sexta, 22 de janeiro de 2021

Música
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PB do samba: Em plena terra do forró, brota uma cena de samba

André Luiz Maia / 07 de maio de 2017
Se é samba que eles querem, nós temos! Em plena terra do forró, brota uma cena de samba, “um diferencial em relação a outras cidades do Nordeste”, como salienta a cantora paraibana Dandara Alves. grupos e cantores apresentam seu trabalho autoral, buscando uma identidade própria.

A banda Pura Raiz surgiu em 1996 de forma descompromissada, uma reunião de amigos que adoram samba de raiz para tocar suas músicas favoritas. Com o passar dos anos e a profissionalização, veio a preparação de um repertório inédito. O grupo se apresentou recentemente ao lado de outro nome forte do samba aqui, Mirandinha, na abertura do show de Zeca Pagodinho promovido pela Funesc.

“Há uma influência muito forte do samba carioca, até mesmo maior que do baiano, mas também há uma inspiração forte no Jackson do Pandeiro, que já trazia um samba com uma pegada nossa. É o que o Parahyba Samba Trio busca fazer, por exemplo”, explica Potyzinho Lucena, integrante do Pura Raiz e um dos nomes do Parahyba Samba Trio, ao lado de Luis Umberto e Jonathas Falcão (da Seu Pereira e Coletivo 401).

O Pura Raiz já tem três discos em estúdio, Dandara Alves já gravou um e artistas como Polyana Resende, Chico Limeira e Mirandinha estão com discos no prelo, o que indica um caminho para a definição de um samba tipicamente paraibano. “Já temos nuances e um jeito de tocar muito nosso, é algo que está em formação. O lançamento dos trabalhos em estúdio colaboram com isso”, conta Polyana Resende, uma das várias mulheres que se destacam na cena do samba.

Dandara Alves lembra que quando começou, há dez anos, ela só encontrou Salete Marrom cantando samba. Passado esse tempo, algumas coisas mudaram. “É bonito ver esse crescimento. É um processo ainda recente, mas expressivo. Há quatro anos, fui a primeira mulher em 101 anos da história do Carnaval Tradição a puxar um samba-enredo e Polyana mais ou menos na mesma época a primeira compositora. Também vejo mulheres integrando as fileiras das baterias e de outras funções que não só a da passista”, explica a cantora. Outras mulheres sambistas são Beatriz Araújo, Regina Limeira, Evla Bertoldo, Helô Nascimento, dentre outras.

Ainda falta espaço para tocar

A lista de gente fazendo samba é gigante. Dá pra citar por cima outros nomes, como Preto Neto, Renata Arruda, Totonho, Helton Souza, Clube do Samba, Os Mulatos, Tyrone Gomes, Luizinho do Pagode, além dos que já partiram, como Bené Bitonho, falecido ano passado. Mas onde eles se apresentam? Para que público? Onde ouvir suas músicas?

No ano passado, o Sabadinho Bom retirou seu espaço para o samba, retornando ao projeto inicial, dedicado ao chorinho, fazendo com que o único espaço público dedicado ao gênero na cidade se extinguisse. “Sentimos falta de políticas públicas voltadas para o samba. Não há mais um espaço público para tocarmos regularmente”, pontua Dandara Alves. Nas rádios, a situação não é muito diferente. “A gente tem pouco espaço. A Rádio Tabajara é a que nos dá mais suporte, através do programa Sambrasil”, lembra Potyzinho.

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