da Deck. O disco é belo.

O CD foi produzido por Rafael Ramos (produtor de uma longa série de discos da gravadora Deck) e traz canções marcantes de Melodia, além de clássicos do repertório de Pérola Negra ( primeiro álbum do artista de 1973), músicas como “Juventude Transviada” (do disco “Maravilhas Contemporâneas”, 1976) e “Congênito” (do mesmo álbum) que ganharam novos arranjos assinados por Pedro Luís e sua banda de apoio.

A seleção das canções, além dos clássicos inseridos, teve realmente como ponto de partida o disco Pérola Negra. “Sim, Pérola Negra, a origem de tudo”, disse Pedro Luís. “Era um disco com apenas 30 minutos, fui em busca de outras preciosidades dele que não são poucas, e também de canções alheias que ele tivesse interpretado com a categoria que lhe é peculiar. Daí foi se construindo o grupo de canções que formam esse Vale Quanto Pesa”, disse Pedro Luís em entrevista ao CORREIO pelo telefone.

Segundo o artista, esse disco é mais que uma homenagem, pois, Melodia é uma de suas fortes referencias. “Luiz Melodia é um artista completo. É uma de minhas primeiras grandes referências. Considero o álbum Pérola Negra uma escola de como compor e cantar”.

Nesse trabalho, Pedro Luís reúne o baterista Élcio Cáfaro, integrante da formação que acompanhou Luiz Melodia durante muito tempo. Pedro canta também “Vale quanto pesa”, “Estácio Holly Estácio” e “Magrelinha”. “Élcio é meu amigo há muitos anos, sempre que posso tenho ele comigo em projetos que pedem suas características de exímio instrumentista que é. E, nesse caso, foi isso que se deu. Recentemente, a meu convite, ele integrou a banda do espetáculo Gota D’Água a Seco, com Laila Garin e Alejandro Claveaux, do qual fiz a direção musical. Hoje, além do show Vale Quanto Pesa, ele está comigo também no show Pedro Luís com S, onde canto canções minhas conhecidas em vozes alheias. É um show só de voz, violão e bateria”, anuncia ele a novidade.

Tudo começou com o vinil. “Justamente. Esse vinil de 1973 é uma joia rara, tanto na qualidade e diversidade das canções como na preciosidade dos arranjos. Decidido pela homenagem, ligo para Jane Reis (viúva de Melodia), para informar sobre meu desejo e pedir a devida bênção e autorização. Prontamente fui atendido e começo a construir o caminho de reverenciar o disco e as versões, porém jamais arremedando ou imitando, e sim buscando caminhos e ingredientes que são particulares às minhas diversas referências”, avisa.

Sim, Pedro Luís já cantava as canções de Luiz Melodia. “Com certeza. “Estácio, Eu e Você”é, por exemplo, uma canção que já toco desde que conheci o álbum e sempre nas rodas de violão entre amigos”. Pedro recapitula as interpretações de cantoras como Maria Bethânia, Gal Gosta e Zezé Motta ainda na década de 1970, como um exemplo de reconhecimento do repertório que ele acaba de gravar.

Só para lembrar, Pedro Luís encontrou Luiz Melodia há dez anos na França num festival. No Rio de Janeiro, ambos eram contratados por uma produtora em comum nos anos 1990. No entanto, os dois só dividiram o palco cantando no festival francês, ao lado de Roberta Sá, Hamilton de Holanda, dentre outros artistas.

“Conheci o Melodia nas estradas da música e tive o privilégio de dividir o palco com ele em Paris, num show de reunia além de nós dois Hamilton de Holanda, Mart’nália e Roberta Sá. Tivemos poucas mas carinhosas conversas”, revela.

“Congênito” com novo arranjo ficou uma canção bem lacrada, pronta pra dançar. “Acho que sim. Luiz sempre teve a veia pra o repertório dançante também, no funk, no viés latino, nos sambas de gafieira. Acho que ter levado essa canção por um caminho rock steady foi uma maneira de homenagear renovando”.

A gaita de Milton Guedes na canção “Objeto H” - “Deste objeto parte certo incompleto mais direto/ Ligeiro certo pro sul/ E parte mais um sonho/ e toco mais um sono/ No objeto do homem”

“Milton é, além de um amigo maravilhoso, um instrumentista excepcional. Nas minhas conversas com Rafael Ramos, que produziu o disco com extrema categoria e competência, começamos a levantar nomes de instrumentistas que pudéssemos”.

A capa é uma obra de arte de Bianca Ramoneda, com foto da Nana Moraes, num cenário de Sérgio Marimba. Parece que o artista carioca está de pé apoiado no guidão de uma bicicleta.“Fotógrafa incrível parceira de Bianca em diversos projetos e cenografia do Sérgio Marimba, com quem ela também já desenvolveu inúmeros trabalhos brilhantes. As pipas e a bicicleta são ideias que ela desenvolveu junto ao Marimba e que têm uma importância fundamental em minha história de vida”, confirma.

Ouvindo esse disco de Pedro a gente sente mais saudade de Luiz Melodia, mas nem de longe Pedro Luís imita Melodia. Nada de cover. Pedro é um artista e Melodia, era outro grande artista. “Justamente! Toda a influência deve ser processada com tudo o mais que vem de música e memórias através da vida, para que soe verdadeiro”.

Vai viajar com esse disco, vai fazer ele ao vivo? “Já estou viajando! Além de várias casas no Rio e em São Paulo, já fizemos Belo Horizonte, Belém, Garanhuns e ainda vamos rodar bastante por esse Brasil até chegarmos a Paraíba”.

Cadê a Parede, Pedro Luís? “A Parede é pai e mãe do Monobloco, que criamos em 2001 e se transformou num gigantesco fenômeno, que é cuidado e desenvolvido permanentemente por meus parceiros e seus colaboradores. Eventualmente temos feito aparições e, quem sabe, uma hora dessas tenhamos novidade para apresentar?”, fecha.

"Luiz Melodia é um artista completo. É uma de minhas primeiras grandes referências. Considero o álbum ‘Pérola Negra’ uma escola de como compor e cantar" falou o cantor.

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